A HISTÓRIA 
DO TANGO-clique

 


Evento Poético AVSPE
TANGO

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Tocador de acordeom - Tânia Mara Camargo 
Tango - Tânia Mara Camargo 
TOCADOR DE ACORDEOM


Teu olhar em meu frágil corpo,
São lumes que fascinam,
São faróis que iluminam.

Teus olhos nos meus olhos,
Uma troca fulminante de olhares,
Excitações, músicas e quasares.

Teu olhar em minha boca,
Desenhos de beijos e umidade
Línguas em choque e insanidade.

Teu olhar em meu umbigo
Insinuam-se outras vontades
Teu querer minha alma invade.

Teu olhar na flor da perdição
Saltam da órbita em bungee jump
Penetram a ansiedade dessa vamp.

Teu olhar é um poema á ereção
Eu sou apenas os versos em criação
Criador e criatura perdendo a noção.

Teu olhar é o mundo de deficiências
Impreciso e alucinado ante ao social
Mas que cobre meu ser num ato visceral.

Teu olhar de tocador de acordeom ,
Piazzola num tango de olhares
Que se movem buscando uma
Única direção, a poética satisfação!! 



MEU TANGO
Ivan Jubert Guimarães


Sentado à mesa de um bar,
Tendo como companhia o vinho,
Ouvindo a música do lugar,
Me sentia extremamente sozinho.

Pessoas dançavam alegremente,
Contrastando com minha solidão,
Quando um bandônion pungente,
Tocou forte em meu coração.

Numa mesa perto da minha,
Uma linda mulher esperava,
Ela não poderia estar sozinha,
Em êxtase eu a admirava.

Criei coragem e tirei-a para dançar
Aquele tango que me inebriava,
De imediato meu rosto colou no dela
Braços estendidos, ela levitava,

Um violino tocava plangente
E o bandônion chorava também,
Nossos corpos dançavam levemente
E no salão já não havia mais ninguém.

Todos olhavam com admiração
Aquele casal de futuros amantes,
Unidos pelo tango, numa linda canção
Voei como nunca tinha feito antes.

O tango aproximava-se do final
E dançávamos silenciosamente,
Respeitando a melodia celestial
Apenas respirando o hálito quente.

Segurei suas mãos, forte o bastante
E ela volitava em torno de mim
Com seu vestido preto esvoaçante
Nunca imaginei dançar assim.

O bandônion e o violino já iam parar;
Antes dos aplausos, o silêncio ensurdecedor,
Nas mentes dos presentes aquele tango iria ficar,
Como que marcando o início de um grande amor!

Tango do Amor 
Marise Ribeiro


Um cravo entre teus lábios...
Em compasso cruzamos nossas pernas...
Um tango aproxima nossos corpos...
Entrego-me... e tu então me governas.

Conduzes-me a um céu de estrelas...
Passo atrás, passo à frente...
Rodopios... ambiente envolvente...
A música tomando conta da mente.

O teu aroma me vicia...
Sinto tua mão firme a me segurar a cintura...
Esta dança propensa à lascívia,
vai tornando nossos meneios sem censura.

Arranco o cravo com meus dentes...
Beijo-te a boca sem perder o passo...
Insinuo-me mais... tu consentes...
E o tango acaba num amar devasso.


10/07/05
www.mariseribeiro.com 

Tango Inesquecível
Eda Carneiro da Rocha


Entrou o cavalheiro, no salão, tomou-me pela mão.
Deu-me uma mirada, convidou-me a dançar este Tango.
Sorri! Aceitei e começamos a dançar 
esta dança inacabada, feita com o coração!.. 

Virei meu corpo para fazer este encaixe perfeito:
Pernas etéreas passeavam no salão,
sabia que o amor estava chegando com toda emoção!..

Tango chegado, amor encontrado.
Meu par beijou-me, longamente, estreitamente.
Mirei-o, mais uma vez, senti-me presa!

O visgo me prendera e a minha alma também.
Não adiantava!
Cupido lançara sua flecha,
dardo flamejante, em meu coração,
dançamos mais uma vez pelo salão!

Eda Carneiro da Rocha
" Poeta Amor"


TANGO
Saramar Mendes


Cansei-me do amor pela metade,
do amor diplomático,
do amor paz-e-amor.

Vou me perder de paixão, dentro de um tango
e me embebedar de absinto.
De amor, vou morrer todos os dias.
Quero a paixão,
a alma que se abre,
que toma, devora e recomeça.
Cansei-me de meios tons e penumbras.
Agora, tudo é vermelho e amarelo.
E preto e branco.
E vice-versa.


TANGO
Áurea Miranda


É um tema, um enredo, uma voz - e a expedita 
entonação de acordes modulando o espaço 
onde o amor, a vingança e a dor marcam seu traço, 
em tempo de missão: como busca infinita 

de um caminho onde as vidas vão no mesmo passo 
- de ardência passional ou devoção bendita 
("Mano a mano", "Percal", "Amor", "La cumparsita"...) - 
comungando a cadência de um sonoro abraço.

Há uma história comum nos textos e nas pautas. 
Mesmo a percepção das hordas mais incautas, 
plasmando-se na sensibilidade onde se afina 

com um tango - qualquer que seja o seu recado -, 
irá reconhecer um mapa delineado 
na sua vibração como alma da Argentina. .

 

TANGO EM MINHA VIDA
-
Acróstico-histórico nº 2823
Por Sílvia Araújo Motta
-
T-Tangos...quantas vezes dancei
A-Ao lado do meu querido esposo,
N-Nunca provei de outro parceiro...
G-Garantindo tanta emoção e amor
O-Os aplausos eram do Clube inteiro...
-
E-Em nossas noites felizes-casados,
M-Muitos motéis foram reservados...
-
M-Mundo era só nosso e dos clientes,
I-Inúmeros pares dançavam depois de nós...
N-Nossa apresentação atraía assistentes...
H-Hoje, em nossa casa, dançamos nós dois,
A-Ao som do bandoneom dos tempos idos...
-
V-Viajamos sincronizados, à média luz da sala,
I-Inspirados entre beijos, somos apaixonados...
D-Dos passos ensaiadados, Valeu a emoção,
A-Amar é dançar o tango ao ritmo da pulsação.
-
Rio de Janeiro, 22 de fevereiro de 2010

                           

HOJE RESOLVI...
Eliane Couto Triska


contar que Galdel não morreu,
que foi uma invenção do tango,
para que o bandonéon silenciasse
e a pausa deixasse os compassos
homenagearem a poesia.

Tantos tangos...
Olga Matos

Tangos-poemas temos 
no empenho de viver 
tantas luas já detemos 
quantos sóis iremos ver? 

Tangos passos uivantes, 
riachos tantos ,que nascem 
das fontes borbulhantes, 
em abraços vão aos mares! 

Tangos e tantos segredos, 
de tanta falta de tato 
se transformaram em medos, 
sem gosto e sem olfato! 

Tanta luta tango-orgulho 
tanto gelo sem denodo 
em apelos de fagulhas 
tentando manter o fogo! 

Fagulhas, tantas faíscas 
crepitantes de pesares, 
retirantes e ariscos 
tantos tangos vão aos ares!

Olga Matos
(Prenda) 2001

O egoísmo do tango 
Maria Clara Segobia

O tango penetra 
na alma dilacerada.
Na dança unidos
em um só compasso 
representam sua dor.
No olhar transferem
toda angustia
num pedido de socorro.
Sentindo cada um 
sua amargura.


Buenos Aires 2008

 Tango e perfume 
Roberto Amorim 


Os passos dóceis, limpos
Se vêem, se ouvem, sentem
Todos que observam;
Um homem, cego, triunfante
A dançar com a jovem deslumbrante
A música lírica e aberta
E a vida diáfana e incerta
Que se a morte chama
A vida quer dançar. 


 

 

Efigênia Coutinho
Presidente Fundadora
Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores

 

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