MISTÉRIOS DO MAR...
©Antonieta E. Manzieri.


Escunas que ao longe avisto, sem rumo,
em meio a vagalhões medonhos...
Perdidas num mar imenso e revolto
à deriva, sem retorno...

Vejo-me dentro de um veleiro, distante
sem porto para ancorar.
Do qual sou a única tripulante,
estando prestes a naufragar.

Escunas no horizonte sumindo...
Quem poderá detê-las?
Vejo-as dando um último aceno,
Quem conseguirá de volta trazê-las?

Igual a nau em mar revolto,
meu coração está perdido, à deriva.
Sem escolta, sem ter porto,
em meio à carga da estiva.

Mar que me atrai, hoje me trai!
Leva meu sonho onde não posso alcançar,
numa última viagem acenando vai...
E eu, alucinada, tento em vão segurar...

Rendo-me submissa a ponto de sucumbir.
Tudo inútil, ele é mais forte do que eu.
Contemplo estática, incrédula, vendo-o consumir,
feito algoz a tirar-me o pouco que ainda é meu...


AH, MEU POETA...
©Antonieta Elias Manzieri

Há muito que me fazes viajar,
por caminhos que desconheço
mas, que tenho em grande apreço,
mesmo sem conhecer o lugar...

Ah, meu poeta... Quisera eu
poder cobrir-te com tantos beijos,
satisfazer-te todos os desejos,
e saber-te, somente meu...

Ah, meu poeta, se eu pudesse...
Soltaria as amarras que nos separam,
nesta vida onde nos maltratam, e
seguiria contigo para onde tu quisesses.

Mesmo sabendo que o risco é eminente,
mas, qualquer coisa é melhor nesta vida
em que a felicidade nos é proibida
e julgam nosso amor insensato, incoerente.

Ah, bem que poderíamos meu poeta,
transmudarmos à outra esfera ou planeta
Onde não usassem a hipócrita etiqueta
da inexistente moral, ou da falsa ética.

Ah meu poeta, meu poeta! Quem dera...

BRINDEMOS
©Antonieta Elias Manzieri

Ergamos nossas taças meu amor,
brindemos esse momento, essa ventura!
São as flores merecidas que colhemos,
Ao longo do caminho que a muito percorremos!

Esperamos tanto meu amor por esse instante!
Merecemos cada minuto dessa felicidade,
para nos recompensar de toda a saudade,
que sentimos um do outro até que esse dia chegasse.

Vamos seguir a trilha que a vida nos oferece,
sem nos preocuparmos com o dia de amanhã.
Viver o hoje é alegria que nos basta, pois
No amor nunca sabemos se haverá um amanhã.

Sinta no ar essa aura de mistério;
esse aroma indefinido, a brisa, a luz...
Ouça o cantar da natureza toda em festa,
Curvando-se ao nosso amor... O destino nos conduz!

Por tudo isso é que devemos brindar,
para guardarmos esse momento mágico!
A felicidade está em coisas tão pequeninas...
Quem esperou tanto por ela, merece aproveitar!


DESEJOS REPRIMIDOS
©Antonieta Elias Manzieri

Ansiedade louca que me consome.
Vontade de deixar-me levar...
Não pensar em mais nada...
E te amar, amar até nos fartar...

Ansiedade que nos consome,
de nos deixarmos ficar...
Não despertar deste sonho...
Trancar a porta para o resto do mundo,
nos refugiarmos, neste mundo particular.

Ansiedade incontrolável de sufocar-te...
De pecar sem maldade, com irresponsabilidade,
pois bem sabemos, que amar não é pecar!

Ansiedade de perder os sentidos,
o tino, a coerência em meio aos gemidos.
Na explosão desse amor reprimido,
que nos consome, desde que nos vimos...

MEU DIÁRIO.
©Antonieta Elias Manzieri

Relendo tuas velhas páginas amareladas,
volta todo o passado que busco esquecer...
Leio em voz alta, mas para quem leio?
Sozinha neste quarto, abandonada...

Dentro dele encontrei algumas cartas,
já esquecidas pelo tempo que ficaram guardadas.
Algumas minhas, que me foram devolvidas,
outras tuas, que não foram enviadas...

Lá fora o silêncio é mortal, a rua está deserta.
Ninguém passa pela calçada, não se ouve nada!
A não ser o campanário que me alerta,
que já são três horas da madrugada...

Em cada página uma lembrança.
Cada lembrança uma saudade...
Encontrei até bilhetes dos tempos de criança,
de uma inocência pura,
quando eu não conhecia a maldade...

Olho assim tuas velhas páginas desbotadas,
indagando-me tristemente, ensimesmada:
Por que tem que ser assim a almas, mascaradas?
Cobrando tanto em troca de nada...

Releio-te meu diário, e a cada página virada,
meu peito fica oprimido, minha alma dilacerada.
Pela dor, pela tristeza guardada,
em saber o quanto fui iludida e por ele enganada.


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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  21.05.2012  

  

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