CORAÇÃO
Conheço um coração, onde elevado sonho,
qual filho de um rei, dono de império vasto,
entre galas se alojou. E, cercando-o risonho,
um bando de ilusões mais lhe aumentava o fasto!
Contemplando-o agora, dolorido e tristonho,
por querer palmilhar do ideal o augusto rasto
sem de todo o lograr, a animá-lo me ponho,
para que não se abata o golpe tão nefasto!
Portanto, à veemência que ele se vai despindo
de um manto santeiro, acetinado e lindo,
e enverga de vagar vestes faltas de brilho...
As minhas lágrimas de dor, eu vou contendo,
e em bom tom digo: volta ao meu coração,
dentro dele você hospedou tua canção!...
Efigênia Coutinho
Camboriú Julho 2007
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