JANELA DA VIDA
Da janela do quarto avisto um morro...
Ele é um corpo de pedra assoberbado;
Desafia a terra e o céu e tem um gorro
no seu perfil gigante e endeusado.
Observo o seu porte alheio ao mundo
tão distante das guerras e das mágoas,
invisível no tempo, doendo-me fundo
na falta de esperança do resgate!
Não sofre esta montanha... é sobranceira,
sem rosto nem idade, inerte, augusta!
Quem me dera que fosses à sua beira!
Porque teu talhe heróico muito custa...
É o sofrimento duma vida inteira
que dobra o dorso teu nessa canseira.
Efigênia Coutinho (Mallemont)
Brasil, 08,10,2003
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