Pertence

- a cadeira n.º 14 - da Academia Paranaense da Poesia, cuja patrona é Julia da Costa;
- a cadeira n.º 13 - da Academia Feminina de Letras do Paraná, cuja patrona é
Ada Maccagi.;
e que pretenço a:
- Academia Virtual Brasileira de Letras, cuja patrona é Paula de Andrade de Moraes;
- União Brasileira de Escritores de Nova Iorque.

PRIMAVERA
 
Prima pela beleza da natureza,
Vera no canto de acalanto.
No céu o "V" das aves regressando.
 
Cúmplices do equinócio as cigarras cantam,
Vanessas beijam jacintos, amores perfeitos,
Aleluias em vôo nupcial as lilases aleluias.
 
Agrias adejam, abelhas borboleteam,
Os louva-a-deus a Deus louvam.
Aquarela poente, o reino das flores adormece,
 
            A dama da noite floresce
            Vai a lua perfumar.
 
Celícolas sob cerúleo manto,
Extasiados vivemos nesta catedral.
Há primavera em nossas vidas,
 
             Há equinócios em nossas almas
             Há Deus nos corações.
 
                       Dária Farion        

O CANTO DO CISNE

Subi os degraus de uma longa escada da vida,
Cansei, na plataforma descansei.
Você não me esperou, pela lateral desceu.
Corri feito louco, pulei degraus na descida.

O último degrau cruzamos abraçados,
Encanecidos, unidos
Cantamos o canto do cisne
Dançamos a vida até o fim.

Dária Farion

CARISMA DIVINO

Ter na alma o afeto,
Na palma da mão a vida.
Encerrar no coração a imagem
Na mente a coragem.

Ter certeza,
Gritar com firmeza:
Meu filho , és meu rei
meu herói.

Dária Farion

            

É


A abóbada celeste
Em não sendo é
O limite
O teto fantástico
Onde deslumbrados
Contemplamos
O brilho das estrelas.
É
O espaço azul
Sob o qual se desenrolam,
Mesclam, se chocam, se harmonizam
Os mistérios da vida.
É
O santuário
Da lágrima, do sorriso,
Do real e do sonho
Revezando atos
Coreografados pelos fatos
Plenos de amor,
Plenos de saudades.
É
O espaço cósmico
Entre o céu e a terra
Onde
Nossos eus enaltecidos
Nas oportunidades,
Nas vibrações,
Resplandecem
Num oceano de luz e amor.
É
O depositório
De assomadas emoções
De egos exaltados.
Relicário pleno
De conteúdo da vida
Na arte de viver.

Dária Farion

        

VIDA

Um universo em potencial se afina,
Uma divina harmonia coalesce
E sinergia estabelece
Para o grande mistério
A Vida
Um laboratório
Uma genialidade divina
Num templo a morar.
Um ser
Generoso, que se doa
Que cobra, ri e chora
Sofre e é feliz.
 

         

AMANTE DA POESIA

Sempre há um ângulo raiado de luz na centelha do seu olhar.
Se encontrar um verbo transcendente
Terá se cumprido o voto da orquestração
No palco da vida.

Não se pode dar rosas com espinhos
A rubra gota orvalhando a rosa, se confunde
Dói a dor do amor, sangra o ferimento do espinho.
Lágrimas se derramam em cascata.

Não posso ser o cirineu a seu lado,
Mas no esplendor do altar do infinito
Posso levar meu carinho, chorar ou sorrir com você,
Na elegância de cada verso enviar rosas sem espinhos.
 

            

LAGO DA SAUDADE

O silêncio tem a sua voz
Mudo, faz orquestra na sinfonia do soluço,
Uma gota, depois outra e outra cascateia,
E um lago vem se formar.

De repente, uma imagem vislumbrei,
Refletido nesse lago o rostinho amado
Quase a sorrir, lindo a me olhar.

Tentei as gotas hialinas deter,
Para o lago não ondular
Mas essas lágrimas saudosas
Em torrentes desabaram.

             


A CANÇÃO DA VIDA

Festejar setenta e sete anos
É recolher das viagens
Aprendizagem de tantas passagens
Do eu peregrino pelos mares da vida.

Mares de glórias, mares de sofrimento
Com muita força singrados.
A vida, ciência da alma
Com glória festejada.

Vou fundo no tempo resgatando lembranças,
Relembrando a coragem de cada travessia
Guardando na alma a felicidade
No coração os filhos , minha benção maior.

Já se faz o cansaço,
Mas ainda há força num abraço e areia na ampulheta.
Das mãos fortes, restam mãos encarquilhadas
Ainda assim cheias de bênçãos e afagos.

A cada dilúculo a minha prece:
Ao templo que abrigou minha vida,
À vida que executou a canção
A canção que a vida ditou,
Obrigada.

Dária Farion
 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  19.05.2009  

  

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