A MINHA DOR
Fernando Reis Costa


Tento ser forte para não lembrar
Desilusões sofridas nesta vida,
Dessa mágoa minha tão sentida,
Que procuro em versos disfarçar!

Daquele amor que tive, e que perdi
Dessa alma gémea que eu amava,
Amiga com quem tanto eu sonhava;
Momentos tão felizes que vivi!...

Tudo se foi enfim... Queria esquecer
Tamanho sentimento e não consigo.
- Se a vida é assim: há que aceitar

O que de bom ou mau tem p'ra nos dar!
Neste soneto eu tento disfarçar...
Mas, em silêncio, ficará comigo!...

Nandus - 1.09.2006


CLAUSURA

Vivo em clausura como um monge,
Olhando a tua imagem linda e sedutora,
Por tanta formosura!

Oásis no deserto, luz em noite escura!
Vivo para ti, amor, que és o meu mundo
- O mundo inteiro...
E a razão da minha vida!

Ó nobre sentimento e tão profundo,
Dum pobre coração feito mosteiro!...

Vivo em clausura como um monge,
Perdido na lonjura deste amor imenso
Espelhado na miragem do deserto!

Amor que mora em mim, no coração,
Com a recordação da tua imagem...
Que alimenta, enfim, essa miragem
Sabendo que estás longe...
E sentindo-te aqui tão perto!...



CRAVO VERMELHO
(a ti, Isabel!)

Aquele cravo vermelho, lindo, que regavas
Na varanda, que era o teu jardim,
Flor, como as demais, de que gostavas,
Pareceu aperceber-se do teu fim!

Esgotou em lágrimas a água que lhe davas;
Tanto chorou que ficou seco e caiu.
Sentiu que eras tu que lhe faltavas:
- A tal flor companheira que partiu!...

E as orquídeas, que tanto admiravas,
Não sentem o olhar como as olhavas:
De folhas tristes, esvoaçam com o vento.

Como o cravo vermelho, comovidas,
Pela tua falta, estão envelhecidas
Num gélido Inverno antes do tempo!...


Fernando Reis Costa - Setembro de 2002

DESABAFOS
(a ti, Isabel!)

Estes versos, se é que versos são!
Mas que escrevi para ti, com muito amor,
Foram ditados por um dilacerado coração
Que muito tem sofrido pela dor da tua dor!...

São "desabafos", como forma de dizer
Aquilo que me absorve o pensamento
Por te ver momento a momento,
Sofrendo e sofrendo, a mais sofrer!...

- Ó quão dolorosa forma de morrer
Num hospital onde a tua "cura" foi fatal:
- Foi um tormento!..


Fernando Reis Costa
Coimbra, 1 de Setembro de 2003

DESEJOS VÃOS

Eu queria ser o mar,
A água que corre pelo rio...
Eu queria ser o vento,
O quente, o frio,
Eu queria ser o pensamento,
A paz, a eternidade,
A luz do firmamento,
O eco da saudade...
Eu queria ser o conselheiro amigo,
Ser o último - não importa!
Ou o primeiro;
Eu queria ser a Paz
Do mundo inteiro!...
Eu queria ser tudo
E não ter nada!...
...Mas queria ser capaz
De mudar este mundo cego e mudo
Onde tantos nada têm
E outros têm tudo!...


O MEU SENTIR...

O que escrevo, é o que sinto.
Se os meus versos são tristeza
É porque mentir não minto;
Disso tenham a certeza!

Também tenho alegrias,
Não vão lá pensar que não!
Vai dos momentos, dos dias,
Depende da ocasião!...

Gosto de rir, de brincar,
E em geral bem-humorado...
Tudo tem o seu lugar:
Não sou um triste obcecado!

E até choro facilmente!
- Porque não devo chorar
Se algo de comovente
Eu sentir e me tocar?...

Não sou triste nem sisudo
Mas sou pessoa emotiva
Que se sente, sobretudo,
Com as desgraças da vida...

Sejam minhas ou d'alguém
(e até por defeito meu),
Não consigo ter desdém
D'alguém que sofre ou sofreu!

E tudo isto, afinal,
Quanto a "ser alegre ou triste"...
- Sou uma pessoa normal
Dentro do normal que existe!

Mas se toca à brincadeira,
Podem bem contar comigo:
Posso ser porta-bandeira;
-Têm aqui um amigo!

Fernando Reis Costa - Set.2006

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  20.05.2009  

  

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