AMANTE EVENTUAL
Luiz Poeta ( sbacem – rj )
Luiz Gilberto de Barros
Às 9 h e 40 min do dia
1° de julho de 2006 do Rio de Janeiro


Ela chega, arromba a porta dos teus medos,
Põe abaixo as paredes que te isolam;
Quando notas, há nos teus olhos que choram
Mais que luz iluminando teus segredos...

Ela invade os sombrios labirintos
Do teu ser silencioso e se abriga
Na emoção onde pensavas que era extinto
Teu amor preso na dor bem mais antiga.

Ela, então, sem perguntar se tu aceitas
Todo amor que ela tem para te dar,
Põe um brilho sedutor no teu olhar,
Põe amor na antiga dor que tu rejeitas.

Contundente, impetuosa, te provoca,
Visceral, sensorial e atraente,
Cria um sonho tão real que até te toca
E se apossa do teu corpo inteiramente.

Na ausência eventual do teu presente,
O passado faz desse teu coração,
Um jardim onde os insetos da paixão
Polinizam teu amor completamente.

E no êxtase do amor que te arrebata,
A saudade, então mais frágil, delicada,
Faz a dor que há tanto tempo te maltrata,
Diluir-se na emoção mais desejada.

Ao sair, como um amante eventual,
Ela deixa, no aconchego do teu leito
O conforto de um sonho especial
E um antigo amor batendo no teu peito.


CARDIOPRAZEROSAMENTE
Luiz Poeta ( sbacem - rj )
Luiz Gilberto de Barros
Às 14 h e 37 min do dia 21 de junho de 2006,
POESIA PREMIADA PELA SECRETRIA DAS
CULTURAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE
JANEIRO – XXVII CIRANDA DE POESIAS DE 2006
SEGUNDO LUGAR


O doutor diz que o coração não dói... mas mata.
E a solidão ? Se ela não dói, por que é que a gente
Morre de amar ou de sonhar... ou, simplesmente
Sofre essa dor de tanto amor que nos maltrata ?

Diz o doutor que a dor que dói é visceral
E, para isso, recomenda a analgesia,
A dor nos rins, a dor de dente, a dor fatal...
É tanta dor... Por que é que dói a alma vazia ?

Doendo ou não o coração, o órgão vital,
Há outra dor que dói em outro coração.
A dor do amor... será que é dor espiritual,
Ou é o amor dentro da própria solidão ?

Se é de amor que vou morrer, que tu me mates
Com teu olhar, com teu desejo ou com teu vício
E que essa dor que vai além dos precipícios
Com teu amor, que me tortures e maltrates.

Se vou morrer da estranha dor de tanto amor
Então que eu morra nos abismos do prazer
De te amar, de te beijar, de te querer
Que eu morra logo no teu corpo sedutor.


HARMONIZAR-TE
Luiz Poeta ( sbacem-rj )
Luiz Gilberto de Barros
Às 22 h e 49 min do dia
19 de setembro de 2006 do Rio de Janeiro, Brasil,


A vida é assim, amiga minha...
Coloca utopias nos teus sonhos,
E faz a solidão, tua vizinha,
Morar no teu olhar doce... e... tristonho.

Porém, nem imaginas que, se quero
Sentir o teu olhar dentro do meu,
Não choro, não sofro, não desespero,
Coloco o meu sonhar dentro do teu.

E sonho... como se o amor voasse
No dorso de uma brisa tão macia...
Que a flor do nosso amor despetalasse,
E transformasse a dor em poesia.

A vida é assim, amiga... amada:
É só um coração querer sonhar,
Que o nosso amor refaz a antiga estrada
Onde a saudade insiste em passear.

Não sofras, porque o sonho fertiliza
A terra onde um dia uma flor
Brotou da emoção que harmoniza
A tua solidão com meu amor.


VALSONHANDO
Luiz Poeta ( sbacem-rj )
Luiz Gilberto de Barros
Às 21 h e 56 min do dia
24 de julho de 2006 do Rio de Janeiro


Tu deitas nos meus braços, rodopias...
A valsa nos envolve mansamente,
Dançamos... ou sonhamos ? A poesia
Constrói um novo amor dentro da gente.

Tu giras e desmaias no meu peito,
Teus lábios estão tão... perto dos meus,
Que acabo te beijando, não tem jeito,
Meus lábios e meus sonhos já são teus.

A valsa continua inebriante,
Fechamos nossos olhos e deixamos
A emoção fluir a cada instante
Vibrante da canção... e nos amamos.

A música termina... mansamente...
O toque sublime da tua mão
Se perde na ternura inocente
De um sonho que ficou... num coração.



QUANDO SONHAS
Luiz Poeta ( sbacem-rj ) -
Luiz Gilberto de Barros
Ao meio-dia e 54 minutos do dia
21 de outubro de 2006 do Rio de Janeiro


Tu viajas quando sonhas, tu te ausentas,
Quando inventas teu sonho particular
E recrias tuas ilhas nevoentas,
Que freqüentas quando queres te ausentar.

Quando sonhas, é como se tu criasses
Solidões medievais e te fizesses
Prisioneira de um castelos onde ficasses
Aguardando um novo amor que tu quisesses.

E um guerreiro com seu elmo onde se esconde
Um olhar azul repleto de poesia
Sempre vem te raptar e amar-te onde
O amor transforma a dor em fantasia.

E então, no teu castelo de utopias,
Onde a tua emoção te tranqüiliza,
Teu amor transforma as dores arredias
Numa flor que o próprio sonho poliniza.

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  21.05.2012  

  

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