Parusia

Juraci Martins - São Sepé - RS

De que valem os elogios
Ou tantas medalhas
Se as batalhas
São por vãs cobiças
Ou poder qualquer,
Se só valem ações
Para o bem comum
Que se eternizam na parusia?
E se descortina
As razões da ida
Só em ver que o sol
Aquece bons e maus
E a chuva cai
Sem discriminar...
As flores se abrem
Em Salmos de alegria
Tecem os rochedos
As alegorias
Onde a visão humana
Talvez não chegaria!

E mais ainda, que lição nos dá
Os lírios dos montes,
Um coral de anuros,
O irapuru nas matas,
A pérola nas conchas,
A dança das cascatas?
É tudo um hino
De sabor eterno
Que nos convida
A estas liturgias
Num “Tantun Ergo”
De louvor e Paz!



Motim de Paz
Juraci Martins - São Sepé - RS

Estamos em luta,perdoe-nos o homem
Pelo direito de se ter direitos
No resgate desse espaço, justo e livre
Que nos tolheram pelos preconceitos.
Não queremos ser descriminadas
Ou com espaços apenas nos porões
Queremos ser mulheres emancipadas
Tomando parte em todas a s decisões.
Entramos em um motim de paz
Basta de espaços tão restritos
É preciso que ouçam nosso grito
Que entre paredes incontido jaz!
Queremos soltar a voz calada
E ser parceira em quaisquer decisão
Resgatando a liberdade mutilada
Que nos tornaram impedidas na ação!
É preciso que se dê a evasão
A tantas energias reprimidas
E na paz implodir toda a opressão
E ver nossa missão de justo definida!
E, lado a lado, no mesmo revoar
Como duas asas, homem e mulher
Formar um pássaro que leve a paz
A cada canto onde precisar!...



Caminhos

Juraci Martins - São Sepé - RS
Fev. de 2007


Caminhante...pensante....
Em uma longa estrada,
Com força juvenil sonhava...
Queria ser, queria ter ...realizar.
E os passos se alargavam.
Nem tudo dava certo...
E no incerto atropelava.
Por vezes o sonho não passava
De somente sonho.
E a estrada tinha curvas
E sinais que alertavam:
Siga em frente; é proibido;
Não ultrapasse...perigo!...
E o caminhante não desanimava
Ia e fazia ...e sonhava...
mas tudo tão pouco do que esperava...
E a estrada se alongava
Sempre mais e mais.
O cansaço pesava
A esperança redobrava
O obstáculo contornava.
pobre caminhante!
Nem sempre entendido
Por vezes apedrejado
andava, soçobrava...a dor doía
Enfraquecido seguia e fazia...
Seguia em frente na utopia
de ver o sol nascer para todos
A água saciar todas as sedes
Arrebentar todas as redes
E a estrada sempre se alongava...
Havia tantos rochedos...espinhos
Ribanceiras obstáculos....
Pobre caminhante!
Não queria envelhecer sem ver
O Reino de Deus acontecer.
Mas os anos passaram...
O tempo chegou
Lançando um olhar ao horizonte
Tristemente vislumbrava
Mais quilômetros de estrada
Porém esperanças restavam
Cansado sentou-se à beira da estrada
Tirou a palavra guardada
E leu: “Combati o bom combate,
acabei minha carreira,
Guardei a fé!” (IITm 4,7-8)



Metamorfose

Juraci Martins - São Sepé - RS

Quisera ser a larva no casulo...
Entre fios de seda adormecer
Ou poder meditar tão meramente,
sobre a vida...o ser, o não ser...
Uma vez sendo
De onde...para onde?
E então assim crisálida
intocável
poder sentir de forma inusitada
A força trina...anseio metamórfico
No amor profético,
Crismada regalia...
Impulsionando
As fibras do casulo,
Até romper-se
E libélula
Ocupar um novo espaço,
Todo liberdade!

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  02.06.2009  

  

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