SER
Luiz Carlos Belo Araújo


Descalço, lá ia o homem de Necker
Proclamando as suas teorias
E reunindo filósofos e intelectuais
Na sua cabana.
Propôs um regresso às emoções mais nobres
No conceito vulgar do termo.
Inventou um fruto chamado amizade
Desgostando-se com o desrespeito
Que por aí há.
Cansado, falou e escutou.
Mas deparou com duas notícias:
Papa pede tréguas por uma semana
E comunistas apóiam sérvios!



ENTRE MAR E LUZ

Nasci num dia com sol
Ouvindo as ondas do mar
Palavras comecei a ouvi-las
Num rodopiar constante e muito sonoro.

Ondas de sonho invadiram o meu destino
Que era povoado por homens serenos.
Breves lampejos de luz e sombra
Desenharam-se no meu horizonte.

O sol brilhou várias vezes
E o mar era uma constante.
Serenidade, vida tumultuosa, imensidão:
Isso era o mar...
Palavras, conceitos, poliedros:
Isso era o sol...

E a morte não existia:
Porque no mar tudo se renova
E à velocidade da luz a matéria é energia.
Ondas de sonho povoaram o meu destino...


HARMONIA

Porque me falas
De tão abissais mundos?
Talvez seja o cantar da cotovia
Numa melodia
Que trespassa o coração.

Canta, se assim o queres
Canta teus males,
Porque o bem vem a seguir.
Continua emitindo sons.

Sons não de uma campainha,
Mas de algo vibrante:
Pautas soltas de um coração,
Coração pulsante, porque humano.

Se o coração fosse a harmonia
O ritmo estudado,
Não haveria contendas,
Guerras sangrentas e males consentidos.

Infernos consentidos, não obrigado!
Oiçam a cotovia
Ou até o rouxinol
Que encanta, demove nossa má-fé.

Luís Carlos Belo Araújo
Algueirão/Sintra, 21-04-2007

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  03.06.2009  

  

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