L
Memórias
do
presente,
e
do
passado
Fazem
guerra
cruel
dentro
em
meu
peito;
E
bem
que
ao
sofrimento
ando
já
feito,
Mais
que
nunca
desperta
hoje
o
cuidado.
Que
diferente,
que
diverso
estado
É
este,
em
que
somente
o
triste
efeito
Da
pena,
a
que
meu
mal
me
tem
sujeito,
Me
acompanha
entre
aflito,
e
magoado!
Tristes
lembranças!
e
que
em
vão
componho
A
memória
da
vossa
sombra
escura!
Que
néscio
em
vós
a
ponderar
me
ponho!
Ide-vos;
que
em
tão
mísera
loucura
Todo
o
passado
bem
tenho
por
sonho;
Só
é
certa
a
presente
desventura.
Cláudio
Manuel
da
Costa
LI
Adeus,
ídolo
belo,
adeus,
querido,
Ingrato
bem;
adeus:
em
paz
te
fica;
E
essa
vitória
mísera
publica,
Que
tens
barbaramente
conseguido.
Eu
parto,
eu
sigo
o
norte
aborrecido
De
meu
fado
infeliz:
agora
rica
De
despojos,
a
teu
desdém
aplica
O
rouco
acento
de
um
mortal
gemido.
E
se
acaso
alguma
hora
menos
dura
Lembrando-te
de
um
triste,
consultares
A
série
vil
da
sua
desventura;
Na
imensa
confusão
de
seus
pesares
Acharás,
que
ardeu
simples,
ardeu
pura
A
vítima
de
uma
alma
em
teus
altares.
Cláudio
Manuel
da
Costa
LII
Que
molesta
lembrança,
que
cansada
Fadiga
é
esta!
vejo-me
oprimido,
Medindo
pela
magoa
do
perdido
A
grandeza
da
glória
já
passada.
Foi
grande
a
dita
sim;
porem
lembrada,
Inda
a
pena
é
maior
de
a
haver
perdido;
Quem
não
fora
feliz,
se
o
haver
sido
Faz,
que
seja
a
paixão
mais
avultada!
Propício
imaginei
(é
bem
verdade)
O
malévolo
fado:
oh
quem
pudera
Conhecer
logo
a
hipócrita
piedade!
Mas
que
em
vão
esta
dor
me
desespera,
Se
já
entorpecida
a
enfermidade
Inda
agora
o
remédio
se
pondera!
Cláudio
Manuel
da
Costa
LIII
Ou
já
sobre
o
cajado
te
reclines,
Venturoso
pastor,
ou
já
tomando
Para
a
serra,
onde
as
cabras
vais
chamando,
A
fugir
os
meus
ais
te
determines.
Lá
te
quero
seguir,
onde
examines
Mais
vivamente
um
coração
tão
brando;
Que
gosta
só
de
ouvir-te,
ainda
quando
Mais
sem
razão
me
acuses,
mais
crimines.
Que
te
fiz
eu,
pastor
?
em
que
condenas
Minha
sincera
fé,
meu
amor
puro?
A
s
provas,
que
te
dei,
serão
pequenas?
Queres
ver,
que
esse
monte
áspero,
e
duro
Sabe,
que
és
causa
tu
das
minhas
penas?
Pergunta-lhe;
ouvirás,
o
que
te
juro.
Cláudio
Manuel
da
Costa
LIV
Ninfas
gentis,
eu
sou,
o
que
abrasado
Nos
incêndios
de
Amor,
pude
alguma
hora,
Ao
som
da
minha
cítara
sonora,
Deixar
o
vosso
império
acreditado.
Se
vós,
glórias
de
amor,
de
amor
cuidado,
Ninfas
gentis,
a
quem
o
mundo
adora,
Não
ouvis
os
suspiros,
de
quem
chora,
Ficai-vos;
eu
me
vou;
sigo
o
meu
fado.
Ficai-vos;
e
sabei,
que
o
pensamento
Vai
tão
livre
de
vós,
que
da
saudade
Não
receia
abrasar-se
no
tormento.
Sim;
que
solta
dos
laços
a
vontade,
Pelo
rio
hei
de
ter
do
esquecimento
Este,
aonde
jamais
achei
piedade.
Cláudio
Manuel
da
Costa