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BRASIL
João Justiniano da Fonseca
Primeiro, treze veleiros
correndo as águas ligeiros
nuns longes dias de abril.
E muita gente selvagem,
de alta bravura e coragem
nesse distante Brasil.
Feito a machado e ancinho,
veio em seguida o caminho
de andar a pé e a cavalo.
A procura da esmeralda,
nas serras de falda em falda
quando o relógio era o galo.
Plantou-se a cana depois,
chegando o carro de bois
fez-se a estrada carroçável.
No Brasil de antigamente,
andava-se lentamente
por onde fosse viável.
A pátria os campos alcança,
cria, planta, não descansa
no tratodo bem geral.
O boi, a ovelha, o café,
o cacau e a chaminé
do velho engenho ancestral.
O trem de ferro apitou,
aí o Brasil caminhou
lançando fogo e fumaça.
- Acorda cedo, sertão!
E sai de enxada na mão
mostrando a força da raça.
Chega o automóvel, e agora,
a gente não se demora,
alcança a larga campina.
A estrada vai-se alargando,
o fordeco caminhando
e queimando gasolina.
A partir da velha estrada
de barro, aperfeiçoada,
anda correndo o Brasil.
O asfalto vem logo mais
e a renda dos cafezais
deixa longe aquele abril
Explode o petróleo, então,
freme de orgulho a nação
nas sondas da Petrobrás.
E vem a energia elétrica,
somando força energética
nos fios da Eletrobrás.
A industria se multiplica,
não sei bem como se explica,
alcança já o Nordeste.
Pena é que há gente com fome,
sem saúde, escola e nome,
Norte a Sul, Leste a Oeste.
Gente sem casa e agasalhado,
Sem luz, sem terra e traalho...
Vida de cão sem valia.
E gente que se aproveita
do Poder, furta e se deita
no luxo da mordomia
A cultura acumulada,
põe o Brasil na arrancada
da era tecnológica.
E vai-se andando de pulo,
sem deixar de ouvir-se o arrulo
da poesia fonológica.
Dos pagos frios do pinho,
o asfalto segue caminho
para a distância da Hiléia.
Nas terras da sumaúma,
rompendo a flora se arruma
no chão, e é brilho e epopéia.
Largo, robusto, pesado,
baqueia o tronco ao machado,
vai a floresta cedendo.
O índio assustado espia,
o uirapuru canta e pia
e a pista segue crescendo.
Ao longo da pista, os rios
se cobrem de negros fios
de concreto - são as pontes.
Mais asfalto! Mais asfalto!
Desliza a estrada de salto,
pulando baixas e montes.
Faz-se a história do progresso
quando o moço toma ingresso
na aventura do sertão.
Como novos bandeirantes,
vinde moços aos mirantes
desse colosso Nortão.
Mas, por Deus, ns derrubadas
terríveis, largas queimadas,
não destruí a floresta.
É com amor que se utiliza
- a floresta, ela precisa
salvar-se no que lhe resta.
Procurai viver no apoio
da natureza. O arroio,
a planta e o animal protegem
nossa terra, e esta oferece
o trabalho que enriquece,
e cria, e eleva a imagem...
* * *
Eis meu país gigantesco,
forjado no parentesco
índio-congo-português.
Não se duvide da raça,
ninguém a nós ultrapassa
brio, nobreza, altivez.
Não há povo em toda parte,
de saber, engenho e arte
que chegue além dos Camões.
Vamos criando ciência,
cultivando inteligência
para emprestar às nações.
Bênção eterna, divina,
a alma do luso ensina,
vibra a do congo, por Deus!
A força nativa canta,
e este povo se levanta
para destinos mais seus...
Há de chegar o momento
em que a força do talento
rompa tabus e milênios.
Então os povos dirão
contemplando esta nação:
- 'Deus, este é o país do gênios'.
Quando esta hora soar,
Deus também há de falar
no brilho dos arrebóis:
- 'Já não se fala de esmola,
é o resultado da escola,
gênios, criada por vós.
Este é o país da nobreza,
dos sucessos, da grandeza,
arquitetura de heróis.
No concerto, entre as nações,
buscam-se as luzes, razões
que irradiem destes sóis.
Gênios e heróis do passado
sussurram - 'Muito obrigado
Deus, criou-se um grande povo.
Cumprimos nosso dever
fazendo a pátria crescer,
mesclado o sangue em renovo.
Responde a pátria num hino
cantado ao gênio do ensino
e ao herói do seu progresso.
Hosanas! - repete o povo -
ao passado, ao sangue novo.
Vivemos hoje o sucesso!
Última voz - os poetas,
deuses do sonho, profetas
de ontem, de hoje, do Abril:
- 'Este é o país que sonhamos,
e sonhando trabalhamos.
Avante! Avante Brasil!

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