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TSUNAMI
Maria da Fonseca
Ó imenso mar, ó traidor,
Que poder o Pai te deu?!
Cantei-te com tanto amor,
Mas tudo em redor cedeu!
A terra toda alagaste,
Causando a desolação.
Demónio, tudo arrastaste,
Sem dó e sem compaixão.
Contra a própria Natureza
Tu investiste, maldito!
Já esqueci a beleza
Com que te tenho descrito.
Os poetas se extasiam,
Perante a tua lonjura.
Nossas gentes pressagiam
E choram a sua agrura.
Mas desta vez foi pior,
Ajudaste ao fim do mundo.
Diz-me qual a dor maior,
Sofrimento mais profundo,
Do que ver os seus morrer,
Sem lhes poder acudir?
Tudo a desaparecer,
E o mar a tudo engolir.
Não te quero rever mais.
Eras todo o meu enlevo.
Não me encantarás jamais.
Sobre ti, não mais escrevo.
Dezembro de 2004

CANÇÃO TRISTE
Maria da Fonseca
Depois da chuva, eu seguia
Apressada, saltitante.
Levava também receio
Da tempestade distante.
Porém, como por encanto,
Ergueu-se no espaço a voz
De uma estranha mulher,
Cantando pra todas nós.
Uma bela melodia
Soava no ar lavado.
Era apelo dolorido
Dum coração magoado.
" Dê-me trabalho, Senhora,
Que eu não quero roubar…
Tenha dó desta infeliz,
Preciso de trabalhar."
Dotada de dom sem preço,
Encheu de magia a praça,
Provando assim possuir
Algo mais do que a desgraça.
À procura de moeda,
Eu, no bolso remexi,
De muito menor valor
Que o momento que vivi.
Ao passar pela mulher,
Estendi-lha, envergonhada,
A magia da canção
A perder-se, perturbada…

A SAUDADE DO RICARDO
Maria da Fonseca
O meu Netinho aprecia
As rimas que lhe dedico.
Procura num livro e noutro.
Como orgulhosa eu fico!
Lindos olhos a fechar,
Deitado na sua cama,
Ainda me faz perguntas
E a vozita se lhe inflama.
-T'rei saudade no comboio?
Ajeito-lhe o cobertor,
-Agora tu tens saudade
De casa, do beija-flor,
Da escola, dos teus amigos,
Da D. Tânia também.
Ricardo, 'stás mais crescido,
Tens saudade do teu bem.
Quando a casa regressares
Terás saudade de nós,
Deste lar da tua Mãe,
Da casa dos teus Avós.

CONCERTO DE PRIMAVERA
Maria da Fonseca
Cantais assim vosso amor,
É a lei da Natureza.
Mas cantais também assim
O meu amor, que beleza!
Vivemos em sintonia
Na mágica Primavera.
Belo concerto de pios
À janela nos espera.
Aves das mais variadas,
No meu jardim, habitais!
Nomear-vos gostaria.
Os chegados são pardais.
Dos que cantam belas árias,
Distingo o melro brilhante,
O pintassilgo aprendiz
E a toutinegra elegante.
Os pombos arrulham baixo,
Enquanto alegres trinados
No evento sobressaem,
Corações apaixonados!
'Stou feliz por vos ouvir
Neste precioso dia.
Nosso Senhor a ofertar
Santa Paz, doce harmonia!

Biografia
POESIAS
PRIMAVERA
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