RETRATO
Cecília Meireles

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?



RETRATO
Maria Thereza Neves

Ontem rugas não escorriam ,
assim visíveis,assim marcantes, assim tão assim
o sorriso esparramava pelo rosto
alegrando, alargando o olhar

A vida corria com pernas leves
as mãos-plumas não tremiam
o coração vibrava com qualquer emoção
ao por do sol ou com uma canção

O tempo tão apressado
tão sem tempo,tão sem retratos
que hoje meu espelho
espanta com este meu jeito tão sem jeito.

29/09/06



Relógio da Vida
Maria Thereza Neves

o dia sem remorso ou pena morre
indiferente ao outro que vai nascer

a semana dispara apressada
passando a vez a outra que vai surgir

o mês conta dia a dia
procurando sempre chegar ao fim

o ano se despede
fazendo festa ao novo que acorda-vibrando
em fogos e cascatas aos céus ...

e a vida vai se esgotando
desfiando fio a fio
minuto a minuto
gota a gota
sem saber para onde correr-ir
sem conseguir explicar
a razão do existir-morrer.

24/09/06


POEMA CEGO
Maria Thereza Neves

sem sentido
sem rumo
sem nexo
sem discutir destino
meu poema cego
entre retas tortas mudas
emoções perdidas
a procura de 1 eco
restos-cacos de vida ...

16/08/06


A GALOPE NA POESIA...
Maria Thereza Neves


Tento avançar no tempo
que corre apressado nas paisagens da vida
sem espaço para marcar passos
escolher universos ...

disparo letras corridas, escorridas na poesia
momentos, instantes que os olhos guardaram
a alma agarrou, navegou , amou.
Galopo o mais que posso
mesmo chorando, sofrendo, tropeçando
no embrião da vida , no tempo não paro, avanço.

Subidas e descidas , tantas conheço
e na vertigem do correr muitas vezes me canso
virando dias e noites
vivendo ,sentindo a vida
tentando tornar meu mundo bem grande
o dia de ontem, hoje um pouco maior
a procura do meu horizonte
do começo, do fim nas asas dos meus versos
ecos ainda vivos dos meus sentimentos.

****
JF/MG-22/09/06
Arte Tete
(Direitos Reservados)


Se eu morrer amanhã...
Maria Thereza Neves


Meu pequeno mundo levarei
sementes do que plantei, guardei
nos caminhos que trilhei
entre a terra e o céu
a chuva e o sol.


As poeiras que colhi das nuvens
o gosto da vida que bebi
no silêncio dos riscos das dores e cores
das folhas muitas vezes sem destino...


Levarei o sorriso que teci em cada amanhã
que foi além do corpo , além do amor
essências da minha alma
do tempo que muitas vezes me escapou
e eu não percebi.


Se eu morrer amanhã...
que o vento me arraste numa canção
em aquarelas floridas
neste adeus que não é da vida
mas da poesia
das letras-palavras perdidas
dos amigos que não estendi a mão...


JF/MG-27/09/06-17h

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  07.06.2009  

  

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