A ARTE DA SOLIDÃO
Efigênia Coutinho
Parece uma lição difícil de se aprender, praticar intensamente,
seja por horas, dias ou semanas, a Arte da Solidão!
No entanto depois que consigo partir, vou descortinando qualidades preciosas dentro desta solidão. A Vida se movimenta em direção ao vazio, mais rica, mais intensa, mais inteira do que nunca. Afastada da minha própria espécie, tenho a impressão de estar mais próxima de todos atrás de mim. Podendo observar cada um em sua plenitude interior.
Sinto uma certa afinidade impessoal para com todos, uma alegria imensa. A beleza de tudo, do céu, do mar, do luar, se revestem de um significado especial para mim.
Sinto uma harmonia com o Universo, como em meio a uma multidão que entoa um cântico numa catedral.
Na verdade não é a Solitude física que separa as pessoas umas das outras; não é o isolamento físico, mas o isolamento espiritual que as separa dentro do mundo em que vivemos, nos afasta, ficando um deserto de terras áridas dentro do coração, por onde andarmos perdidos e alheios. Quando somos estranhos para nós mesmos, nos tornamos estranhos para com todos.
Descubro que só quando estou em sintonia com meu próprio centro, posso entrar e sentir a sintonia do outro. É, para mim, a melhor maneira de redescobrir meu centro, minha fonte interior, é ficar em total Solitude!
Balneário Camboriú Agosto de 2005