Amigo de Velhos Tempos
José Guerreiro

Eu quando era muito novo,
Tive um amigo na vida.
E seguiu-me pela vida fora
Que ainda hoje me acompanha.
Viveu comigo no povo,
Eu nunca o mandei embora,
Porque dele eu precisava!
Vivemos muita aventura,
E às vezes a desventura,
Que sobre mim, e ele pairava.
Contudo sempre me acompanhava
Seguindo por onde eu ia,
Quer houvesse calor ou frio,
Era meu Ego! - O Vadio!

Eu às vezes lhe dizia:
Tu deixa-me e vai-te embora,
Porque aqui já fazes pouco.
Este meu amigo antigo
Fazia orelhas de mouco.
E, me acompanhava no perigo,
Que me deixava quase louco.!!!
Mas. - Se acaso ele ìa embora,
O chamava sem demora.
Para preencher o vazio!
Era o meu Ego! O Vadio!!!.

Às vezes de brincadeira
Levavamos tudo a esmo.
E era por isso mesmo,
Que se vazava a carteira!
Mas gente naquela idade,
Onde ainda a mocidade,
Que nesta vida se enquadra,
Vivendo; sem responsabilidade,
E que não se pensa em nada.

Aí tinhamos a reposta,
Dessa carteira vazia.
Esperava-se outro dia
Já se encontrava composta.
Para o fim de semana ser passado
Lá iamos ouvir o fado,
Nos locais onde se canta,
Aí se compunha o fio
Eu e o meu Ego! - O vadio!

De Setúbal a Alcochete,
Onde havia coisa boa,
E quando nos dava geito
Seguiamos para Lisboa.
Nestas andanças do fado,
Andavámos sempre na berra,
Lá iamos para qualquer lado
Às vezes para Salvaterra.
Corriamos toda a provincia,
Isto sem ser por malícia,
Na graça do fado antigo.
Vivia-se a nossa farra
Ouvindo tocar a guitarra,
Quando acompanhava o fado
Bem cantado, ou mal cantado,
Eu e este meu amigo,
Nos safava-mos do perigo,
Às vezes só por um fio!!!
Eu e o meu Ego! O Vadio!.



O que faz pensar a gente
José Guerreiro

A desavença; é a descrença.
Amargura da desventura.
Onde existe a diferença!
De animal, para criatura.

Perdão, e compreensão,
O que nem sempre é igual,
Compreensão, ver a razão,
Mas não é tudo afinal.

Creio até já pouco faz,
Ter, compreensão, ou dar perdão.
Em mim já nada é capaz
De mudar-me a opinião.

E em desespero fico absorto
Que por vezes, me faz pensar.
Quem de ilusão já está morto.
Já nada o pode matar.

E para matar um coração,
Como na árvore o derrame.
Basta não ter compaixão,
E dizer!... Já não te amo.

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  02.06.2009  

  

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