A MALDITA SUBSTITUIÇÃO
Autoria - Silvana Duboc
30/03/2005


Pensando bem foi o melhor,
tentar ficar juntos seria o pior.
Agora a questão
é fazer a maldita substituição.
Sei que você tem tentado
mas não tem encontrado
alguém que tenha conseguido
lhe fazer feliz como você foi comigo.
Em nenhuma delas
você tem achado o meu sorriso,
a minha força e coragem,
a minha maturidade e infantilidade.
Sei que você tem dito
que encontrar comigo
ainda é um grande perigo.
Só posso respeitar,
acho que você não vai mesmo aguentar,
suas lembranças vão lhe torturar
e, pra mim, vai querer voltar.
Viu como substituição não é coisa
tão simples de se fazer?
Pena que só agora você pôde ver.

CHUVA DE VERÃO
Autoria - Silvana Duboc
14/02/2002

Tinha um sol brilhante,
tinha a praia infinitamente bela,
tinha um céu de aquarela.
Tinha a areia tão fina
quanto a que escorrega na ampulheta,
tinha a água do mar tão cristalina
quanto a que acaba com a seca,
ora azul transparente,
ora verde reluzente.
Tinha brisa de verão,
tinha mais de uma estação,
tinha uma chuva fina,
curta, passageira,
amiga minha
e quando ela chegava
molhava meus cabelos,
encharcava meu corpo por inteiro.
Junto com o vento que trazia
arrepiava meus pêlos
e eu menina, mulher,
feliz como uma qualquer,
rodeada de tanta gente,
tão inocente,
imaginava você do meu lado,
seu corpo no meu colado,
seu sorriso me dando um abraço
e seus olhos enfeitiçados,
por mim, guiados.
E, enquanto, a chuva caia,
enquanto, sobre meu rosto ela escorria,
com minhas lágrimas se misturava.
Tinha noite estrelada,
tinha música e eu dançava,
tinha orvalho espalhado na calçada,
tinham lembranças de um passado.
Tinham flores,
pequeninas e escondidas,
grandes e aflitas,
algumas quando eu passava me gritavam,
outras, me evitavam,
sofridas num canto choravam.
Tinham drinks coloridos,
neles, sonhos enrustidos,
tinha mergulho na sedução,
tinha luz na escuridão,
trevas na minha emoção.
Tinha dentro do meu coração
muitos fragmentos do seu
que há muito, do meu, se perdeu.


EM PLENA MULTIDÃO
Autoria - Silvana Duboc
10/11/2004

Guarde esse segredo
pois eu tenho medo
que venham a descobrir
que eu sou louca por ti.
Tenho tentado esconder
embora já comecem a perceber
que sem ti não sei viver.
Ando misturada à multidão
para que não escutem
as batidas do meu coração.
Disfarço de toda maneira
enquanto finges me levar na brincadeira
mas percebo em teu olhar
que tu também me amas
e não queres revelar.
Assim, guardamos esse segredo
e vamos contando nos dedos
os anos que vão passando
e que vamos nos amando
nesse silêncio sem razão.
Acho que, no fundo, cada um de nós
tenta preservar seu próprio coração
e com isso vamos nos perdendo
em plena multidão.


UM GRANDE AMOR CUSTA A MORRER
Autoria - Silvana Duboc
28/09/2004


Quando amanheceu
já era tarde pra mim.
Ao meu lado não vi seu rosto
e insisti, busquei seu corpo
perdido entre os lençóis.
Naquele momento só era eu
não existia mais nós.
Procurei seus rastros
ao menos uma lembrança
mas meus passos
perdidos na esperança
rondaram todo o quarto
depois a casa
e não acharam nada.
Estranha sua partida
se eu era na sua vida
sua água, sua comida.
Voltei pra cama.
Agora é aqui que vou ficar
entregue à dor
até deixar de lhe amar.
Se vão demorar dias, semanas,
meses ou anos
não tenho como saber
só tenho certeza
que um grande amor custa a morrer.


A ÚLTIMA PAIXÃO
Autoria - Silvana Duboc
21/02/2005


A última paixão me escorreu pelos dedos
e eu tive tanto medo
quando percebi que ela se foi
porque morri um pouco,
morreram aqueles meus dias lindos e loucos,
acabaram-se as alegrias e os sufocos.
Estranho como a paixão preenche espaços
que depois de vazios
causam um estranho cansaço
e um tremendo frio.
É o frio da alma que quer novamente incendiar
e percebe que só consegue congelar.
Minha última paixão morreu sem consentimento,
foi acalmando dentro do meu pensamento,
indo pra longe do meu coração
e me deixou agora nessa situação.
Só e amargurada,
à mercê de um silêncio
que não vale nada.


 

 

 

 

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  12.02.2007  

  

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