26/08/2006 10h38
Poetas suicidas XX
Clevane Pessoa,
para Eduardo, sempre.


Rasgo-me
o ventre da alma,
para um harakiri
de oferenda.
Não por honra perdida,
mas por desejo interrompido,
impecilho à livre expansão
da completude a dois.

Quimono de seda,
camadas superpostas de dor
e de saudade.
Bordados sutis
quão foi o amor profundo
de raízes imensuratas.

A adaga ritual.
A entrega plena,absoluta.

Antes, simbioses desideratas,
limites de limitaçõs sem limites.

Promessa de reencontro
em outra dimensão...

e vôo, então.

Publicado por
clevane pessoa de araújo
em 26/08/2006 às 10h38


O VISITADOR
Clevane Pessoa - Belo Horizonte - MG


Todas as noites
Passa um fita de luz
Pela fresta,
Atravessa a cortina
E me seduz
Fazendo uma festa
Para a menina
Que dormita
Dentro da mulher
Que acorda...
Com energias fluorescentes,
Florescentes,
Pega o açoite
Que o dia usou
Para castigar
Minha poesia
_ A companheira
etérea
da fantasia _
E o transforma
Em um fio de luar...


Apaixonada,
Embora,
Meu desejo constranjo
Em pleno deslumbramento
Quando re/descubro
Que esse espectro
É um anjo

Poesia destaque em concurso da
ALPAS XXI,de Cruz Alta,RS,depois
editada na coletânea
"Desafios"/2002,por Rozélia Rasia


MÃE DE MEL
CLEVANE PESSOA DE ARAÚJO LOPES


MÃE DE MEL, SEIOS DE NÉCTAR,
OLHOS DE SAL-O QUE SIMBOLIZA A VIDA,
A EMOÇÃO DE CONTEMPLAR
UM PEQUENO SER A NINAR,
A PEQUENA GRANDE PESSOA
QUE SEU ÚTERO TÃO BEM SOUBE ABRIGAR...
E A BOQUINHA QUE SE ENTREABRE,
BOTÃOZINHO A SUGAR!
E O SUSPIRO SATISFEITO,
IRROMPENDO A ENCANTAR!
E O CHEIRO DE LAVANDA,
E A RENDA NOS PUNHOS
DOS PEQUENOS PULSOS DE SEDA!
E O LENTO E TORNEADO ESPREGUIÇAR,
COM OS BRACINHOS MACIOS
A ESTICAREM QUAIS BROTOS
DE JOVENS REBENTOS,
A AVANÇAR
PELOS ESPAÇOS !
E O PESADO LEVE PESO, NOS TEUS BRAÇOS:!
MÃE DE MEL,FARTURA, TERNURA,
TU CARREGAS ALGUÉM
QUE ORA SENDO UM ENTE ASSIM PEQUENO,
ALGUÉM ADULTO UM DIA SERÁ
E DE TEUS CARINHOS
TERÁ SIDO FEITO
E INCONSCIENTEMENTE SABERÁ
DO FAVOS DE TEUS CUIDADOS



CONTATO SACRO
Clevane pessoa de Araújo Lopes

Mesmo quando as tempestades são duras
Minha alma quer manter-se pura e intocada
Erguendo-se, qual condor, nas alturas
De energia, gastando quase nada...

De costas para o vento, vai flutuando
Conduzida pelas bolsas de ar quente
Não há desgastes nem cansaço: voando
Faz-se parte do Cosmos, resiliente...

Alvo de flechadas, tiros, pedradas
Protege-se subindo mais e mais
Além das nuvens, no azul absoluto

E acha, asas abertas, não rasgadas,
Em átomos infinitesimais,
Deus, que mesmo sendo tudo, é impoluto...


Este soneto,em Concurso do saudoso
site "www.notivaga.com"da Magriça,patrocinado
por Mirkos Von Breysky,foi menção honrosa,
fazendo parte da coletãnea(de papel)
"Antologia dos Poetas Notívagos"


 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  17.05.2009  

  

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