SONETO
Mestre,
Mestre
querido,
Pai
de
Amor,
As
glórias
que
conquistas
co'a
razão,
Enchendo
de
prazer
teu
coração
T'atraem
grandes
bençãos
do
Senhor!
Os
teus
louros
têm
mais
vivo
fulgor,
Que
os
ganhos
ao
ribombo
do
canhão;
Que
os
de
um
Aníbal,
d'um
Napoleão,
Alcançados
das
mortes
entre
o
horror.
Sim!
Que
os
louros
terríveis
que
Mavorte
Ao
soldado
concede
em
dura
guerra,
Todos
murcha
a
idéia
só
da
morte!
Mas
nos
teus
vero
mérito
se
encerra,
Que
não
cede
do
tempo
ao
braço
forte,
E
alcançam
justo
prêmio
além
da
terra!...
Castro
Alves
4a
SOMBRA
-
FABÍOLA
Como
teu
riso
dói...
como
na
treva
Os
lêmures
respondem
no
infinito:
Tens
o
aspecto
do
pássaro
maldito,
Que
em
sânie
de
cadáveres
se
ceva!
Filha
da
noite!
A
ventania
leva
Um
soluço
de
amor
pungente,
aflito...
Fabíola!...
É
teu
nome!...
Escuta
é
um
grito,
Que
lacerante
para
os
céus
s'eleva!...
E
tu
folgas,
Bacante
dos
amores,
E
a
orgia
que
a
mantilha
te
arregaça,
Enche
a
noite
de
horror,
de
mais
horrores...
É
sangue,
que
referve-te
na
taça!
É
sangue,
que
borrifa-te
estas
flores!
E
este
sangue
é
meu
sangue...
é
meu...
Desgraça!
Castro
Alves
1a
SOMBRA
-
MARIETA
Como
o
gênio
da
noite,
que
desata
O
véu
de
,
rendas
sobre
a
espádua
nua,
Ela
solta
os
cabelos...
Bate
a
lua
Nas
alvas
dobras
de
um
lençol
de
prata
O
seio
virginal
que
a
mão
recata,
Embalde
o
prende
a
mão...
cresce,
flu
Sonha
a
moça
ao
relento...
Além
na
Preludia
um
violão
na
serenata!...
...
Furtivos
passos
morrem
no
lajedo...
Resvala
a
escada
do
balcão
discreta...
Matam
lábios
os
beijos
em
segredo...
Afoga-me
os
suspiros,
Marieta!
Oh
surpresa!
oh
palor!
oh
pranto!
oh
medo!
Ai!
noites
de
Romeu
e
Julieta...
Castro
Alves
5a
e
6a
SOMBRAS
-
CÂNDIDA
E
LAURA
Como
no
tanque
de
um
palácio
mago,
Dous
alvos
cisnes
na
bacia
lisa,
Como
nas
águas
que
o
barqueiro
frisa,
Dous
nenúfares
sobre
o
azul
do
lago,
Como
nas
hastes
em
balouço
vago
Dous
lírios
roxos
que
acalenta
a
brisa,
Como
um
casal
de
juritis
que
pisa
O
mesmo
ramo
no
amoroso
afago....
Quais
dous
planetas
na
cerúlea
esfera,
Como
os
primeiros
pâmpanos
das
vinhas,
Como
os
renovos
nos
ramais
da
hera,
Eu
vos
vejo
passar
nas
noites
minhas,
Crianças
que
trazeis-me
a
primavera...
Crianças
que
lembrais-me
as
andorinhas!
...
Castro
Alves
7a
SOMBRA
-
DULCE
Se
houvesse
ainda
talismã
bendito
Que
desse
ao
pântano
-
a
corrente
pura,
Musgo
-
ao
rochedo,
festa
-
à
sepultura,
Das
águias
negras
-
harmonia
ao
grito...,
Se
alguém
pudesse
ao
infeliz
precito
Dar
lugar
no
banquete
da
ventura...
E
tocar-lhe
o
velar
da
insônia
escura
No
poema
dos
beijos
-
infinito...,
Certo.
.
.
serias
tu,
donzela
casta,
Quem
me
tomasse
em
meio
do
Calvário
A
cruz
de
angústias
que
o
meu
ser
arrasta!.
.
.
Mas
,se
tudo
recusa-me
o
fadário,
Na
hora
de
expirar,
ó
Dulce,
basta
Morrer
beijando
a
cruz
de
teu
rosário!...
Castro
Alves
8a
SOMBRA
-
ÚLTIMO
FANTASMA
Quem
és
tu,
quem
és
tu,
vulto
gracioso,
Que
te
elevas
da
noite
na
orvalhada?
Tens
a
face
nas
sombras
mergulhada...
Sobre
as
névoas
te
libras
vaporoso
...
Baixas
do
céu
num
vôo
harmonioso!...
Quem
és
tu,
bela
e
branca
desposada?
Da
laranjeira
em
flor
a
flor
nevada
Cerca-te
a
fronte,
ó
ser
misterioso!
...
Onde
nos
vimos
nós?
És
doutra
esfera
?
És
o
ser
que
eu
busquei
do
sul
ao
norte.
.
.
Por
quem
meu
peito
em
sonhos
desespera?
Quem
és
tu?
Quem
és
tu?
-
És
minha
sorte!
És
talvez
o
ideal
que
est'alma
espera!
És
a
glória
talvez!
Talvez
a
morte!
Castro
Alves