AMO-TE LISBOA VIRADA AO TEJO
Rogério Martins Simões


Dizem que um dia alguém cantou…
Que por amores Lisboa se perdeu,
Por amores se perde quem lá voltou
Por amores se perde quem lá nasceu.

Dizem que um dia alguém contou…
Que uma moira cativa no Tejo desceu…
Por amor, Lisboa, a moira libertou,
De amores por Lisboa a moira morreu.

Juntaram-se os telhados enfeitiçados
Apertadinhos os dois e entrelaçados
Num fado castiço numa rua de Alfama

E o Tejo, que é velho, beija a Cidade…
Morre-se de amores em qualquer idade
Perde-se por Lisboa quem muito a ama!


Lisboa, 20 de Junho de 2006



Bendita Sejas mulher
Rogério Simões


Nos caminhos que trilhamos renascidos
Certamente já esquecemos a distância
Que prolongam os caminhos percorridos
Irás encontrar na minha ânsia
Estes trilhos marginais mas tão sofridos...

Não me fico por silêncios
Por isso, meu amor, eu te digo
Bendita sejas mulher
A eternidade é estar contigo
Bendita sejas por ser
A razão do meu viver!

Os ventos são adversos
Maior porta de abrigo, eu, não vi
Terá o céu no acaso
Tamanha luz no firmamento
Sem ti?

Repara no sentido dos meus versos
São cartas de amor que não escrevi…
Palavras adultas fora do prazo,
Construídas no encantamento,
Sem pressas, aqui!

Por isso, de novo, te digo
Bendita sejas mulher
A eternidade é estar contigo
Bendita o sejas por ser
A razão do meu viver.



POESIA! QUERO NAMORAR CONTIGO…


Nos tempos de diamante em bruto, quando
o horizonte era a eternidade, escrevia
poemas no universo estrelar.
Nesses tempos de que me lembro bastante,
por não recordar os poemas,
costumava versar as estrelas cadentes, e,
pendurado na ponta de um cometa,
atravessei galáxias onde registei os meus versos.
Certo dia reparei, porque o disseram,
que as estrelas cadentes eram, afinal,
restos de poeiras cósmicas.
– Mas eu não acreditei!
Sempre que avistava uma estrela cadente escrevia um poema.
Era como os devolvessem embrulhados em luz…
- Rogério que fizestes aos poemas?
-Os poemas maiores são todos aqueles que
se soltam das palavras e tão libertos
esvoaçam sem vento, sem tempo…
Talvez eu veja na poesia a forma mais
sublime de passar a barreira da
comédia das nossas vidas.
Prefiro as cerejas
penduradas nas orelhas.
Prefiro beijar a lua
e acordar numa gota de orvalho
manhã cedo de Outono.
Poesia!
És tão linda!
Quero tanto de namorar contigo.


Rogério Martins Simões
18-09-2006 22:49


O QUE O TEMPO TEM DE SOBRA
(Rogério Martins Simões)


O que o tempo tem de sobra
É o tempo que me dobra…
Dobra o tempo, faz-me velho
Quando revejo o espelho.

O tempo terá sempre tempo…
Se a tempo meu riso chegar
Pois… se deslizar desatento…
Talvez o possa encontrar.

Passo os dias à procura
(Meu tempo não vai durar)
Meu corpo é espiga madura
Só o tempo o irá vergar

Dobra o corpo no desalento
Semente do tempo e da idade
Já oiço o silvar do vento
Da eterna claridade...

E se o tempo não me acalma
Meu corpo nem sempre dura
O tempo não tem a minha alma
Para sempre no tempo perdura.

Pois se Deus criou o mundo
E ao sétimo dia descansou
Paro este diálogo profundo…
Para onde a alma me levou.

Tempo! Que tens de sobra?
- É o tempo que te dobra…
- Dobra tempo; quero voar!

Voa o tempo e me renova
A dor o riso e a prova…
Agora quero descansar.


Lisboa, Portugal

Biografia

POESIAS

 

 

 

l Página Inicial l Índice l Livro de Visitas l

 

Copyright © 2006,Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores.
Todos os direitos reservados.

Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  08.06.2009  

  

Você é o visitante número
 
Counter
 

Webdesigner:  Sonia Orsiolli
amalia006.mid