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Contradições
Valdez de Oliveira Cavalcanti
Se fujo, corro, solidão me mata.
Se fico morro: teu olhar me afoga.
Se calo... sofro, que o falar me roga
O canto triste que nos arrebata.
Se nego, tenho o prazer furtado.
Se aceito, quebro teu sorriso manso...
Se me recuso não terei descanso,
Que do encanto me terei privado.
Fico, não fujo. Solidão acaba...
Canto, não calo: teu olhar me afaga
Não nego, aceito. Morro de paixão!
Divina musa dos meus tristes ais!...
Não, não recuso, que tocando vais...
Todas as cordas do meu coração!
João Pessoa, Brasil - Jan.1999

Ser criança
Valdez de Oliveira Cavalcanti
Pisar no lodo, chafurdar na lama;
Cara no vento, flauteando flores...
Na inocência..., não saber de
amores...;
Não se queimar na perigosa chama...
Pular, correr, viver com desatino,
livre do pejo, dor..., ansiedade...
Não ter paixões..., jamais sentir
saudade!
Curtir a vida simples de menino.
Pião na mão, caniço, baladeira...
Nunca pensar..., viver de brincadeira;
Nunca guardar rancores ou lembrança.
Desejo de esquecer esses teus olhos,
Que são na minha vida meus abrolhos...
Vontade de voltar a ser criança!

DELÍRIOS
Valdez/J.Pessoa/fev/99
Usa de mim... Afasta os sofrimentos
Que jorram em cascata do teu peito.
Entre lençóis esconde, no teu leito,
As flores do meu eu: meus sentimentos
Quando deitares ali tua fadiga,
Não ouses por provar de amargos
frutos...
Esquecerás de ti nesses minutos;
Encontrarás em mim a alma amiga.
Sufocarei teu pranto nos meus braços,
Inundarei de luz teus olhos baços,
E te trarei à vida..., à alegria...
E de mãos dadas, qual jovens amantes,
Iremos às alturas delirantes...
Levados pelas asas da poesia...

CRAVO NEGRO
Valdez.
Entre recordos, grita a saudade
De alguém que perdi e não voltou:
Mulher trigueira, cabocla verdade,
Rosa do tempo, vento que passou...
Tinha ardor qualquer de lamparina,
E no xibiu tremores de vulcão...
Nos olhos o negrume de menina,
Duas fornalhas feitas de paixão...
Essa cabrita, toda de feitiço...
Arrebatou-me, fez-me seu escravo...
Aconteceu, num grande rebuliço!
Cresci, me fui, ela ficou no mato...
Eu a recordo como negro cravo...
Me faz sentir o quanto fui ingrato!

MAR BRAVIO
Valdez
Sou capitão de um batel em fúria,
Terçando forças com o mar bravio...
A estibordo um negror sombrio...
Sobrelevando natural luxúria...
Os elementos rugem, estertoram,
O coração imbica do açoite...
E da medonha luta faz-se noite...
A noite do pesar e dos que choram...
O batel, qual pretória consciência,
Maltrata, julga com eficiência:
A vida é um mar de tempestade!...
Ah, mar revolto dos meus sentimentos!
Vagas profundas de tantos tormentos...
O que vos causa infelicidade?

A Despedida
Valdez/08/12/98
Murmura uma brisa que me chama:
Valdez! Valdez!... Vem... eu te
imploro!
Transmitir algo devo, não demoro!...
Um ósculo daquela que te ama...
De pronto, me levanto da cadeira,
Sentindo no peito uma fisgada,
E me ponho fora, em disparada,
À procura da brisa mensageira.
Abraço-me à grande camarada...
À amiga que veio pela estrada...
Cansou, parou, bateu na minha porta.
E apertada a mim, numa ânsia louca,
Ardente beijo deu na minha boca:
- Receba é teu... ela está morta! –

Biografia
POESIAS
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