AVE!
MARIA...
Ave!
Maria
das
Estrelas,
Ave!
Cheia
de
graça
do
luar,
Maria!
Harmonia
de
cântico
suave,
Das
harpas
celestiais
branda
harmonia...
Nuvem
d'incensos
através
da
nave
Quando
o
templo
de
pompas
irradia
E
em
prantos
o
órgão
vai
plangendo
grave
A
profunda
e
gemente
litania...
Seja
bendito
o
fruto
do
teu
ventre,
Jesus,
mais
belo
dentre
os
astros
e
entre
As
mulheres
judaicas
mais
amado...
Ó
Luz!
Eucaristia
da
beleza,
Chama
sagrada
no
Evangelho
acesa,
Maravilha
do
Amor
e
do
Pecado!
Cruz
e
Souza
SONETOS
Do
som,
da
luz
entre
os
joviais
duetos,
Como
uma
chusma
alada
de
gaivotas,
Vindos
das
largas
amplidões
remotas,
Batem
as
asas
todos
os
sonetos.
Vão
--
por
estradas,
por
difíceis
rotas,
Quatorze
versos
--
entre
dois
quartetos
E
duas
belas
e
luzidas
frotas
Rijas,
seguras,
de
mais
dois
tercetos.
Com
a
brunida
lâmina
da
lima,
Vão
céus
radiosos,
horizontes
acima,
Pelas
paragens
límpidas,
gentis,
Atravessando
o
campo
das
quimeras,
Aberto
ao
sol
das
flóreas
primaveras,
Todo
estrelado
de
áureos
colibris.
Cruz
e
Souza
FRUTAS
E
FLORES
Laranjas
e
morangos
--
quanto
às
frutas,
Quanto
às
flores,
porém,
ah!
quanto
às
flores,
Trago-te
dálias
rubras,
d'essas
cores
Das
brilhantes
auroras
impolutas.
Venho
de
ouvir
as
misteriosas
lutas
Do
mar
chorando
lágrimas
de
amores;
Isto
é,
venho
de
estar
entre
os
verdores
De
um
sítio
cheio
de
asperezas
brutas,
Mas
onde
as
almas
--
pássaros
que
voam
--
Vivem
sorrindo
às
músicas
que
ecoam
Dos
campos
livres
na
rural
pobreza.
Trago-te
frutas,
flores,
só
apenas,
Porque
não
pude,
irmã
das
açucenas,
Trazer-te
o
mar
e
toda
a
natureza!
Cruz
e
Souza
ÊXTASE
Quando
vens
para
mim,
abrindo
os
braços
Numa
carícia
lânguida
e
quebrada,
Sinto
o
esplendor
de
cantos
de
alvorada
Na
amorosa
fremência
dos
teus
passos.
Partindo
os
duros
e
terrestres
laços,
A
alma
tonta,
em
delírio,
alvoroçada,
Sobe
dos
astros
a
radiosa
escada
Atravessando
a
curva
dos
espaços.
Vens,
enquanto
que
eu,
perplexo
d'espanto,
Mal
te
posso
abraçar,
gozar-te
o
encanto
Dos
seios,
dentre
esses
rendados
folhos.
Nem
um
beijo
te
dou!
abstrato
e
mudo
Diante
de
ti,
sinto-te,
absorto
em
tudo,
Uns
rumores
de
pássaros
nos
olhos.
Cruz
e
Souza
LUAR
Ao
longo
das
louríssimas
searas
Caiu
a
noite
taciturna
e
fria...
Cessou
no
espaço
a
límpida
harmonia
Das
infinitas
perspectivas
claras.
As
estrelas
no
céu,
puras
e
raras,
Como
um
cristal
que
nítido
radia,
Abrem
da
noite
na
mudez
sombria
O
cofre
ideal
de
pedrarias
caras.
Mas
uma
luz
aos
poucos
vai
subindo
Como
do
largo
mar
ao
firmamento
--
abrindo
Largo
clarão
em
flocos
d'escomilha.
Vai
subindo,
subindo
o
firmamento!
E
branca
e
doce
e
nívea,
lento
e
lento,
A
lua
cheia
pelos
campos
brilha...
Cruz
e
Souza
CELESTE
Vi-te
crescer!
tu
eras
a
criança
Mais
linda,
mais
gentil,
mais
delicada:
Tinhas
no
rosto
as
cores
da
alvorada
E
o
sol
disperso
pela
loira
trança.
Asas
tinhas
também,
as
da
esperança...
E
de
tal
sorte
eras
sutil
e
alada
Que
parecias
ave
arrebatada
Na
luz
do
Espaço
onde
a
razão
descansa!
Depois,
então,
fizeste-te
menina,
Visão
de
amor,
puríssima,
divina,
Perante
a
qual
ainda
hoje
me
ajoelho.
Cresceste
mais!
És
bela
e
moça
agora...
Mas
eu,
que
acompanhei
toda
essa
aurora,
Sinto
bem
quanto
estou
ficando
velho.
Cruz
e
Souza
