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Débitos
Humberto Rodrigues Neto
Quando o sol deita nos lençóis do
ocaso
e estende a noite sobre os meus
martírios,
eu vejo impressos, nesses céus
empíreos,
meus ais sem termo, sem final, sem
prazo...
Netuno... Júpiter... Antares... Sírius...
que mundos habitei no astral Parnaso?
Se à noite os fito, em dúvidas me
arraso
se ali estão astros, ou mortiços
círios...
E em tais extremos, chego a
concebê-los
quais níveas plagas de gloriosa palma,
ou negros antros de atros pesadelos!
Que eu entenda, Senhor, com tino e
calma,
que os males que branqueiam meus
cabelos
são crimes de milênios dentro d’alma!

Almas
Humberto Rodrigues Neto
Ah... quão estranha faz-se a alma
humana
nos multifários prismas que apresenta:
se em fúria muitas vezes se arrebenta,
em outras, quanto bem de si promana !
Por mais que se a interrogue e mais se
a estude,
traz de ancestres passados cada
indício:
no mesmo afã com que disfarça um
vício,
realçar procura, sempre, uma virtude.
Quantas delas no amor andam imersas!
Quantas outras ruminam maus instintos!
Provêm do mesmo Deus, mas quão
distintos
são os fluidos que as concebem tão
diversas!
Pois foi assim que o mesmo eflúvio
prisco
- no ver do autor destas modestas odes
–
plasmou de ira o coração de Herodes,
e o plasmou de bondade em São
Francisco!

Filhos
Humberto Rodrigues Neto
Eu sei quanto preservas, Efigênia
da tua prole os mais divinos brilhos,
mas neste espaço eu só te peço vênia
para falar-te um pouco sobre os
filhos.
Das atitudes todas de tua lavra,
bem mais que de conselhos faze
templos:
menos faz por teu filho a tua palavra
que o facho luminar dos teus exemplos!
Não devemos ver num filho o campeão
da escola, e o nota dez de cada lista:
torná-lo um homem deve a educação,
e nunca fazer dele um especialista!
Ama extremada mesmo um filho inglório,
que às vezes faz tua vida um quase
inferno,
pois se é de ti um filho provisório,
ele é de Deus aquele filho eterno!

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Biografia
Poesias
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