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TANGO
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TANGO
* Não quero mais...*
Carmo Vasconcelos
Não quero mais ter de olhar
Sob o véu da indiferença
A tua exposta traição
Nem meu amor enganado...
Não quero mais adornar
De sorrisos mascarados
Tua sombra quando passa
Nem minha raiva contida...
Não quero mais adoçar
Com gestos de circunstância
Tua cobarde mentira
Nem minha mágoa calada...
Pejarei as minhas ruas
De poetas e artistas
Que esmagarão a seus pés
Tua imagem, deus de barro...
E em grandes altifalantes
Um tango bem ritmado
Calará de vez em mim
Tua cantiga, meu fado!
***
Lisboa/Portugal/2002
In E-Book “Despida de Segredos”
http://carmovasconcelos.spaces.live.com
VEM
comigo neste tango
Efigênia Coutinho
Ajusta teu corpo colado ao meu
força de atração ou posse mutua
Faz-me rodopiar incessável
Ao Bandeon Milonguero!
Apaixonante
Deixa a tua mão suada
Ao meu dorso desnudo, a cortejar
Todos os meus sentidos
pleno de fascinação
Rodopiamos entusiasmados,
êxtase duma embriaguez demente
não mais sentimos o chão
resvalando….
Abrasamos corpo e alma...
Meu rosto colado ao teu
ensandecendo teu olhar
Nossos corpos grudados
Girando aos rituais de sedução
Juntos, colados, ligados.
Ao mais forte apetite do desejo…
VEM
comigo neste tango.
Balneário Camboriú
Fevereiro 2010

VEM
comigo neste tango
João Evangelista Rodrigues
eu sinto já teu corpo colado ao meu
por força invisível atração fatal
e sito o vento nos pegar imarcescível
ao ritmos deu Bandeon Milonguero!
apaixonante
movimento
exato e excitante
de corpo inteiro
deixo a tua mão perfumada
deslizar sobre meu dorso a cortejar
todos os sentidos
delirantes de fascinação
Rodopiamos em transe
na extasiaste embriaguez dos anjos
acima das nuvens e da solidão
em leve oscilação de ondas
de corpo e alma nos misturamos
teu rosto colado ao meu
meu olhar perdido no teu olhar
um só corpo visceral e dúbio
gira e em ritmos de rituais celestes
a beira de uma fogueira primitiva.
de onde veio esta dança forte apetite do desejo
vem
comigo neste tango
enquanto houver tempo para tanto
amor neste salão de encantos
e foi tanta a dança e tanta conceição de passos
que no final nossos corpos se fundiram
e nossas pernas em passos se tornaram
e juntos no ar e evaporamos
Belo Horizonte -MG
Fevereiro 2010.

Tango
C. Almeida Stella
Chorava um bandoneon
Num canto de bar.
Meu vestido vermelho
O cabelo preso numa flor,
E o tango falando de amor,
Contrastavam com a luz neon.
Nossos corpos em uníssono,
Um balë tão sensual...
Movimentos em compasso,
Acompanhavam cada passo
Deste tango figurado,
Como um estranho ritual.
Batia o coração descompassado!
Teus lábios sensuais me enfetiçavam,
Tuas mãos macias brincavam em mim
Como o vento brinca, namorando
As flores de um jardim.
Teus olhos escuros, meio ciganos,
Insinuavam promessas,
Dessas, que misturam
Amor, desejo, paixão e mais, muito mais...
Um perfume no ar
E abraçado ao violino
Solitário bailarino,
O bandoneon a chorar
Um velho tango de amor,
Naquele canto de bar!

TANGO
GILSON LUSTOSA DE LIRA
O tango imita a vida, no jeito pisar.
Pisando de mansinho.Cuidados de não errar
Disfarces que a vida tem.Têm tangos levando gente.
Nesse fio plantando vem.Retorno do exatamente.
Se a vida imita a arte.Aí mora dificuldade
Mas da beleza faz parte.Partindo dessa verdade
Rodopiando certinho.Acerta outra tacada
Aproxima devagarzinho.Logo se faz notada.
Inspiração tece um convite.Convite de não recusar!
Pois quem chega primeiro, sempre ganha um bom lugar
A idéia é um louco mudo.Tentando soltar seu grito
A platéia reserva tudo.Reserva um lugar restrito.
Imaginação tem sua hora.Reacende as figuradas
A visão que jorra fora.O retorno das bailadas
Insinua repetição.Insinua se virar...
Há passos na contra mão.Suplicando interpretar.
Sentido anti horário Dos corpos o leve roçar
Em ritmo de riso precário.Esconde-se o rebolar
Se a vida for um tango á parte.O que se há de fazer?
Dançar já é uma arte, de quem se vira para viver.

TANGO OU VALSA, UM VINHO
De Cintia Thomé
Num canto seu casaco
Noutro taças
Espalhadas pérolas
Um colar arrebenta
Ouve-se tilintares
Em descompasso
Junto aos corpos colados
Em dança
Uma salsa,
Ou um tango em Paris
Mas aqui
Acolhe-me em asas
Laça-me, enlaça-me
Cheira-me como fêmea
Morde-me faminto
E sinto
Frenético bailado
Dentro de mim
Desabrocha-me
Em vinhos
Molhados
Colhe-me em sedas
Acolhe-me cansado
Arfando, afanando
Beijos sem pudor
o meu sorriso e meu calor
Aqui ou em Paris
O que sempre quis
Corações embevecidos em valsa
Pele, sua pele
Pele, minha pele
O amor maior
adormecendo entre nós
roçando-nos
úmido
em silêncio

TANGO ANTIGO
Mel de Carvalho
Anda, avança, meu querido, amante... amigo
dança comigo este Tango sensual, antigo ...
Façamos desta dança de felinos -
Desta dança -, um compasso adivinhado
De dois corpos cinzelados...
Sejamos
Apenas Homem e Mulher,
num mágico flutuar
sobre telhado de zinco quente...
Sejamos somente Gente ...
Anda, avança, entrelaça e
prende a minha na tua mão,
na manha, na subtileza e na elegância,
prende-a na pele, como quem suave, arranha,
esventra e beija, no amor, na placidez das entranhas ...
Sejamos gatos, incessantes peregrinos
Na destreza de ajustar o compasso
Em eterna busca de caminhos ...
Sejamos Gatos ... Felinos ...
Anda, meu amor, rodopia n’alquimia
E na magia deste toque ...
Sejamos agora loucos insanos bailarinos,
Que a sintonia se nos declara e anuncia
Na celebração e no brilhar dos cometas e dos astros
aprumados em dois olhares a cruzar,
nesta longa noite de Luar ...
Não, meu amor, meu querido,
não temas e receeis,
não desvies o teu do meu olhar...
Rodopiemos, cinjos, conciliados, fundidos,
nesta dança crisopeia e no clamor dos sentidos ...
Façamos deste Tango único e singular
um longo, quisá eterno redopiar
de corpos...
Ajustados num relógio sempre a avançar...
Iniciemos o passo, frente a frente,
em fio de prumo,
E, confiantes teçamos agora o trilho...
O rumo, projectado no brilho das estrelas
que emanam do teu e do meu olhar...
Anda, avança, escuta, cada som e cada nota
Conduz-me, ensina-me, cada passo, passo a passo,
Ensina-me, na ternura de um abraço ...
Troca a rosa presa na minha boca
pelo beijo suspenso da tua própria boca
Que o palco é a nossa pista, nossa estrada
Que a Vida nos aguarda p’la claridade d ’astros
Iluminada ...
Um passo ao lado dois bailarinos ...
E um cruzar de pés ... e um elevar de asas ...
E um absorver do Tango no nosso corpo ...
E um encontrar um destino, um porto ...

TANGO VOLVER
Ricardo Reis
Ao longe, campeando plagas
Em bom tordilho,
Desde a portenha estância,
Ei-lo que aqui se apeia.
Sê bem-vindo, o que se foi
E agora volta,
E entre os seus,
É recebido em relevância.
Acolhe-o em abraço,
Toda pompa e circunstância,
Na precisa hora em que
O poema já se entorta.
Ao vir à praça, no nascer
Da rosa pública,
Cruza as aleas de flores vãs,
Na avenida,
Quando se vê o advento,
Retorno eterno,
Et por cause, vence lirismos
De toda gama,
Construindo a poesia
Que caminha sem ter termo.
E, já de volta, o que
Vai-se, e o que vem vindo.
Ou então, num ai, o sentimento
Sobe ao tino, e a emoção
Desencadeia a verve solta,
Na alegria desvairada
De um menino.
Que o saúdem e o velem
Em canto antigo,
Quando se vê na fonte orgiástica
E urbana, o verter-se d’alma,
E da densidade de um amigo.

Dança do Tango
Catharina Dirce Arcoverde
Tango desenfreado
Cheio de emoçâo
Compasso vibrante
Pura paixão
Olhos nos olhos
Sensação do prazer
Mistura emoção ardente
Dança caliente
alcança corações
Bailando excitados
Nos laços do amor
Na inspiração do tango
E poesia
Magia da melodia
Atração bate no coração
Entrelaçados entre braços
Transporta entre laços e abraços
A emoção do tango
Apaixonados ficamos
Cheio de Amor
Vibrante caliente
CatharinaDirce

E o tango continua...
Edir Pina de Barros
Dançando esse tango belo
Vou me entregando sem pejos
Ao teu corpo em que me anelo
e provoca os meus desejos!
Vou ao céu e volto a terra,
Sentindo todo o prazer
Que no teu beijo se encerra,
Aumentando meu querer!
E mergulho, sem pensar,
Na volúpia do teu mar!
Eu sinto os teus movimentos,
teu perfume de açucena,
o calor dos sentimentos
e dessa pele morena!
Ébrios de amor dançando,
entre suspiros e beijos,
os corpos se entregando,
à loucura dos desejos!
E mergulho, sem pensar,
Na volúpia do teu mar!
Tantas ondas vão e voltam
na praia sempre a espumar,
no alto mar se revoltam
e retornam ao seu lugar!
Nas ondas do tango sinto
as tuas carícias loucas...
na força do puro instinto,
no calor de nossas bocas!
E mergulho, sem pensar,
Na volúpia do teu mar!
Oh!Badoneons! Bandoneons!
Não parem, não ,de tocar!
Edir Pina de Barros
Brasília (DF), Brasil.

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