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A
voracidade das letras
Carlos Assis
Prato do dia arrasta escravos na lama
Farol que ilumina a avenida Franscisco
Matarazzo
(ou aquela que passa perto da sua
casa)
Tudo tem de se definir , se aliar ao
principado dos fuinhas
Afaste as nuvens do céu de abril pela
raiz
Relâmpagos em pleno vazio
Olhos sujos de lágrimas cor de cereja
Conquiste o espaço das pedras
Com a carteira de identidade funcional
de escritor
Pássaro voando sem destino
Estourando a cabeça no asfalto
desfeito
Máquinas voadoras voam barulhentas
Chave tetra cadeado Papaiz aberto na
pancada
Espada de um só corte sem ponta
Solução trágica de nossas ânsias e
demências
Momentos de fúria latente
Dias que correm no calendário
romano-juliano
Escreva de um átimo ou nunca mais (no
more or never more diria Shelley)
Rostos lavados sem sono e sem
maquilagem
O que o amor não é de manhã
Uma espera do destino
Néctar de flor doce
Caveira de pirata na porta do sobrado
O que o amor não faz nesta terra
Um interminável
Caminho da vida!
março 2006

Batalha dos Lençóis
Carlos Assis
Esta é uma guerra suja
Onde todos perdem
E o sangue ferve
De ambos os lados
Cenas de crueldade acontecem
Roundes são travados
Golpes certeiros são desferidos
Todos os dias
O mundo assiste perplexo
Planos são mudados
Estratégias são refeitas
Em questão de horas
O palco dos combates é alterado
A diplomacia falha redundantemente
Fracassam os cessar fogos
Fofocas e noticias falsas
Pipocam por todo canto
Minando a credibilidade dos
antagonistas
Armas traiçoeiras são disparadas
Para ganhar tempo e terreno
Acordos são desfeitos
Amizades são rompidas
Sonhos se esborracham no chão
A farsa troca as posições
Areas defendidas , bem protegidas
Hipoteticamente seguras
São alvos prioritários de sabotagens
Ardis em toda parte
Espiões camuflados
A resistência foge assustada
Quando pontos fracos da linha de
defesa
São duramente castigados
A violência assume o controle do front
A infantaria impiedoas avança
Com o som de clarins e tambores
Marchando por sobre corações inseguros
Suprimentos são cortados
Nem sempre se ganha uma batalha
E recuamos envergonhados
Cabisbaixos
Profundamente feridos
Pelo ódio desmesurado
A honra nada significa
O orgulho põe todas as pontes abaixo
A tradição rejeita a paz
Rastejamos pela lama
Sobrevivemos após sermos pisoteados
Chutados , esmurrados
Esfaqueados
Somos submetidos a lavagens cerebrais
Isolamentos
Privações
Racionamentos
Altos falantes despejam mensagens
rancorosas
Em nossos ouvidos cansados
Esta é uma guerra suja
Interminavel
Travada com socos
Coices
Unhadas
Arranhões
Pontapés
Palavrões
O caos se alastra
O pânico domina
As emoções se confundem
As comunicações estão controladas
Não existe vontade própria
Ordens são disparadas para o alto
Algumas prontamente obedecidas
Outras ignoradas
Como balas perdidas
Somos vigiados a noite inteira
Trancafiados em casa
Enquanto sermões e ladainhas
Ecoam como bombas
Tremendos esforços são realizados
Enormes desgastes fisico-emocionais
Se suscendem inuteis
Alem de volumosos gastos financeiros
Nos intervalos da luta
Velas são acesas
Preces são choramingadas
Mensagens de amor são escritas
Com letras desesperadas e tortas
Textos cifrados
Codigos secretos são inseridos
Nas cartas para a familia
Lágrimas de saudade
Mancham os papeis
Esta é uma guerra suja
Sem vencedores
Os travesseiros são surdos
O fogo cruzado
Atingem inocentes
As carniças estão expostas na rua
Amontoadas para o mundo ver
E saberem dos fracassos e intimidades
A perversidade humana não conhece
Limites
Que Deus perdoe
Quem nos ama
Até a morte
Carlos Assis
Março 2006

Biografia
POESIAS
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