Soneto
NOTA:
Tradução
do
poema
de
Félix
Anvers
Segredo
d'alma,
da
existência
arcano,
Eterno
amor
num
instante
concebido,
Mal
sem
esperança,
oculto
a
ente
humano,
E
nunca
de
quem
fê-lo
conhecido.
Ai!
Perto
dela
desapercebido
Sempre
a
seu
lado,
e
só,
cruel
engano,
Na
terra
gastarei
meu
ser
insano
Nada
ousando
pedir
e
havendo
tido!
Se
Deus
a
fez
tão
doce
e
carinhosa,
Contudo
anda
inatenta
e
descuidosa
Do
murmúrio
de
amor
que
a
tem
seguido.
Piamente
ao
cru
dever
sempre
fiel
Dirá
lendo
a
poesia,
seu
painel:
"Que
mulher
é?"
Sem
tê-lo
compreendido.
Dom
Pedro
II
O
Beija-Flor
NOTA:
Tradução
do
poema
"Le
Colibri",
de
Leconte
de
Lisle
O
verde
beija-flor,
rei
das
colinas,
Vendo
o
rocio
e
o
sol
brilhante
Luzir
no
ninho,
trança
d'ervas
finas,
Qual
fresco
raio
vai-se
pelo
ar
distante.
Rápido
voa
ao
manancial
vizinho,
Onde
os
bambus
sussurram
como
o
mar,
Onde
o
açoká
rubro,
em
cheiros
de
carinho,
Abre,
e
eis
no
peito
úmido
a
fuzilar.
Desce
sobre
a
áurea
flor
a
repousar,
E
em
rósea
taça
amor
a
inebriar,
E
morre
não
sabendo
se
a
pode
esgotar!
Em
teus
lábios
tão
puros,
minha
amada,
Tal
minha
alma
quisera
terminar,
Só
do
primeiro
beijo
perfumada!
Dom
Pedro
II
Ingratos
Não
maldigo
o
rigor
da
iníqua
sorte,
Por
mais
atroz
que
fosse
e
sem
piedade,
Arrancando-me
o
trono
e
a
majestade,
Quando
a
dous
passos
só
estou
da
morte.
Do
jogo
das
paixões
minha
alma
forte
Conhece
bem
a
estulta
variedade,
Que
hoje
nos
dá
contínua
f'licidade
E
amanhã
nem
—
um
bem
que
nos
conforte.
Mas
a
dor
que
excrucia
e
que
maltrata,
A
dor
cruel
que
o
ânimo
deplora,
Que
fere
o
coração
e
pronto
mata,
É
ver
na
mão
cuspir
a
extrema
hora
A
mesma
boca
aduladora
e
ingrata,
Que
tantos
beijos
nela
pôs
—
outrora.
Dom
Pedro
II
Terra
do
Brasil
Espavorida
agita-se
a
criança,
De
noturnos
fantasmas
com
receio,
Mas
se
abrigo
lhe
dá
materno
seio,
Fecha
os
doridos
olhos
e
descansa.
Perdida
é
para
mim
toda
a
esperança
De
volver
ao
Brasil;
de
lá
me
veio
Um
pugilo
de
terra;
e
neste
creio
Brando
será
meu
sono
e
sem
tardança...
Qual
o
infante
a
dormir
em
peito
amigo,
Tristes
sombras
varrendo
da
memória,
ó
doce
Pátria,
sonharei
contigo!
E
entre
visões
de
paz,
de
luz,
de
glória,
Sereno
aguardarei
no
meu
jazigo
A
justiça
de
Deus
na
voz
da
história!
Dom
Pedro
II
I
-
À
Morte
do
Príncipe
D.
Pedro
Pode
o
artista
pintar
a
imagem
morta
Da
mulher,
por
quem
dera
a
própria
vida.
À
esposa
que
a
ventura
vê
perdida
Casto
e
saudoso
beijo
inda
conforta.
A
imitar-lhe
os
exemplos
nos
exorta
O
amigo
na
extrema
despedida...
Mas
dizer
o
que
sente
a
alma
partida
Do
pai,
a
quem,
oh
Deus,
tua
espada
corta.
A
flor
de
seu
futuro,
o
filho
amado;
Quem
o
pode,
Senhor,
se
mesmo
o
Teu
Só
morrendo
livrou-nos
do
pecado,
Se
a
terra
à
voz
do
Gólgota
tremeu
E
o
sangue
do
Cordeiro
Imaculado
Até
o
próprio
céu
enegreceu!
Dom
Pedro
II