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Digo
Maria Petronilho
Aquém do meu ser total,
Que não sei dizê-lo todo,
Apenas
Sei e sinto
Que não sei dizer tudo,
Nem quanto.
É que há algo imerso
Dentro de quem sou
Que conheço e desconheço
Porque me transcende o entendimento.
Só sei dizer o imenso
Mais do que eu
Que me avassala,
Que não de todo se solta,
Que não vejo mas me inquieta,
Que é muito maior do que eu.
Como se eu fosse rede
E uma ave enorme
Dentro de mim se debatesse
E me rasgasse
Sem contudo conseguir soltar-se,
Para que um dia alguém me
Encontre!

DIGO
Maria Petronilho
A quien le doy mi ser total,
Que no sé decirlo todo,
Apenas
Sé y siento
Que no sé decirlo todo,
Ni cuánto.
Es que hay algo inmerso
Dentro de quien soy
Que conozco y desconozco
Porque trasciende mi razón.
Sólo se decir lo inmenso,
más que lo mío,
que me avasalla,
que no del todo se libera,
que no veo mas me inquieta,
que es mucho más grande que yo.
Como si fuese yo una red
y un ave enorme
Dentro de mí se debatiese
Y me rasgase
sin poder del todo soltarse,
para que un día alguien me
encuentre!
(Versión libre en español: Alberto
Peyrano)

A
felicidade das pequenas coisas
Que felicidade
Acordar e ver a cor do céu!
Tomar um banho com sabão
Beber um café fumegando
Abrir o trinco da porta
E sair em passeio
Levando um caderno e um livro.
Sentar na esplanada da praça
E ver as crianças brincando.
Dar migalhas aos pombos na palma da
mão
E ficar em sustida alegria sorrindo
Quando um pardal se afoita em
sentar-se à mesa.
Que felicidade
Olhar o céu e desenhar com os olhos
Paisagens de nuvens coloridas!
Ver os barcos que levam saudades
vagarosas
No azul do rio que se lança no abraço
do oceano
Que bom o aroma
Dos ramos das floristas mergulhados
nos baldes de zinco
Florindo as esquinas de arco-íris!
Convidando quem passa em solidário
aroma,
Que bom o pão fresco na padaria
Onde se derrete a manteiga!
Que delicia inigualável a do leite das
manhãs!
Entrar em casa, pisar o tapete
E ao rodar da chave a saudação
Dos pipilos dos pássaros contentes!
Escutar uma canção enquanto se inventa
o almoço
Escutar as notícias e saber de toda a
gente
Por vezes com lágrimas, por vezes com
sorrisos....
E abrir uma janela de magia
Aonde o mundo se reúne em diálogo
Num ponto de encontro chamado Amizade!

De Abraçar
os Sonhos
Maria Petronilho
Menina sonhadora
morrerás acreditando
que asas de anjos perpassam
altas horas, de mansinho
soprando os teus pesadelos
nas noites só solidão;
menina que te desintegras
em carinhos de ilusão;
menina de olhos vidrados
postos na imensidão;
menina porque é que caminhas
sempre no gume do abismo
entre o nada e a ingratidão?
Levas os braços abertos
mas fica tão alto o céu
quanto acerado é o chão!
22/3/2003

D'étendre
les rêveries
Maria Petronilho
Petite fille rêveuse
Tu mourras en croyant
Aux ales des anges qu'éraflent
Á l'aube, si doucement
Essoufflant tes cauchemars
Aux nuits abandonnés
Petite fille déchirée
En caressant des chimères
Petite Fille aux yeux blêmes
En regardant le lointain
Petite fille, pourquoi dévoileras
Toujours la coupe de l'abîme
Entre le niant et l'ingrat,
En ouvrant les bras infiniment,
Saisissant que le ciel est si loin
Quant le sol est mordant ?

Hei de
Cantar!
Quero que a canção
permaneça
em meu coração
em meu verso
em meu tormento
minha desolação.
Quero que a canção
não estanque
seja para sempre
artéria a brilhar
escarlate
até que meu ser se esgote
Hei-de cantar!
ai, vou cantar!
Digam que não posso
nem devo,
deixai-os dizer!
desobedecendo fui e irei!
Hei-de continuar
cantando!!!!
He de
Cantar!
Quiero que la canción
permanezca
en mi corazón,
en mi verso,
en mi tormento
y mi desolación.
Quiero que la canción
no se estanque,
que siempre sea
arteria con brillo
escarlata
hasta que se agote mi ser. .
He de cantar!
Ay, sí, voy a cantar!
Digan que no puedo
ni debo
dejarlos decir!
Desobedeciendo fui e iré!
He de continuar
cantando!!!!
Autora: Maria Petronilho
Versão em espanhol: Alberto Peyrano

Enfim
Poeta e Mulher
Maria Petronilho
Espero merecer morrer
num dia de intenso sol
sem ninguém se aperceber
que a minha alma se vai
presa num dos tantos raios
que ligam a terra e o céu
e que alfim me guiarão
para um espaço além dor
para um lugar só de amor
onde poderei ousar
ser poeta e mulher
sem ninguém me estranhar
num lugar onde não cabem
arrogância e poder
ao resto de mim que ficar
não importa o acontecer
não será meu sequer
será resto a fecundar
o chão donde há-de nascer
nova vida a luzir
o eu que sou há-de estar
num cosmos a acordar
sem ninguém me censurar
o ser poeta e mulher!
Lisboa, 27/1/2004

Al Fin
Poeta y Mujer
Versão em espanhol: Alberto Peyrano
Espero merecer morir
un día de intenso sol
sin que nadie se dé cuenta
que mi alma ya se va
abrazada de algún rayo
que liga la tierra al cielo
y que al final me guiará
muy distante del dolor
hacia el reino del amor
donde al fin me atreveré
a ser poeta y mujer
sin que ninguno me extrañe
un lugar donde no caben
ni arrogancia ni poder
y a lo que de mí va a quedar
no importa lo que suceda
pues eso no seré yo
será un resto que fecunda
el suelo para dar más
nueva vida y nueva luz
lo que yo soy ha de estar
en el cosmos despertando
sin que nadie me censure
si soy poeta y mujer!
Lisboa, 27/1/2004

Transcendência
Passo de coração nu
pelos roseirais da vida
inebriada de amor
nas cores e fragrâncias
espinhos aguilhoam
caio na sombra
chorando
indago a razão do meu Fado
olhando do chão o alto
novas forças recupero
pois irrompe do Infindo
a transcendência divina
que supera dor e medo
almejo atingir estrelas
sou apenas a poeira
animada de uma força
poderosa, que me incita
excedendo
a frágil presença
que me guarda
que me aleija
17/9/2006

Biografia
POESIAS
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