SOLIDÃO
Toda Terra está cheia de Solidão,
porque é ela o repouso da vida
que, no mundo, tal como nos Homens, tem
sua pulsações, entre um e outro suspiro...
Sendo solene, anuncia uma nova vida!
Entre uma e outra onda do Mar, entre
um e outro rugido da Tempestade,
entre um trovão e o trovão,
entre dois abalos de terremoto,
entre dois raios -murmura a Solidão..
A Solidão reveste-se cheia de sombra
e mistérios que vibram numa querida, numa
suave melancolia. Eu gosto da Solidão, longa,
muito longa pois, para mim, é braço de
seda e de versos na alameda do coração!
Nas longas Solidões, os olhares fitam-se
e aprofundam-se uns nos outros, e falam
sem palavras, numa língua que não tem sons,
mas que tem em si o tom de todas as línguas
que os Homens falam e escutam na Terra!
Vem, Solidão, com um beijo à boca ardente,
Vem dar-me a extrema-unção do meu Amor !
Efigênia Coutinho
Balneário Camboriú
2004
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