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A
surpresa de Efigênia
Hiram Câmara
Ao entrar na Academia
pela porta virtual, aberta,
dia a dia,
à Arte dos poetas,
meu coração se faz alerta
na busca ao menos de um indício,
de que tenha voltado a merecer,
como ao início,
uma simples citação,
ou um verso ali escondido.
Mas qual, ainda que espere
mês a mês que apareça,
e ainda que me esmere
a recompor perdas e sonhos,
o tempo se escoa como água
e ao final, o que me resta
é leve sabor de mágoa,
que se esgota ao me lembrar:
a academia merece,
por certo, muito mais
que minha pobre rima
-flor inodora que desbota-
à inspiração fugaz.
Sigo, de perto, aguardando
o que cada e-mail traz:
quem sabe, a Academia,
se abra e me oferte
um cantinho do universo
em que me fiz sua presa,
e, um dia, com toda vênia,
a surpresa de Efigênia
se faça em forma de verso.

A luz
de seus Poemas
Hiram Câmara
Se do sonho nasce o concreto
E do incerto o espírito molda
o que será nova certeza,
da esperança surge o futuro
que se sonha,
da fé, a crença no impossível,
todo poeta é assim passível
de sonhar rimas incertas,
de se sentir seguro
ao se apoiar no ar,
ao "futurecer" amores já vividos,
e ao morrer então em rimas vivas,
e ainda assim,
seguir seu caminho mesmo além.
É então que a obra do Poeta faz-se mar
onde desaguam as emoções
de seu sonhar.
E é então que o Poeta,
quando sofre
guarda a dor em um poema-cofre,
em seu coração.
E se a este, um dia, falta
uma sístole tardia,
todas as rimas dão-se as mãos
e a energia,
que delas emanou por toda a lida
de esculpir idéias em versos
tão sentidos,
vêm-lhe ao espírito
e o socorrem.
E ao fazê-lo, perpetuam,
nos cofres-corações de destinos tão
diversos,
as imagens que, um dia,
fizeram sonhos se tornarem versos.
Adia-se, então, por séculos
o Mandamento que o chama,
pois os Poetas morrem apenas
quando se apaga a luz de seus poemas
nos corações daqueles a quem ama.
Rio de Janeiro
Abril 2006

O
milagre de Seu aniversário
Hiram Câmara
13 /12/2005
O convite para cada filho e cada
filha- Seus amigos
terem com Ele, em Sua festa, é
informal.
É Seu aniversário, e nele todo bem
sobrevêm a todo mal,
defendido na fé de um canto de Natal,
ressoando em nossa alma um hino de
amor universal.
É Seu aniversário e os que ali estão,
por uns momentos deixam fora de suas
vidas,
riqueza, pobreza, arrogância e
humilhação
Humanos, somente, é o que são,
igualados pela necessidade de um mesmo
alimento,
na maior das fomes do planeta:
do sentimento da fé que Ele nos
ensinou, em Sua prece.
Pois se dela ingerida uma migalha que
seja,
se doente, a dor esquece; se
sofredor,envolve-se em alegria;
o abandonado encontra o Lar: por Ele
amado, aprende a amar.
O escravo, mesmo o de si mesmo,
encoraja-se.
Rompe sua cadeia e se torna livre,
neste dia.
Aquele que tudo receia e só no que vê,
é capaz de crer,
abre o coração à Sua palavra,
como abre a terra o agricultor a
semear tudo que lavra.
Prepara-te, pois, para visitá-Lo em
local muito sagrado:
o templo de seu coração.
E por assim ser, não economize, neste
dia.
Enriquece tuas vestes, e ao fazê-lo,
tenha em mente:
Não somente a simplicidade vale mais
do que o ouro.
A alegria de viver deve também assim
ser valorizada:
distribua pepitas de bondade ao longo
dos caminhos
- e quantas há em seu tesouro de
carinhos!
Ao findar, verás o que nos resta:
os ricos presentes que Ele nos
preserva:
um trecho da missão de vida que ainda
nos reserva,
e o quinhão de humildade com que Ele,
na hora exata
-como a da benção de um sacrário -
desatará cada nó por nós criados por
um ano,
desde que comemoramos este milagre
em Seu último aniversário.
Rio, 13 de dezembro de 2005 -
Feliz Natal a todos os Poetas desta
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