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AI
MEU AVÔ, MEU AVÔ
Maria José Fraqueza
Ai, meu avô, meu avô
Meu humilde pescador
A ti eu devo o que sou
Por isso te tenho amor.
Ai, meu avô, meu avô
Valente homem do mar
Porque a vida te levou
Ando nele a navegar...
Ai, meu avô, meu avô
Navego no mar da vida
Porque o tempo já passou
Mais uma maré vencida!
Ai, meu avô, meu avô
O que por mim tu fizeste
Tudo que ele me ensinou
Fez-me ver a onda agreste
Ai, meu avô, meu avô
Que me ensinaste a remar
Nunca foi um "bibelôt"
Aprendi a trabalhar!
Ai, meu avô, meu avô
Se hoje nada mais temo
Meu barco não naufragou
Que fiz da lança o meu remo!
Ai, meu avô, meu avô...
O que me resta a Saudade!
Se é pouco o que te dou
É grande a minha amizade!
Ai, meu avô, meu avô
Quimera, doce quimera
Quando levantar meu vôo
Nasce em mim a primavera!
Os meus sonhos de criança
Da vida que já passou...
Renascem marés de esperança
Ai, meu avô, meu avô!

SORRISO É LUAR
Maria José Fraqueza
O sorriso é aurora boreal…
Que ilumina o rosto por inteiro,
Ressalta do amor puro, maternal
Que revela amor puro verdadeiro!
O sorriso é um dom excepcional
Alívio duma dor, mal passageiro…
Porque toda a desgraça tem final
Fazendo dum sorriso o seu luzeiro!
Escondendo uma dor que traz ao peito
Que todo nosso mal seja desfeito
No mais belo sorriso, encantador…
Sorrir à vida, embora seja dura…
E num sorriso aberto, de alma pura
Destilar suas mágoas em Amor!

MEU PAÍS DE MAR
Maria José Fraqueza
Quando o mar... mais docemente
Vem beijar-te com doçura...
Minha terra, algo se sente
Nesse mar que te emoldura!
Quando o mar... para meu encanto
Te borda de branca espuma
Dá-te de Rainha, o manto
Como tu não há nenhuma!
Quando mar... canta embalado
A canção do Pescador
Meu paraíso encantado
Faz de mim um Trovador!
Quando o mar... alegre, soa...
E os barcos entram na lota
Linda moldura... a canoa
Com beijos duma gaivota!
Quando o mar... canta para mim
Fico no sonho embalada
Até parece, que enfim...
Sou a Sereia Encantada!

O SAL DA MINHA VIDA
Maria José Fraqueza
Nasci no mar, do mar sou e p'ró mar
vou...
Ao mar eu dou minha página de Poesia
É pouco... muito pouco, o que te
dou...
Mas o que tu me dás... é maresia!
Ah! Quantas marés navego sem um guia,
No oceano de marés da minha pobre
grei?
Tirei do mar da vida, quanto podia...
Sofrendo por tudo aquilo que te dei!
Muitas ondas me bateram, ferozmente
Muitas vagas me beijaram com furor
A tudo resisti, heroicamente...
No oceano azul da minha dor!
No mar sou a sereia que palpita,
Na ânsia deste querer que se avoluma
Eu sou gaivota branca que se agita...
Um manto de pureza, de branca espuma!
Eu sou a Mãe que rompe águas e grita
E pelo filho heroicamente se bateu...
Porque o amor é uma graça infinita
Que no mar da vida nunca se perdeu!
Sou barco à deriva, em vasto horizonte
Agitam-se as àguas, soluça a
maresia...
No sal das marés, procurando a
fonte...
Vou salgando a minha vida dia-a-dia!

QUEM…
Maria José Fraqueza
Quem foi a sereia que a onda teceu?
Quem fez esse mar em rotatividade?
Quem foi o artista que pintou o Céu?
Quem foi que me deu esta actividade?
Quem inventou os poemas que invento?
Quem foi o autor que fez a melodia?
Quem é que escreve nas folhas do
vento?
Quem é que nas ondas escreve poesia?
Quem é que faz calar a voz do vento?
Quem é que vai carpindo esta agonia?
Quem nas ondas escreve o tormento?
Quem vence este mar, esta maresia?
Quem é que deu luz, ao meu pensamento?
Quem é que descreve esta solidão?
Quem eleva a voz no seu sofrimento?
Que mágoa é esta, a do meu coração?
Que murmúrio é este que me embriaga,
Que descreve a órbita de meus
universos?
Que calor é este, que me aquece e
afaga...
Será o amor que tenho aos meus versos?
Abraçada aos meus sonhos, tão
dispersos...
Na muda linguagem, não vejo quem...
Quem desfaz de ti... sei que são
perversos
Sendo como és... Não vejo Ninguém!
Maria José Fraqueza
PORTUGAL

Biografia
POESIAS
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