À
ALMA
DE
MINHA
MÃE
Partiu-se
o
fio
branco
e
delicado
Dos
sonhos
de
minh'alma
desditosa...
E
as
contas
do
rosário
assim
quebrado
Caíram
como
folhas
de
uma
rosa.
Debalde
eu
as
procuro
lacrimosa,
Estas
doces
relíquias
do
Passado,
Para
guardá-las
na
urna
perfumosa,
Do
meu
seio
no
cofre
imaculado.
Aí!
se
eu
ao
menos
uma
só
pudesse
D'estas
contas
achar
que
me
fizesse
Lembrar
um
mundo
de
alegrias
doidas...
Feliz
seria...
Mas
minh'alma
atenta
Em
vão
procura
uma
continha
benta:
Quando
partiste
m'as
levaste
todas!
Auta
de
Souza
ORAÇÃO
DA
NOITE
Ajoelhada,
ó
meu
Deus,
e
as
duas
mãos
unidas,
Olhos
fitos
na
Cruz,
imploro
a
tua
graça...
Esconde-me,
Jesus!
da
treva
que
esvoaça
Na
tristeza
e
no
horror
das
noites
mal
dormidas,
Maria!
Virgem
mãe
das
almas
compungidas,
Sorriso
no
prazer,
conforto
na
desgraça...
Recolhe
essa
oração
que
nos
meus
lábios
passa
Em
palavras
de
fé
no
teu
amor
ungidas.
Anjo
de
minha
guarda,
ó
doce
companheiro!
Tu
que
levas
do
berço
ao
porto
derradeiro
O
lúrido
batel
de
meu
sonhar
sem
fim,
Dá-me
o
sono
que
traz
o
bálsamo
ao
tormento,
Afoga
o
coração
no
mar
do
esquecimento...
Abre
as
asas,
meu
anjo,
e
estende-as
sobre
mim.
Auta
de
Souza
O
BEIJA-FLOR
Acostumei-me
a
vê-lo
todo
o
dia
De
manhãzinha,
alegre
e
prazenteiro,
Beijando
as
brancas
flores
de
um
canteiro
No
meu
jardim
-
a
pátria
da
ambrosia.
Pequeno
e
lindo,
só
me
parecia
Que
era
da
noite
o
sonho
derradeiro...
Vinha
trazer
às
rosas
o
primeiro
Beijo
do
Sol,
n'essa
manhã
tão
fria!
Um
dia,
foi-se
e
não
voltou...
Mas,
quando
A
suspirar,
me
ponho
contemplando,
Sombria
e
triste,
o
meu
jardim
risonho...
Digo,
a
pensar
no
tempo
já
passado;
Talvez,
ó
coração
amargurado,
Aquele
beija-flor
fosse
o
teu
sonho!
Auta
de
Souza
NUM
LEQUE
Na
gaze
loura
d'este
leque
adeja
Não
sei
que
aroma
místico
e
encantado...
Doce
morena!
Abençoado
seja
O
doce
aroma
de
teu
leque
amado!
Quando
o
entreabres,
a
sorrir,
na
Igreja,
O
templo
inteiro
fica
embalsamado...
Até
minh'alma
carinhosa
o
beija,
Como
a
toalha
de
um
altar
sagrado.
E
enquanto
o
aroma
inebriante
voa,
Unido
aos
hinos
que,
no
coro,
entoa
A
voz
de
um
órgão
soluçando
dores,
Só
me
parece
que
o
choroso
canto
Sobe
da
gaze
de
teu
leque
santo,
Cheio
de
luz
e
de
perfume
e
flores!
Auta
de
Souza
HOJE
Fiz
anos
hoje...
Quero
ver
agora
Se
este
sofrer
que
me
atormenta
tanto
Me
não
deixa
lembrar
a
paz,
o
encanto,
A
doce
luz
de
meu
viver
de
outr'ora.
Tão
moça
e
mártir!
Não
conheço
aurora,
Foge-me
a
vida
no
correr
do
pranto,
Bem
como
a
nota
de
choroso
canto
Que
a
noite
leva
pelo
espaço
em
fora.
Minh'alma
voa
aos
sonhos
do
passado,
Em
busca
sempre
d'esse
ninho
amado
Onde
pousava
cheia
de
alegria.
Mas,
de
repente,
num
pavor
de
morte,
Sente
cortar-lhe
o
vôo
a
mão
da
sorte...
Minha
ventura
só
durou
um
dia.
Auta
de
Souza
