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E
P I T Á F I O
L i n o V i t t i
(Da Academia Piracicabana de Letras
Aqui jaz o poeta Lino Vitti,
nada mais que poeta foi na vida.
Viveu dentre o doméstico limite,
amou demais a terra estremecida.
Sonhou o quanto pôde e a toda brida,
jamais se perfilou com quem se omite.
Deixou prole exemplar, feliz, querida,
e o conselho sensato: o mal evite.
Legou à sua terra, em livros vários
rimas e versos de emoção e brilhos
cheios de sentimentos milionários.
É aqui que se inicia a eternidade...
E o velho deixa à esposa e aos sete
filhos
a herança imorredoura da Saudade.

EPOPÉIA
(O "Jornal de Piracicaba", a 4 de
agosto completou
100 anos de existência. É uma
epopéia.)
Lino Vitti
Um século de vida, um século de
glória,
um século de luz iluminando a
História,
traçando a mais sublime e ingente
trajetória,
em busca de um futuro indômito e
imortal!
Passo a passo, enfrentando as pedras
do caminho,
removendo da luta o duro torvelinho,
muitas vezes cansado, outras tantas
sozinho,
faz cem anos o seu, o meu, nosso
"Jornal".
Quanta fé, quanto amor, quanta
esperança,
quantos sonhos, ideais, dúvidas e
confiança,
cercaram o nascer deste jornal -
criança -
no dia em que encetou a marcha para a
luz!
Quem pode desvendar do tempo os longos
anos,
adivinhar da vida os passos soberanos,
entrever do amanhã os ocultos arcanos,
a que mistério astral o mundo nos
conduz?
À frente, uma seara extensa e
dadivosa,
atraentes jardins de lírios e de
rosas,
um povo laborioso, uma cidade ansiosa,
aguardando esse prêmio, inédito e sem
par.
Sem dúvida o mais belo e lídimo
presente
que idealistas um dia - alma nobre
fremente -
legaram um jornal do porte altivo à
gente
que cem anos depois ainda o sabe amar.
Longos dias de insano e árduo
trabalho,
longas noites batendo o martelo no
malho,
cem anos caminhando esse divino atalho
aberto pela luz do ínclito Gutemberg!
Que o digam o valor e a força que
trouxeram
todos os que até nós labutando vieram
que de um sonho feliz realidade
fizeram,
- bandeira secular que ainda nos céus
se ergue!
Cem anos! É uma idade altiva, grata,
imensa!
Um altar que reluz! Piracicaba
incensa,
canta missa eternal dessa eternal
imprensa,
sob as palmas de um povo augusto que a
acolheu!
Centenário "Jornal" desta "Piracicaba"
sobre o qual, divinal bênção de Deus
desaba,
de que o poeta diz: "glória que não se
acaba",
que dessa glória fez também o ninho
seu.
Os versos deste poema, ó meu "Jornal",
eu rimo,
minha estrofe senil burilo, escrevo e
limo,
para dizer o quanto, ó meu "Jornal" o
estimo,
nesta mensagem pobre e quiçá sem
valor.
Não importa porém que o poema nada
diga,
vale, sim, quanto diz toda essa gente
amiga,
que há cem anos o segue, e quer que
inda prossiga,
nessa marcha de fé, de esperança e de
amor.
E antes de descansar a pena com que
teço
a manifestação do meu total apreço
dirigí-la a especial e alto endereço
me é dever o lembrar com carinhos
astrais.
É daqueles que, enquanto os outros
dormem calmos,
velam à noite toda entoando longos
salmos
- como se fora o tempo a medir com os
palmos -
do trabalho noturno em horas
integrais!
Anônimos heróis, de cujas mãos divinas
afeitas ao labor das últimas rotinas,
sai o verniz final das santas oficinas
para o olhar do leitor que o tem ao
vir do sol.
E ao calor e ao luzir do dia que
desperta,
entregam para o povo a sacrossanta
oferta
da edição de um jornal, preciosa,
íntegra e certa,
cujas páginas têm o rumo de um farol.
Bandeirante da imprensa em busca do
Eldorado
do saber, do informar, escrínio do
passado
arquivando da História o tesouro
dourado,
a verdade, o valor; da justiça, os
quinhões.
E ao piracicabano, amigo e companheiro
oferecendo as mãos num gesto
prazenteiro,
no excelso caminhar, por seu feliz
roteiro,
num só congraçamento ideal de
corações.

SER POETA
Lino Vitti - Da Academia Piracicabana
de
de Letras
Abraçar, com amor, os mistérios da
vida,
beber da cornucópia azul que é o
infinito,
as belezas astrais soando como um
grito -
é fagulha - uma só - da poesia
querida.
Sondar os corações, ler de alma
entristecida
o livro da ilusão; do amor, o grande
atrito;
ver a felicidade a fugir - sonho
aflito -
em desumana, atroz, insólita corrida.
Sentir a imensa dor da pétala que
morre,
a lágrima infeliz que nas faces
escorre,
um pipilo que encanta os brilhos
matinais...
Ser poeta! Sorrir para a tristeza e o
luto,
supondo que sofrer é delicioso fruto,
uma oferta do céu a todos os mortais.

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