Fahed Daher
Volteios -r-


O coração batendo apressadamente,
o sangue aos borbotões pressiona-lhe a cabeça
um delírio de anseios, arquejos...
Agita-se o corpo.
nada interfere na alucinação,
na excitação eréctil.
Vem pelo ar a sinfonia louca
de beijos orquestrados de uma boca
entre luzes lúbricas de espasmos...
La fora marasmos ...
Dentro a fornalha incandescente
espera e busca sofregamente
o momento da glória suprema...
Fundir e confundir as peles.
O aroma de cio
provoca arrepio
na masculinidade
a ansiedade se espalha
O arvoredo farfalha,
a flor se funde,
confunde
na reprodução.
No ar há um perfume sensual
de flor e de animal.
Há em tudo um tremor erótico,
neurótico,
teso guerreiro
lança de combate
aguardando a hora suprema do embate...
Os olhos entre abertos e cerrados,
os pelos eriçados,
querem o toque da mão, dos dedos longos e finos...
Mãos, dedos, deslizando no corpo
Encontrando fúria ardente.
Línguas e dentes,
mordidas e afagos,
Levitação.
As emoções da mulher predilela
delirando nos seus braços...
Ele a chama inteira,
na chama sem labaredas
para ser, beijada, espremida, possuída .
Dança um fantasma num bailado lúbrico...


É madrugada
e ela requebra em cada
batida do coração,
acelerado.
Algo dentro da carne grita ,
Ele espera,
Cada minuto uma era.
Por fim, dentro da madrugada
na porta ela aparece,
o sangue mais aquece,
ela sedenta despe,
sua nudez se revela
à tênue luz da vela...
Contornos e curvas,
visões turvas,
os espasmos, os orgasmos
esgotam a adrenalina;
Já é hora matutina,
dentro da madrugada.
a imagem do sol traz a paz.
As mãos percorrem os corpos suados,
num cheiro misturado
de sexo, flor e amor...
Sem pecado

Fahed Daher - “SOBRAME”
Do livro (Pureza- Pecado- Poesia )
1.980 faheddaher@uol.com.br


Loucura.



Porque te amar, se o amor é proibido?...
E o fogo que arde em mim é consumido
Pelo dever de calar.

Busco num beijo o prêmio do consolo
E sinto, a cada beijo, que sou tolo
Ao me permitir sonhar.

A cada vez que vais do meu convívio
Eu te confesso a angústia de um alívio
Do amor que eu amo sem nenhum direito.

Mas mesmo assim eu quero ser o amante,
No prazer e na angústia, a cada instante
Do olhar, do afago, , do apertar do peito.

Não sei porque nos deu a natureza
O Dom de procurar, sempre, a beleza
E por no belo amor, no amor ternura.

Se há crime no que eu faço e no que eu digo,
Castiga-me, mas sofre aqui comigo,
Cala-me a boca em beijos de loucura.


Fahed Daher= Pres. Da Academia de Letras,
Artes e Ciências Centro - Norte do Paraná.
Centro de Letras do Paraná (Curitiba)
SOBRAMES .

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  20.05.2009  

  

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