Dilema sem resposta
Efigênia
Coutinho
Que dilema! Lá se foram
Andorinhas, sem responder.
Fiquei sem resposta para dar,
Em silêncio, elas sobrevoaram
O sonho a correr sem alcançar...
Nem o céu sabia o que dizer.
Mas ao fim deste caminho,
Encontrei outro sonho tremular.
Subindo por céus azuis siderais
Vi escrito em real pergaminho,
Todas as esperanças especiais,
Sem dilemas, o desejo se concretizar.
Espalhando perfume de rosas
Enfeitando de amor cada alvoro,
Soando um farfalhar amoroso
Cheio de vontades alterosas,
Perfazendo um frêmito de gozo...
Ò sonho que eu tanto adoro!
E o dilema sem resposta,
Encontra a resposta no amor.
E o vôo das andorinhas caladas,
Para mim não mais importa.
E nas emoções anunciadas,
Vivo cada dia com esplendor!

DILEMA
Sá de Freitas
Se acaso um dia eu desvendar tentasse,
Os dilemas do amor e a sua essência,
Por certo eu deveria, em sã consciência,
Saber ser bem melhor... se eu me calasse.
Se acaso eu conhecesse e se usasse,
Todo o saber contido na Ciência,
Para explicar o amor... a incoerência
Viria à tona, por mais me esforçasse.
Saber o que é o amor é diferente,
Desse "saber sentir o amor", que a gente,
Expor feliz ao mundo sempre deve.
Mas que ninguém, meu Deus! Ninguém pretenda,
Desvendar algo que ninguém desvenda,
Nem descrever o que ninguém descreve.
=
Samuel Freitas de Oliveira
Avaré-SP

Dilema
Marilda de Almeida
Já não sei dizer o que sinto,
Se te amo ou me engano,
Se te quero ou mando embora,
Você é alegria ou será tristeza.
Virá ao meu encontro?
Ou partirás sem um adeus!
Caminharemos por veredas?
Ou será o inferno em minha vida!
Que dilema cruel,
Sem paz, meu coração dilacera
Querendo o teu encontrar
Como beija-flor, teu néctar sugar,
E acabar com esse dilema.
Que minha alma padece,
Por sofrer sem saber, se é amor
Essa dor que me aquece,
Ou apenas, um doce querer.
Sorocaba, 09 de Agosto de 2010

DILEMA
Elen de Moraes
Quero amar de novo, mas não consigo!
Talvez porque ao meu coração, ainda,
Outra paixão não seja hoje bem-vinda,
Por ser refém daquele amor antigo.
Sonho-me amada... Ilusão que persigo!
Musa de algum poeta fingidor.
Paixão de quem se faça de senhor
E servo... mas, sobretudo, de amigo!
No entanto, quando esse amor fantasio
Num corpo qualquer, de rosto vazio,
Sobrepõe-se, do antigo amor, a imagem...
É meu dilema em toda essa engrenagem:
Decidir se nova é a paixão que quero
Ou se o antigo amor é o novo que espero.
(Rio de Janeiro, Br, 09/08/2010 – 18,57h.)

...E o dilema se foi!
Ógui Lourenço Mauri
Como é gostoso relembrar tudo agora!
Do tempo em que eu estava na escuridão.
Dos momentos de total indecisão,
De continuar infeliz ou ir embora...
Lembro-me, sim; foi tudo tão de repente.
Eu percorria a senda do sofrimento...
Até que, por Deus, em um certo momento,
Ao acaso, nós nos vimos frente a frente.
"Um encontro já escrito nas estrelas",
Talvez assim nos descrevesse um poeta,
Quiçá a maneira mais linda e correta...
Palavras-relíquia; não quero esquecê-las!
Fitamo-nos e vi a luz novamente,
Dei meia-volta e me pus em teu caminho.
Assim, eu nunca mais caminhei sozinho,
Livre das trevas definitivamente...
Tu és quem me desvia dos embaraços.
Cada vez mais, tu iluminas minha vida.
Não sei se tens a recíproca guarida,
Mas sei que és o combustível de meus passos.
De mãos dadas, com todo o amor de verdade,
Nós estaremos juntos até o fim...
Porque bem a tempo tu vieste pra mim,
Foi-se o dilema, veio a felicidade.
Ógui Lourenço Mauri
Catanduva (SP), 10/agosto/2010

Dilema
Elane Tomich
Sou volta do parafuso
o que me afrouxa a razão.
Entre o pensar e o bom uso
mergulho em estar confuso
assim chamado, dilema,
assim pesado qual pena
à sentença de uma escolha
aqui dentro algum tema
de mim ser tira-teima.
Difere da pena, pluma
do arco-íris em bolhas
em esferas transparentes.
Parece coisa nenhuma
parece sim, com os temores
suores em madrugadas
vela que apruma a chama
volteia quase apagada.
Em meio à profusão
gentes transformam gente
em apenas multidão
cega, de olhar em frente
vazia no mesmo rumo
calçada igual sem chão.
Bem sei de algo que clama
e são clamores de amores
geléia de menta e pimenta
aceito e, a mistura esquenta.
É este o molho que escolho
da alma a contradição
a viver, como sou: gente,
o sim no núcleo do não.
T. Otoni, 23 de julho de 2010

Dilema
José M. Raposo
Aceitei fazer um poema
Que me foi encomendado
E tenho em mãos um problema
Para ser solucionado.
Nem sequer sei qual o tema
Que ao mesmo possa ser dado.
Saudade? Vida? Ou o dilema
Dum poeta apaixonado?
Não é p'ra mim tema novo
O que escrevo e vou deixando
Como herança a este povo,
Que aceita ou vai recusando.
Quanto mais dilemas solvo,
Mais problemas vou criando.
FIM