Minhas saudades

Hoje eu queria falar
das minhas saudades
Sou vaidosa delas...
Não tenho saudades amargas
Somente algumas tristes,
Mas abrandadas no passar do tempo...
Minhas tristezas são amigas
Como silêncios de despedida,
Passageiras como mágoas de criança.

Minhas mais gratas saudades
Moram em músicas antigas
Chegam com cheiro de infância,
Colo do meu pai,
Manga chupada no pé,
Terra molhada,
Pão caseiro da minha mãe...

Mas os sons da meninice
Ecoam bem mais fundo
E cada cantiga me traz
Uma vez querida de coisas que eram,
Pessoas que foram
E tudo que estava naquilo que fui!

Edna Feitosa

Ponto de partida

Juntei os versos, as rimas
e pincéis diversos, todas as cores,
algumas telas em branco,
os cds regirando amores,
uns livros secretos ,
umas fitas,
alguns sonhos quietos,
a pantufa, a trufa,
a mais ousada fantasia,
o pôr -de -sol, com matiz,
um vasinho de violeta,
algumas cores de giz,
um ideal,
um luar prateado,
uma lousa pequena,
um riso folgado,
endereços dos amigos,
um coração desarmado,
máquina fotográfica,
a escova de dentes,
caneta esferográfica,
um pouco de saudade,
umas roupas folgadas,,
algumas lembranças sãs,
uma dose de ilusão
inofensivas esperanças vãs
e o que resta de inspiração..
arrumei tudo na mochila
e parti pra vida,
com passagem só de ida!

Edna Feitosa


PLENITUDE

Marque encontro comigo
Na paisagem mais bonita
Apenas hoje seja pontual
Para adentrar meus sonhos
Se arrume
Com o melhor traje
Na simplicidade exata
Das pessoas elegantes
Não use perfume
Preciso do seu cheiro
(Sua voz, seu texto, eu já conheço)
Preciso da sua pele
Do seu toque
Como a lua precisa da noite
Para fingir-se estrela
Chegue assim brilhando
Com o sol das manhãs
E só se despeça
Com o pôr-do-sol.
Preciso juntar os pedaços de você
Para que eu possa entender
Se como adolescente amo um sonho
Ou se como mulher amo um homem

Edna Feitosa


Momento meu

Penso pouco em mim mas hoje pensei...
Pensei em minha vaidade tão ausente,
Embora admita justa feminilidade.
Pensei na mulher simples
Mas não me vi simplória ou comum.

Descobri que, apesar de algumas dores,
Não transfiro mágoas
Nem ressentimentos.
E que, mesmo frágil às vezes,
Quando necessário
Me sinto guerreira.

Ave aprendendo os primeiros vôos
Rumo aos antigos sonhos.
Singeleza quase agreste, meio catita,
Assimilando inusitada
Malícia diante de águias.

Pensei, e pensando descobri,
Que sou artista de minha luta,
Artesã do meu destino,
Desenhista dos meus projetos de vida,
Poetisa de minhas lembranças.

Pensei e silenciei respeitosamente...
Senti um misto de angústia e ternura
E, num impulso de fé, orei por mim.

Edna Feitosa


ECO MUDO

Ah, como quero merecer as palavras
que me dizes com brandura de brisa,
com doçuras de beijos tão sonhados.

Na mesma brisa, te devolvo as carícias,
qual eco mudo de amor nos teus cabelos,
retribuindo gestos, redizendo juras,
cheirando a jasmim, flor da gratidão!

Amo ardentemente as fantasias
que me trazem o teu terno afago
e sou orgulhosa de ti, homem amado,
dono da saudade que agora quase passa...

Edna Feitosa

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  19.05.2009  

  

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