Quando entro numa
floresta, ajoelho-me,
porque ela é a mais
antiga das Igrejas,
em que o primeiro homem
ergueu ao céu
a sua primeira prece: saudação
à Natureza!
Não há sacerdotes nesta
Igreja, nem velas no seu
altar,nem fumos de
incenso, que saiam dos
turíbulos de
prata! Há uma multidão silenciosa,
que
estende os braços robustos para o
alto...
E, sobre aqueles braços, uma
multidão de mãos,
se abrem para
implorar a vida ao sol,que tudo cria.
A
natureza mais sábia, soube na Floresta
preparar
bálsamos diversos, para todos
os males da alma.
Porque todas
aquelas folhas verdes e sussurrantes
ao
vento, dizem a sua prece num murmúrio
misterioso
duma língua sem palavras,
tudo reza: rezam as folhas,
e com elas os
insetos da Terra nos ramos entre a
cortiça!
Ali, reencontro-me como uma
criança, num berço onde a
vida germina
e cresce, lenta, esperançosa, apontando
a
Natureza Futurecida! Nasce-se e
morre-se a cada hora
a cada minuto naquele
berço esmeraldino e fresco...
Brasil,
Rio de Janeiro,30,10.2003