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LISTA DOS
PARTICIPANTES

Paulo Mendonça
“Brasília, DF, 01 de janeiro de 2501”
“...Hoje vivemos na maior paz em que a humanidade experimentou em
12.500
anos. Devemos alimenta-la com a coragem daqueles que muitas vezes
pregaram-na e acabaram morrendo por ela. Muitos revolucionários
tentaram
implantar a paz e a igualdade social através da força de suas armas;
pobres coitados, não sabiam o que estavam fazendo, pois a humanidade
assistiu esses heróis durante milênios e somente hoje conseguimos
essa
realização através da conscientização...”
“...O nosso mundo, no final desse meio milênio, encontra-se muito
mais
humanizado. Não mais existe uma pessoa sequer passando fome ou frio.
Não
existe uma doença sem tratamento eficaz - ninguém mais sofre dor. As
prisões em todo mundo foram reduzidas a menos de 10% quando
comparadas com
o início do milênio. O controle e as proteções contra as intempéries
da
natureza nunca encontraram um avanço tecnológico tão fantástico. O
meio
ambiente recuperou o equilíbrio que existia antes do período em que
os
valores do masculino passaram a destruí-lo insanamente. Hoje o ser
humano,
quando nasce, tem certeza de que a sua vida está garantida por 120
anos,
sem sofrimentos e sem doenças. E o mais importante, as mulheres, com
seus
úteros que trouxeram para a Terra bilhões de humanos, agora possuem
a
certeza que nunca mais vão assistir seus filhos morrendo e sendo
enterrados como heróis de guerras sangrentas e inúteis,
desenvolvidas
pelos nossos homens ancestrais, utilizando seus instintos de corte
animal
de uma forma completamente fora da realidade. Nossos homens não são
mais
os paranóicos do início desse milênio. Conheceram a verdade da vida
sexuada 10.000 anos a.C. e paradoxalmente só há 250 anos descobriram
que
as suas bravuras guerreiras e destruidoras, nada mais eram que inseguranças frente à necessidade de se mostrarem os mais fortes na
corte
do acasalamento (vença o mais forte para gerar filhos mais fortes).
Levaram 12.250 anos para descobrirem o que estava na frente deles e
não
conseguiam enxergar.
“...Nós mulheres tivemos muita culpa, pois não soubemos encontrar o
nossoespaço com sabedoria, nos momentos que nos foram oportunizados, pois
aceitamos, passivamente, todos os valores determinados pela
sociedade
patriarcal como se fossem nossos...”
“...Esse milagre só foi possível porque a mulher entendeu que seus
instintos de fêmea pela manutenção da vida e da espécie tinham que
frear a
agressividade masculina, contribuindo, em igualdade de condições,
nos
planejamentos e nas confecções das leis em todas as nações do mundo.
Acordamos para os nossos reais valores, assumindo com coragem parte
dacondução dessa nau que se encontrava a deriva. ...”
Obrigado
“Lillith Maria do Carmo”
“Presidente do Congresso Nacional”
“República Parlamentarista do Brasil”
Trecho do livro “MULHER Um Resgate Íntimo”, pág 204/205, de autoria
Paulo
Mendonça, Membro Efetivo da AVCPE.
Paulo Mendonça |

ADEUSATERRA
Maria Mercedes Paiva
Desfilava, a Deusa Terra, pela orbe
Risonha, receptiva, doce, gentil...
Vestindo os seus lindos figurinos:
saias de nuvens...trajes compridos...
capas de anil...Soltos ao vento,
deixando ver entre suas saias
a tez macia, magma carne
envolta em relvas, onde gerava
sonhos de vida, de vegetais a animais...
tão criativa!
Enquanto por sua órbita caminhava,
ela cantava com suas vozes de cascatas
coro das ondas em stacatto
sopro de alentos pianinhos,
em movimentos vegetais,
ou o cantar dos passarinhos
escondidos nos matagais.
Ia deixando atrás de si
o frescor e o
perfume dos jardins,
de que era feita:
Hálito dos verdes campos...
Halo de tantos encantos...
Hígida!
Límpida!
Feliz!
Mas, em algum tempo,
n'lgum ponto do caminho
a invadiram (como piratas),
Vidas Humanas!
Inteligentes,
gananciosos,
inconsequentes
e insensíveis,
a saquearam...
a despojaram dos dons
que ela emanava
esgotando seus naturais recursos
de auto renovação!!
Ainda caminha, tropegamente,
a Deusa Terra, por sua rota,
sem mesmo ver onde anda,
pois está cega de ozônio
e sua aura é feita da febre
que os ácidos e quimicas poluentes
lhe conferem, por ambiente climático.
Está doente!
A Deusa Terra!
De uma profunda septicemia
chamada "homem"!
Que a consome
que a abate
à gonia na qual se extingüe
E, quando extinta,
se extinguirá também
a causa de sua consumação!
E em suas pústulas,
os homens pus,
perecerão!
Maria Mercedes Paiva
22.05.07

Água e Vida
Vânia Moreira Diniz
Água fluida, cristalina,
Tão límpida e transparente,
Correndo doce e contínua,
Dela somos eternos carentes.
Água que mitiga nossa sede,
E a ferida lentamente suaviza,
À natureza vida concede,
E aos dias de calor ameniza.
Não viveríamos sem sua existência,
Louvá-la não basta nesse momento,
Mas poupá-la com harmonia.
Luz por entre reflexos nos envia,
Sem ela, ah quanto sofrimento,
Água que entre rios gera calmaria.

Ciclo Vital
Marise Ribeiro
Como um refrigério às chagas,
a chuva acaricia a vida que grita,
lava a face da terra bendita,
penetra e fertiliza de verde o útero faminto.
Verde da árvore que prepara o fruto,
após a florescência, seu tributo...
fruto que sacia o mundo
e o solo ao redor torna fecundo.
Solo coberto de húmus de diversidade,
desde a larva que alimenta o pássaro
até os microorganismos em pluralidade.
No ciclo da vida não se faz reparo,
longe do homem a natureza luta
e recomeça sua perpetuação absoluta.

Mãe natureza
Conceição Bernardino
Já começam a cair as primeiras folhas,
Sobre o meu corpo envolvente
Vestem a minha nudez, ardente
De mil cores, o vento faz as escolhas.
Já sinto o orvalho com que me molhas
A minha alma absorvente,
Sento-me no teu colo reluzente
Aconchegada, valiosamente nas tuas malhas!
Que eu vou tecendo em harmonia
As vestes de um licor suave,
Que eu bebo para brindar a alegria
De te voltar a ver, espirituosa
De áurea... prata dourada,
Sempre tão elegante, tão formosa!

NATUREZA
Gislaine Canales
Mar azul, com tuas ondas,
és o Rei da Natureza!
Vibra a areia, em tuas rondas
e ao teu amor, fica presa!
A natureza me encanta,
me encanta a sua beleza;
ouço a sua voz que canta
e acalanta até a tristeza!
Eu fico triste e surpresa
com essa grande insensatez,
com o mal, que à natureza,
o ser humano já fez!
A pobre da natureza
solicita a extrema-unção;
fica frágil, sem defesa,
perante tanta agressão!

MAIS QUE O VERDE
Fernanda Pietra
Já é enorme
A área mutilada
E cá estamos nós
Implorando razão
Às mentes
Que a transformam em carvão
Mais que o verde que possuis,
Habita em ti nossa existência
Guardo meu grito de revolta
E brado agora: Até quando ?
Malditas máquinas a destruir
O que levou-se século a formar-se
A mão a mata, não é digna
É tão suja quanto a fuligem
Emanada da fumaça
Em que a transformam
Quando nada restar
E o homem se perguntar mediocremente:
"Onde foi que errei ?"
Estará gravado em sua face
O preto carvão,
No suor daqueles
Trabalhadores em troca de migalhas
Amazônia agoniza
Agonizamos nós
Esperando mais que boas intenções
Falta vontade
Falta vergonha
Falta consciência que fazemos parte da fauna
Que se julga superior
E no entanto, mata seu planeta aos poucos
Mais que verde
É o que quero
Não no pasto
Mas nas copas frondosas
Nos troncos gigantes na terra
Não em toras
Chega de serras, madeireiras
Do lucro a custa da matança da natureza.
Ela nos cobrará o que temos de mais importante:
A vida,
Já que a dela , já matamos

DIGAMOS NÃO PARA A DESTRUIÇÃO
DO MEIO-AMBIENTE!
Edvaldo Rosa
Penso que devemos deixar de ser,
fazer morrer em nós o velho senso,
deixar de pensar e ser como andamos pensando e sendo
pra ser apenas mais um ser frente á natureza!
E assim sendo, notar como nossa existencia ganha novo sentido!
Sinto que a pele tem que sentir o calor e o frio naturalmente,
os pés devem pisar a terra e chafurdar na lama,
por que não pisar na relva, quiça na grama,
para sentir o que se sente,
quando toda a nossa gente, se mescla ao meio-ambiente
sem medos, sem resalvas, naturalmente!
E os ventos, sejam brisas, sejam rajadas de vento,.
estes despenteando nossas madeixas,
farão delas apenas cabelos de gente, soltos,
sob a natureza dos ventos...
Penso que o corpo num corpo a corpo com a natureza,
sentirá em si outras naturezas
que não são vaidades nem pompas ou vilezas...
Ele saberá de seus limites
e encontrará outros limites que poderá últrapassar com certeza!
E o jogar-se num rio, abraçando-se á força de suas correntezas,
boiar á tona d'água, afundar-se em sua lâmina d'água...
E nadar em toda a sua inteireza!
E em terra, o corpo sentir-se companheiro de outros corpos...
Sentir o calor que evola d'outros,
e a força que de seus corpos emana...
Ouvir os sons que o circunda...
Os pássaros nas árvores á sua volta,
o canto que de longe o arvoroça os sentidos,
ou antes, o som do silêncio que o apavora...
O som das gotas caindo das folhas, dos galhos, dos ramos, das
árvores...
O som na mata das águas em seus ciclos intermináveis...
Os sons da noite, profunda sem luar ou estrelas, apenas negrumes e
mais nada!
Ouvir os sons do amanhecer... Sons que a luz do dia faz ecoar e que
propaga!
E os olhos... Estes sim tem muito para perceber e apreender:
As cores da terra, as cores do céu...
As cores da relva, as cores que correm soltas ao léu!
A beleza dos pássaros, das corredeiras, dos peixes arrebatados pelos
anzóis...
A beleza das bestas, dos cavalos, dos bois que pastam plenos a rebol!
Os olhos perfilando-se entre as gentes,
as crianças todas tranqüilas, tão traquinas,
os jovens braços fortes, na lide de seu dia a dia,
e os velhos, que são muito moços para serem velhos,
trazendo no rosto uma paz tão tranqüila que nos surpreende e
assusta!
Os olhos, há os olhos... Estes devem ver assim esta nova vida e
fazer compreender
o coração e a mente o quanto é bom pra toda gente viver assim,
em meio á natureza... Plenos com o meio-ambiente
que abre os seus braços pra toda as gentes,
sem fazer distinção...
Sejam nossos olhos atalho pra nossa alma e pro nosso coração
destas verdades que lhes bem digo...
E com nossos novos recém adquiridos sentidos
digamos para a morte da natureza,
para a destruição do meio-ambiente, não!
Não! Não! E não!
Edvaldo Rosa
25/05/2007

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A condenação
A árvore nem bonita
era. Velhusca, ferida pela obra do prédio desde as fundações,
resistia apenas. Poucas folhas nos galhos, nenhuma flor, mas
árvore viva, de qualquer jeito.
No meu caminho diário para a piscina, o ar
canhestro de sua pouca graça. Acostumei com sua visão
depauperada, criei-lhe amizade, talvez por seu ar débil de
deficiente físico a pedir carinho.
Naquela noite, reunião geral de condomínio
do meu edifício. Chego sempre atrasada. Arrisco-me a receber
indiretas, ou mesmo, palavras de acusação. Sinto-me culpada de
delito grave. Mas não me emendo.
Sei que as pessoas gostam de confabular
sobre cada item da longa pauta. Não, de cócoras, “assuntando”
como os caboclos e matutos. De pé, em entusiasmo vociferante e
braços prontos a levantar ou não, a cada proposta do
presidente da mesa. Números e mais números abalam-me a cabeça
pouco afeita à matemática. Listas de reclamações e
providências.
- Vote-se a aprovação das contas. Alguma
dúvida?
Discute-se o material a trocar em volta da
piscina. Eu, que caí e machuquei o joelho talvez para sempre,
aprovo qualquer material não escorregadio.
- Mais algum assunto? Aproveitem a reunião.
Tão cedo não haverá outra.
Fico doida para ir embora: tenho meu
computador “pra me acompanhar”, uma vez que não tenho um
violão, nem “sou popular”, como na canção da bossa-nova.
De repente, matéria de máxima urgência.
Ninguém pode sair. Penso nos deputados a votar a legalização
do aborto. Estremeço.
Era para estremecer de fato: o condomínio
tem que decidir, como Deus, a vida ou a morte. Não, de
humanos, mas de uma árvore. Sinto um arrepio. Nunca havia
pensado sacrificar uma árvore. Escuto, com atenção, o motivo
grave: percevejos em abundância. E eles, com a ventania de
deserto, desenfreada e súbita que se instalou definitivamente
neste verão nublado do Rio de Janeiro, do início de 2007,
infestam os apartamentos.
Penso, com meus botões, à moda antiga: “Não
o meu. Nunca entrou nem entra um percevejo sequer em minha
casa. O argumento, para a lateral do prédio, é improcedente.
A preguiça é maior do que a ânsia de me
mostrar ecológica, em tempos de grandes hecatombes. Passam-me
em diversos flashes os artigos que recebo diariamente sobre
barbaridades ecológicas, praticadas em toda parte. Desde a
devastação criminosa do “pulmão do mundo”, até o lixo sempre
crescente e raramente recolhido nos bairros mais pobres da
pseudo Cidade Maravilhosa. Amazônia, nosso orgulho,
inspiradora de minissérie da TV Globo, tão cobiçada por
estrangeiros!!!
Como ousar, então, enfrentar um bando de
vizinhos, enfurecidos com percevejos, cujo único mal é o
cheiro pestilento de seu rastro, quando sentem ameaças no ar?!
Invocaram também, o mosquito da dengue. Mas, percevejo lá dá
dengue?!
Não seria muito mais necessário implorar ao
prefeito a limpeza do canal, transformado em valão, vergonha
de nossa via, outrora a mais bonita do Leblon?! Ou comprar
inseticida, logo ali no mercado de mil marcas, tiro e queda
para a “praga” dos percevejos voadores?
Ao invés do assassinato pretendido, por que
não implorar ao governador, há pouco empossado, providências
decentes, para os motins, as balas perdidas, nos bairros da
Rocinha ou do Vidigal, nosso vizinhos?
Vejo abismada a ira arfante de uma mulher
com cara de poucos amigos, quando pergunto, modesta: - qual é
a árvore mesmo? E ela me arrasta pela mão, rumo à inimiga a
ser liquidada. Condena-a com o dedo, César no Coliseu da Roma
antiga. Só não grita “aos leões, aos leões” porque não
interessa ao rei dos animais comer vegetação. Carne de cristão
deve ser bem mais gostosa. Pelo menos, nos filmes de Cecil B.
de Mile.
Observo a pobre. É a minha árvore sem
brasão, nem pedigree, quase sem galhos e folhagem, talvez pela
ação dos tais percevejos. Não, certamente, pela idade, uma vez
que a rua é famosa pelas árvores ancestrais intocáveis.
Restou, humilhada, bem perto de uma palmeira imperial,
orgulhosa de sua nobre ascendência. Mirrada, envelhecida,
alquebrada, a infeliz geme ao vento, galhos ressecados a cair,
de vez em quando, na calçada.
Não, não é possível! Logo minha pequena
deficiente! Se a mandam matar, podem repetir o gesto de modo
indiscriminado. E pior, nos seres humanos portadores de
necessidades especiais, tão sem assistência em nosso país.
Não tive coragem de falar, judia apavorada
pelos nazistas. Quem cala...
Mal consigo dormir com o malestar do meu
não-agir covarde. Tenho pesadelos: uma árvore gigantesca, de
conto de Edgard Allan Poe, amaldiçoa-me, vingativa.
No dia seguinte, mergulho para aliviar
tensões. E... surpresa! Noto a árvore quase destruída a nos
exibir dois ramalhetes de flores cor de rosa, pela primeira
vez. Desafiadora, apresenta sua melhor produção, mamãe de mais
de quarenta anos, condenada à esterilidade. Recém-nascidos
rebentos a encherem-me de mais culpa. Choro.
Maria Lindgren |

AMAZÔNIA, REINO VERDEJANTE
Sueli do Espírito Santo
Amazônia, nosso reino verdejante
vertendo a água doce abundante
está humilhada pela inconsciência
daqueles que ferem a sua beleza
ignorando a sua suntuosa realeza
com os desmandos da prepotência
Mesmo estando em chão brasileiro
é ambicionada por tanto estrangeiro
querendo explorar a sua existência
nos rios um murmúrio entristecido
todo o seu habitat está aborrecido
como a dizer "basta de negligência"

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