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AMO-TE, AMO-TE!
José Geraldo Martinez
Farta-te de mim!
Sou todo oratório,
onde dobras teu joelho.
Em meu altar , sou ofertório...
Se quiseres beber de mim ,
dou-te farta a alma .
Comunga teus desejos!
Dou-te o calor dos meus braços,
dou-te quentes os beijos ...
Desnuda-me inteiro !
Há de ver-me crucificado em meu
próprio
coração,
por este amor quase insano ,
à beira de uma quase escravidão .
Beba de meu gozo .
Farta-te,
como se fora teu vinho e teu pão !
Debruça-me em tua mesa,
faze-me tua refeição .
Prova-me!
Arranca-me os gemidos como se
fossem preces,
fazendo ecos que se perdem distantes,
na imensidão da noite celeste !
Sou a massa que tu mordes , tentada
...
O fruto proibido que te acena !
Toca com tua língua meu umbigo,
meu ventre ...
Cumpres teu papel de Madalena !
O vinho que te escorre à boca ,
convida-me a sonhos viajores...
Aquele que jogas em mim, amparas
com teus lábios pecadores...
Nesse momento, todos os princípios,
profano !
Entrego-me a todos os pecados .
Certo ou errado ?
Amo-te, amo-te, amo-te!
"BENDITA"
José Geraldo Martinez
Oh, Deus!
Bendita as mulheres!
Com seios que amamentam,
as mãos que acalentam...
Que balançam o filho,
enternecem o brilho
do fervilhar da vida!
Oh, Deus! Bendita as mulheres
que recebem homens e deles,
suas asperezas!
Que lapidam a pedra bruta com
leveza...
Que amam de verdade!
Bendita as mulheres
que afagam qualquer dor,
que distribuem ternura,
que multiplicam o amor...
Mulheres, benditas!
De tantos lares, além mares...
Que debruçam contritas
na prece, na fé.
Que colocam os homens de pé,
o guerreiro abatido!
Oh, Deus!
Benditas mulheres,
bem-digo!
Amantes, namoradas...
Errantes e casadas!
Bálsamo dos nossos desencontros,
mirante dos nossos pontos
de chegada!
Bendita as mulheres da nossa vida...
Mães e filhas,
todas, enfim!
Que nos pariram, macho...
Amando-as, assim!
Que enfeitam nossas vidas,
com seus ombros de guarida...
Mulheres fortes,
do sul e norte,
centro este...
Urbanas e agrestes!
Bendita, bendita...
De todas as cores e raças,
peso e altura!
Oh, Deus!
Mulher só tem formosura,
candura, doçura!
Bendita as mulheres,
todas, enfim...
Que nos fizeram machos,
amando-as, assim!
A LUZ QUE SE APAGOU !
José Geraldo Martinez
No dia que um poeta morre ,
leva consigo um pouco da noite ...
Mensageiro de muitos versos
aos corações de quantos se debruçaram
em seus escritos !
Buscando aquele que entregaria a sua
amada...
O poema mais forte , tocante e mais
bonito !
No dia que um poeta morre ...
leva consigo não apenas seus poemas !
Leva a voz do povo e seu cotidiano ...
Um pouco das madrugadas boêmias .
Leva mais ainda ...
Um tanto das serenatas ,
dos sonhos banhados pelo sereno em
pranto,
um pouco do verde das matas ,
do mar azul que beija as areias
brancas , um pouco do encanto!
No dia que um poeta morre ,
parece levar consigo uma nota de
qualquer melodia,
um pouco do sol no amanhecer do dia...
O vento cessa por sobre os prados ,
as aves se enlutam nos banhados...
Cala triste a cotovia !
No dia que um poeta morre...
Imagino chorar o ébrio ,
até um cão vagabundo !
Um andarilho de rua ,
o próprio morimbundo
seu tédio !
As ruas estarão mais tristes ,
os jardins com pouca vida !
A lua não há de vestir-se de cetim,
estará por certo escondida ...
No dia que um poeta morre,
morre um pouco a vida em seus
versos perdidos,
para ressurgir posteriore,
eterno em qualquer livro.
" O importante não é como se morre e
sim como
se viveu "
( A.D )
" poema dedicado ao amigo e poeta
Nilson Matos"
LêAH, EU ERA ASSIM...
José Geraldo Martinez
Ah, eu era assim sonhador!
Eu tinha uma alegria sem fim ...
Planos tantos no coração,
as grandes asas de um condor!
Eu tinha os pés descalços...
As bochechas pelo sol queimadas!
As mãos que colhiam flores pelas
encostas das estradas ...
Ah, eu era assim sonhador,
quando no céu soltava minha pipa...
No azul anil eu via ursinhos e
a noite alta vestida de chita!
Eu brincava de bolinha de gude,
gargalhava no esconde-esconde...
Minhas brincadeiras de criança.
Na amarelinha eu via meu amor,
a pular nos dias da minha infância!
Ah, eu era assim sonhador,
quando levantava a peneira no rio,
trazendo peixinhos de toda cor.
Imaginava vencer um dia os mares
bravios!
Da minha rua eu era o dono...
Escalava todo seu arvoredo!
Fazia de suas sombras o meu trono,
aos pequeninos que eu via,
meus príncipes herdeiros...
Ah, eu era assim sonhador,
quando via o sorriso da minha mãe nos
tempos de então...
Queria dar-lhe o mundo todo,
na palma da minha minúscula mão!
Morar numa ilha solitária, no mar
azul,
com todos meus amigos e irmãos...
Seguir no rabo do vento sul,
serpenteando entre as constelações!
Ah, eu era assim sonhador!
Até quem um dia, sem ver, eu cresci
...
Num amanhecer do futuro eu me
descobri,
no barulho estridente do despertador!

BIOGRAFIA
POESIAS
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