Formas
 Sérgio Campanha


Marquei estas páginas
para serem múltiplas
com corpos diferentes.

Estes poemas são livres
intempestivos e soltos
no ar e no meu íntimo.

A inspiração serviu-me,
mas aquém do despertar
da liberdade de escrever.

A rima bem coube-lhes,
mas dela não precisou
para dar-lhes uma vida.

De pronto e de pranto
aos poucos se enfeitou
em formas tão diversas.

De tanto assim,
tomei da forma
algumas formas:

versejei.



Versejando

Expelir-me em verbos?
Versejando aos ventos?
Doçura, loucura, intento.

Não te conheço. Eu não.
Nem a mim. E então?
Escrevo versos: alheio.

Explodir em chamas?
Sim, mas só por amor.
A poesia é um labor.

Porque quis partir?
Em si, se implodir?
Eu sei o teu verbo.


Versejar é eterno.


Do leitor não se falou

Escrever está em si:
É como água beber.
Não se precisa querer.
Escrever existe por si.

O produto do escrever é nulo
se a gaveta é como um escudo
e ao poeta o transforma mudo.

Escrever é a consciência.
Fala mansa da decência.

Escrever é fundamento, é ciência.
Uma arte, parte nobre da essência:

O TESTAMENTO DO POETA AO SEU LEITOR.





Salvação

O poder nas mãos do papel
o papel com o poder na mão.
Mãos afiadas que trabalham
e contam dinheiro de ladrão.

O poder nas vésperas de partir
da velha mãe _ a força do amor,
que no dia de morrer não vai sorrir;

e fontes antes inspiradas, tenras,
são lágrimas, mágoas, vidas tensas
tentando salvar-se em águas densas.



Pedaços

Versos em parte
que lembram partes
de outros versos.

Memórias, guardados,
pedaços separados
desejados em mim.

Apenas trechos
de canções inacabadas
em notas sem fim.

Vidro quebrado,
moído, estilhaçado.
Mosaico vazado.

Amores, poemas,
partículas perdidas,
palavras partidas.
 


Eu conjugo o amor

Os verbos existem
e assim afloram
em todos os nós
com o seu dizer.

Então se exploram
Tenazes gemidos,
em certos sentidos
Que vejo e conjugo:

“Eu amo
Tu choras,
Ele sonha.
Nós vivemos,
Vós negais,
Eles prezam”.

Mas...

“Se eu pudesse,
Se tu apoiasses,
Se ele aplaudisse,
Nós saberíamos,
Vós sentiríeis
E eles amariam”.

E se assim fosse,
Os verbos seriam,
Além de falantes
quais doces amantes.

Seria o verbo,
amor e não arte.
Seria a parte
maior de viver.



 

PRÓXIMO

os doze sonetos do livro
A ÁRVORE DA MINHA RUA que contem 3 prefácios e 3 epílogos.
A ÁRVORE DO AUGUSTO E
A MINHA Sérgio Campanha
Estes 12 sonetos são realmente, a alma do livro multifacetado.

 

 

 

 

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  13.10.2008  

  

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