DOCE MELANCOLIA


Remonto-me à canção de Pindemonte
Na peregrinação da minha alma alheia,
Noutra alma introduzida e escondida
De cravos e de rosas sendo cheia!...

Cheiro dimelas, lírios duma seara
Com a aridez sorvida pelas chuvas.
E sinto o salso aroma de Neptuno
Falando-me do sentido desta terra.

É o sentido da vida numa esfrega
E que grita surdo num sussurro;
O tato, sim, o tato duma fera
E vai tomando corpo na esfera.

Na dor do coração batido a murro,
Tão violento, palpita, faz alarido,
Sai fora do meu peito, e, extenuado,
Vive a sombra dum sonho Futurecido.

Rebentando na mais doce melodia
Porque serena será a sua melancolia.
É sim, melancolia, eufonia de melopéia,
São sonhos e sentimentos fundidos...

Aspirando suspiros traídos do prazer,
Não sendo nem volúpia nem desejo
Mas prazer de poesia na alma cheia,
Pelo murmúrio da noite com lua cheia!...


Efigênia Coutinho (Mallemont)
Brasil, 10.11.2003

 

 

 


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