O papo da semana:

Cristina Ferrari

 

Hoje quero conversar com vocês sobre algo que vivi de perto durante algum tempo: o desânimo.

Tempo este que não gosto muito de lembrar, pois foi sem dúvida, um período em que eu não gostava de mim mesma. Eu chegava a dizer que sentia falta daquela Cris irreverente, brincalhona, que era conhecida por sua determinação e dona de uma gargalhada contagiante. Um dia, meu filho me presenteou com uma almofada redonda,  que era o rosto do Smile, o boneco sorriso, com uma mensagem que era pra eu me lembrar de sorrir mais. Foi quando me dei conta que meu desânimo estava contagiando a minha família. Isto me fez lembrar de um trecho do livro Brida de Paulo Coelho, onde ele diz que jamais devemos deixar os nossos  sonhos morrerem, porque quando eles morrem, eles apodrecem dentro da gente, e quando isto acontece, eles fedem e contagiam as pessoas que estão a nossa volta, fazendo com que todos se afastem. E é desta forma que condenamos a  nós mesmos à solidão.

Então chego a conclusão, que o desânimo é um mal que provocamos a nós mesmos. Se permitimos que ele  tome conta da gente, ele acaba nos engolindo, se apoderando  de nossas atitudes ( ou falta delas).

Eu tenho o hábito de todas as manhãs, abrir as janelas da casa para que a vida seja renovada e neste momento eu agradeço a Deus por toda a sua obra e principalmente por ter me dado os cinco sentidos para usufruir dela. Durante meu tempo de desânimo, eu esqueci o quanto este ato simples me enchia de sol e de ânimo, por mais nublado que pudesse estar o dia.  Atitudes simples como uma caminhada, um bate-papo com alguém querido e pra cima, um passeio pelo shopping, entrar num cinema e ver uma comédia romântica, orar, podem fazer toda a diferença.

Mas lembre-se que são atitudes que não vêm de fora nem depende de ninguém. Cabe a VOCÊ e só a VOCÊ, querer dar este passo em sua direção. Sempre que você diz “ eu não consigo” você assina seu atestado de derrota.

A única certeza que temos na vida é a morte, e ela só chega quando Deus assim determinar. Então eu te pergunto: “ quantos anos você ainda tem pela frente?” a segunda é: “ Como quero viver este tempo que ainda tenho?”

Eu fiz a minha escolha e decidi por seguir  feliz. Espero que você faça o mesmo por si própria.

Cristina

 

 

 

PAPO SÉRIO

CONFLITOS X CONFRONTOS

 

Hoje vamos conversar um pouco sobre conflitos.

Costumo dizer que, a convivência entre seres humanos é o maior desafio que Deus lançou aos homens. Isso engloba qualquer tipo de relacionamento, seja entre pais e filhos, entre irmãos, homens e mulheres, patrões e empregados, colegas de trabalho e mesmo entre amigos. Às vezes os conflitos nascem de uma palavra mal interpretada ou mesmo quando ela chega num momento não muito bom de quem a ouve. Porém, só se resolve conflitos com  confrontos. Não estou me referindo a lutas corporais ou “bate-bocas”. Muitas vezes, certas pessoas confundem sinceridade com falta de educação e isso só  faz piorar os conflitos. Também o silêncio não é indicado no que se refere a desavenças. Conheço pessoas que passam a vida carregando dentro de si mágoas e um dia simplesmente vão embora sem nada dizer e a outra parte nem sequer teve a chance de saber o que se passava, para que pelo menos pudesse se defender ou esclarecer o mal entendido. O confronto ao qual me refiro, é aquele que chama para a conversa, que abre sua alma e que fala abertamente da mágoa É aquele que dá a chance ao outro de esclarecer e de entender,  ou fazer entender que tudo não passou de um desencontro de sentimentos. Quantas vezes pessoas que admiramos se afastam da gente, sem que saibamos o verdadeiro motivo. Quantos irmãos vivem afastados por conflitos não resolvidos.

Quanto tempo desperdiçado, quanto sentimento jogado fora sendo que durante o tempo do conflito poderiam ter vivido  bons momentos. Quantas vezes nós mesmos criamos situações distorcidas em relação a outras pessoas e passamos a vida acreditando nelas, sem que a outra parte sequer imagine. Penso que pessoas que nada representam em nossas vidas não nos atingem, simplesmente as ignoramos. Mas agora, pense naquela pessoa que você traz no coração com  mágoa. Com certeza ela é importante pra você, pois de alguma forma, ela tocou sua alma. Então, dê uma chance a ela e a você mesmo de confrontá-la. Chame-a para uma conversa, coloque as mágoas para fora e de repente poderá descobrir que tudo não passou de um desencontro.

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"Qualquer pessoa pode zangar-se; isso é fácil.
O difícil é zangar-se com a pessoa certa, no grau certo, na hora certa, com o objetivo certo e de maneira certa."

 (Aristóteles)

 

A DIFÍCIL ARTE DE AMAR A SI PRÓPRIO

Nos últimos 30 anos, minha vida foi totalmente voltada as necessidades dos meus filhos, que aliado a doença dos meus pais, sugou totalmente minha energia. Ás vezes o cansaço batia e eu pensava: “ não tenho o direito de cair, pois sou a base sólida da minha família”. E assim, fui esquecendo de mim e me embrenhando na vida para que nada faltasse às pessoas que eu amava. Mas a natureza segue seu destino e assim os filhos cresceram, meus pais morreram e por incrível que pareça, me senti perdida perguntando a mim mesma: “ e agora, o que faço da minha vida, se eles eram minha motivação maior?”.

Então compreendi que minha estrutura estava abalada, porque simplesmente eu não tinha amor próprio. Fiz do sentimento que tinha por outras pessoas a base da minha vida e quando cada um tomou seu rumo, me senti perdida.

Muitas pessoas estão constantemente querendo cuidar das outras pessoas excessivamente; porém deixando de viver a própria vida. Pessoas que querem desesperadamente ter controle dos filhos, marido, esposa, enfim, sempre querendo cuidar e controlar os que estão à sua volta, na verdade precisam aprender a ter controle sobre si mesmos. Por que é mais fácil darmos ao outro o que também precisamos?

Com muita freqüência colocamos as necessidades dos outros acima das nossas próprias e fazemos isso com muita facilidade. Não pensamos duas vezes em fazer algo para agradar a alguém, mas relutamos muito em fazer algo por nós mesmos. É como se sempre estivéssemos em débito com o outro, onde devemos fazer de tudo para que esteja feliz, ainda que isso custe nossa própria felicidade.

Observe a maneira como tem cuidado de si mesmo. O que tem feito para sentir-se feliz?

Cuidar da própria vida não quer dizer não nos importamos com as outras pessoas. Significa que aprendemos a amar, a nos importar, sem que precisamos nos abandonar. Podemos ajudar aos outros, mas sem ferir a nós mesmos. Podemos amar aos outros e também nos amar.

O amor é com certeza o elo maior, mas nada podemos fazer por alguém, se não formos capazes de fazermos exatamente o mesmo com nós mesmos.

Pense nisso!

“Quanto mais esperto o homem se julga, mais precisa de proteção divina para defender-se de si mesmo.”
(Sêneca)

Complexos

 

Era uma vez, um fazendeiro que passeando pelos arredores da sua fazenda, encontrou caído no caminho, um ninho com um filhotinho de águia que acabara de sair do ovo. Enternecido o homem pegou a pequena ave e a  levou dentro  do  ninho, colocando-o no galinheiro. O tempo passou e o filhote foi crescendo, suas plumas tornando-se vistosas, seu bico longo e suas garras afiadas. Contudo, a águia continuou ciscando a terra como as galinhas, sem reconhecer a diferença que havia entre elas.

Assim são determinadas pessoas, que passam a vida olhando para baixo, se lamentando como as galinhas d´angola, “ to fraco..to fraco” , sem se darem conta que na verdade somos aquilo que pensamos ser e não o que realmente somos.

Estas pessoas constantemente tecem comparações entre elas e outras que vão mais longe, que cresceram pessoal e profissionalmente,  como se as pessoas nascessem carimbadas. Esquecem que somos todos filhos de Deus, e que independente do berço que nascemos, depois de crescidos, quem escreve nossa história somos nós mesmos. São pessoas derrotadas, que sentem o peso da vida nas costas, que reclamam de tudo, se sentem o “patinho feio” da família, com poucos amigos e culpam a tudo e a todos pela sua “má sorte”.

O Livro Sagrado, conta a história de Gedeão, que se sentia pequeno e suas orações eram verdadeiras lamentações. Um dia Deus lhe enviou um anjo que disse “ O SENHOR ESTÁ CONTIGO, VALENTE GUERREIRO” e lhe deu a incumbência de livrar Israel dos madianitas.  Diante disso, Gedeão se lamentou ainda mais, argumentando que sua família era pobre e que ele era o “menor”  da sua casa e não entendia porque Deus o tinha escolhido para tal missão. Nem mesmo ouvindo a palavra do Senhor, Gedeão se convencia da sua força, pois era tomado de um tremendo complexo de inferioridade. Mas Deus o lançou na guerra para que diante das ameaças, ele pudesse encontrar sua força interior. E assim, seguindo as determinações de Deus, Gedeão invadiu Israel, com apenas 300 homens e venceu um exército de dez mil homens. Não foi Deus que lhe deu a força, ele já a possuía.

Assim são aqueles que não são capazes de enxergar sua força interior. O que leva o homem a ir para frente, é a sua determinação de crescer, de alcançar seus objetivos. Ninguém pode ser culpado de nossas derrotas. Todos já nascemos vencedores. A derrota é uma opção de cada um.As pessoas nos vêem exatamente como nos mostramos à elas. Ninguém “É”  menos porque  “ TEM”  menos. Cabe aqui dizer que não se pode confundir complexo de inferioridade, com humildade. O humilde não é um complexado, mas alguém que não usa seu potencial, para se destacar. Apenas leva sua vida e por maior que sejam suas vitórias, não as exibe, não perde o amor pela simplicidade.

Lembre-se que Deus nos deu a vida, mas cabe a nós decidirmos o que fazer com ela: voar alto como as águias, mesmo tendo sido criado num galinheiro,  ou continuar sendo uma galinha que voa baixo e vive cabisbaixa ciscando na terra e lamentando, como as galinhas d´angola,  suas fraquezas.

Cristina Ferrari

 

 ARROGÂNCIA

 

- Você sabe com quem está falando?

Sim, de imediato sabemos com quem estamos falando: com um arrogante, aquele que se acha superior, mais forte, mais poderoso, mais inteligente, mais belo, mais capaz, enfim, que se julga merecedor de privilégios.

 E como o mundo está infestado de dessa espécie!

Fico pensando de onde eles surgem. Convivendo e observando a humanidade, chego a conclusão que o arrogante se forma em lares arrogantes.  Dentro de casa, observam a postura de seus pais, em seus tronos diante de empregados e funcionários. Geralmente são pais dominadores que castigam ou premiam seus filhos com coisas valiosas. Dentro de casa, são filhos submissos, mas destilam sua rebeldia na rua, na escola, na turma,  espelhando a arrogância de seus pais, como fruto de admiração.

Grandes empresários, como Abílio Diniz e Washington Olivetto, precisaram passar por situações de profunda humilhação, sendo reféns nas mãos de bandidos, para terem a exata consciência que seu poder de nada valia e  em seus cativeiros compreenderem que a grandeza está na humildade.

Ninguém chega no poder sem a ajuda dos humildes. Vejamos: o presidente é eleito pelo povo; os proprietários de grandes  redes de lojas, não chegam no alto, se o povo não deixar lá o dinheiro ganho com o suor de seu trabalho. Um empresário nada é, se não for a capacidade de seus funcionários. Um artista não encontra o sucesso, sem a aceitação de seus fãs que compram seus discos ou obras de artes. E assim é a vida.

Penso que se a soberania fosse boa,  ainda viveríamos na monarquia e no entanto,  a humanidade corre atrás da democracia, para ter o direito de escolher seus governantes.

O arrogante nada mais faz do que promover a opressão sobre seus semelhantes. Ele por si só se condena a solidão, porque cegos pelo sentimento de superioridade,  não percebem que contagiam o mundo com  infinitas manifestações negativas como ganância, o orgulho, a crueldade, a intolerância, o desamor,  que nada mais são do que empecilhos para a paz. A sua e a de quem os rodeiam.

A solução para isso, está em cada um de nós. Quando alguém  se abre ao diálogo, à compreensão solidária das coisas  que movem a realidade, torna-se receptivo para a sensibilização, a convivência pacífica, a fraternidade, e como conseqüência deixará de ser solitário. Quando se libertar das aparências e dos preconceitos, ele encontrará a paz interior.

- Sabe com que está falando?

Seja quem for, é alguém que foi gerado da mesma forma que  todo ser humano e que assim como todos, terá seu orgulho coberto pela terra.

Pense nisso!

 

 

 

ENTRE O EMPRÉSTIMO E A DOAÇÃO

 

         Era sentada no divã do analista, que podia falar das minhas aflições sem rodeios, sem medo de que as pessoas me vissem como “fracassada”.

            A pergunta que ficava no ar era,   até que ponto valia a pena renunciar a coisas que nos são importantes,  em favor de um amor.

            Este conflito começou para mim, quando ainda namorava meu ex-marido. Na verdade ele me induzia a isso, pois quando queria  receber amigos em casa como era hábito, ele se chateava e dizia que eu gostava mais dos amigos do que dele. E este passou a ser seu lema.  Fui me afastando de tudo  e de todos que  mais amava, em troca  dessas tais “provas de amor” que ele exigia de mim constantemente.

         Um dia levei o tema para conversar com meu analista. Então eu lhe perguntei:

 

-         DR, o  que deu errado, se todas as escolhas que fiz, foi priorizando o amor? Entre meus estudos e meu marido, fiquei com meu marido. Entre meus amigos e meu marido ,optei por ele. Até entre meus pais e ele, eu fiquei ao lado dele. O que ganhei com isso? Acabei ficando sem estudo, sem amigos, sem pais e sem marido. Estou sozinha. Chego a conclusão que passei a vida fazendo as escolhas erradas.

-         Você então passou a vida fazendo  empréstimos?Questionou ele.

-         Não! Foram doações. - Respondi

-         Empréstimos Cris! Doações não são cobradas como você está fazendo agora.

Pensei um pouco e respondi:

-         Jamais cobrei isso dele. Estou falando aqui,  para você.

-         Não! A terapia é um tratamento de inconsciente para inconsciente. Se isso veio a tona aqui e agora  , é porque isto tudo que foi colocado já  estava dentro de você. Nem sempre exteriorizamos nossas cobranças, mas passamos a vida fazendo-as inconscientemente. Não se pode culpar as pessoas pelas nossas próprias desilusões, afinal se somos donos das vitórias, somos também das derrotas.

 

Ele estava certo. Passamos a vida nos escondendo atrás dos outros. Primeiro atrás dos nossos pais que tentam nos podar de muitas coisas, por medo de nos perder, por possuírem mais experiência ou  por egoísmo. Não importa os motivos. Na verdade, aprendi com a terapia, que é um direito das pessoas que nos amam, nos pedir sacrifícios das nossas vidas, assim como também é um direito nosso negar em nome dos nossos sonhos e ideais, desde que possamos assumir as conseqüências de nossas atitudes.

Só comecei a crescer quando assumi minha vida interinamente. Claro que sabia que cometeria muitos erros em nome da inexperiência, mas também sabia que quaisquer que  fossem as conseqüências, eu as sofreria. Só tomava o  cuidado para que não refletissem em  meus filhos.

Uma certeza eu levei do meu casamento: não queria mais dependências. Mesmo que um dia viesse a me apaixonar por outra pessoa,  não queria mais ser sustentada por ela. Tinha conquistado minha independência e não renunciaria a ela por nada nesta vida. Nunca mais queria me sentir um extraterrestre perante o mundo e as pessoas que o povoava. Mesmo que essa independência me custasse tropeços, dores, mas tudo que aprendia com ela,  me pertencia. Passava a ser então,  minha bagagem de vida mais valiosa. Minha luta seria a herança que deixaria para os meus filhos. Ensinar a eles, que ser independente não significa ganhar muito dinheiro para se ter tudo que deseja, mas ser dono dos seus próprios atos e poder responder por eles, seja no sentido de colher frutos bons, ou de colecionar marcas que nos farão  lembrar sempre que erramos muitas vezes, e temos que aprender com os erros.

( trecho do livro Fragmentos)

 

 

 

"Ouse sair da multidão e traçar seu próprio caminho."
(Orison Swett Marden)

 

 

 

  SOLIDÃO

 

“ Por que você me deixa tão solto? E se eu me interessar por alguém?  To me sentindo muito sozinho...”

 

Quem de nós um dia já não se viu andando no meio da multidão e mesmo assim se sentindo  completamente solitário? Isso é a prova viva, de que a solidão é definitivamente um estado de espírito. É um sentimento como a alegria, a tristeza, a mágoa, ou qualquer outro que vez ou outra nos invade.

Quanta gente, em algum momento da vida não se envolveu com pessoas erradas, apenas para suprir o buraco da solidão?  Essa é a parte pior dela: nos faz cometer erros contra nós mesmos, apenas para termos a “sensação” de não estarmos assim, tão sozinhos quanto pensamos.

Isso me fez lembrar de uma senhora que conheci  e que era muito infeliz com o marido. Um homem rude, que durante os mais de quarenta anos de convivência, a fez passar privações, humilhações, situações constrangedoras  levadas pelo seu mau gênio, faleceu repentinamente de uma parada cardíaca.  Neste dia pensei: “A vida dela começa hoje”.   Um ano depois a encontrei por acaso, e durante a conversa, perguntei se finalmente ela tinha encontrado a felicidade tão desejada, uma vez que agora era dona do seu próprio destino. Para meu espanto ela respondeu: “Que nada Cristina! Ruim com ele, pior sem ele”.  Então percebi que a solidão estava dentro desta mulher, e que o marido era apenas uma desculpa para este sentimento que ela levou dentro de si durante toda a sua vida.

Outro exemplo de como as pessoas buscam preencher de forma errada este vazio, são as relações virtuais. Antes da Internet, as pessoas sonhavam, criavam seus príncipes,  fantasiavam suas vidas com sonhos românticos e acreditavam que um dia, viveriam seu grande amor.  Mas com o mundo cibernético, os príncipes e princesas, passaram a ter nomes, telefones, criar diálogos e assim as salas de Chat começaram a lotar. E olha, que não são pessoas “sozinhas” fisicamente que  as freqüentam, mas pessoas que mesmo casadas, se sentem entediadas, e buscam através da Internet, dar um novo colorido em suas vidas. Infelizmente, já vi muitos lares desabarem por conta dessas “aventuras virtuais”.

É falso pensar que a solidão só acaba quando se tem uma pessoa ao lado.  A verdade é que as pessoas solitárias não se bastam, não sabem conviver consigo próprias.  Quando um relacionamento começa neste estágio, a  pessoa solitária faz da outra, o centro de sua vida , então sufoca o companheiro, controla, tem medo de perder e assim acaba perdendo ainda mais rápido do que encontrou. E quando ele vai embora, o mundo desaba e a infelicidade é ainda maior. Quando se pensa que felicidade depende da ocupação de um espaço, você coloca toda a responsabilidade da sua vida na mão de outra  pessoa. Nós somos responsáveis pela nossa vida e tudo de bom que  possamos viver. Você é o único dono do seu destino. As pessoas só nos magoam, ou nos fazem felizes, quando permitimos. Como pode achar que o outro pode fazê-lo feliz, se você mesmo não consegue? Percebe, como a felicidade está em suas mãos?  O velho tema de que quem não se ama, não tem condições de amar o outro.

Mas por que a solidão tem que ser necessariamente uma coisa ruim em nossa vida?  Dependendo da forma como a encaramos ela pode até ser uma excelente aliada. Isso mesmo! Há pontos positivos na solidão! Acredite-me, a solidão pode ser uma boa conselheira. Se bem administrada, podemos estar travando um verdadeiro encontro com a gente mesmo. Isto poderá transformá-lo no seu próprio “melhor amigo” e então, ninguém mais vai conseguir te magoar. Quando  nos bastamos, estamos bem com a gente mesmo, temos a exata noção que qualquer pessoa que entrar em nossa vida, terá que ser mais uma coisa boa entre as muitas que vivemos.  Esta outra parte, terá que vir para acrescentar e não nos roubar pedaços da alma.  Primeiro a olhamos com a razão para sabermos se ela está entrando para somar uma vida e dividir emoções positivas.

            Estar só, não significa “ser” só!  Aprender a viver com a solidão é o caminho mais eficiente e rápido para acabar com ela.  Você se descobre, começa a encontrar dentro de si sentimentos, emoções, virtudes, que antes viviam escondidas pela amargura de se “sentir só”. 

            A solidão não é uma condenação. Se fosse assim, os filhos não sairiam de casa para ter suas próprias vidas, muitas pessoas não romperiam relações, pelo simples desejo de ter um lugar só seu e poder estar consigo mesmo.  Mas são pessoas que se bastam, que gostam de si próprios, que quando não estão trabalhando, amam estar no seu espaço, por menor que seja, para ouvir suas músicas prediletas, ler bons livros e revistas. Notem que pessoas assim são mais felizes,  porque simplesmente fazem da solidão uma aliada e não um inimigo mortal, como muita gente.

Há uma vida aqui fora a ser vivida.  Desvincule-se de suas dependências. Aprenda a entrar sozinho em restaurantes, cinemas, passeios e verá quanta gente assim como você também busca um amigo. Aprenda a sorrir para quem está do lado, afinal o sorriso é a porta que se abre para qualquer relação. Não encontrarão atrás de uma tela de computador, o brilho do olhar e o sorriso. Pelo contrário, correm o risco de encontrar do outro lado, alguém que quer brincar com seus sentimentos e acabarão por afundá-los ainda mais.

Se está se sentindo só, ouse! Desapareça com os cds de músicas  tristes, e ouça algo preencha sua casa de alegria,  pegue um objeto que lembre um microfone,  vá para frente do espelho, cante,  dance e seja seu fã número um. Mude o corte do cabelo, troque os móveis de lugar, troque as roupas de tons marrons, bege e pretas, por calças jeans, botas e camisetas de cores vivas;  saia mais, observe melhor as pessoas que estão a sua volta, sorria mais vezes, aprenda a cantarolar.  Fazendo isso, começará a gostar de se descobrir, e irá assim em busca de mais e mais do seu melhor. Daí o mundo começará a notá-lo, se aproximarão de você, pois conviver com pessoas felizes é o que há de mais gostoso.

E assim, finalmente entenderá que nunca mais estará sozinho!

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  18.05.2009  

  

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