Soneto
Aurora
morta,
foge!
Eu
busco
a
virgem
loura
Que
fugiu-me
do
peito
ao
teu
clarão
de
morte
E
Ela
era
a
minha
estrela,
o
meu
único
Norte,
O
grande
Sol
de
afeto
-
o
Sol
que
as
almas
doura!
Fugiu...
e
em
si
a
Luz
consoladora
Do
amor
-
esse
clarão
eterno
d'alma
forte
-
Astro
da
minha
Paz,
Sírius
da
minha
Sorte
E
da
Noute
da
vida
a
Vênus
Redentora.
Agora,
oh!
Minha
Mágoa,
agita
as
tuas
asas,
Vem!
Rasga
deste
peito
as
nebulosas
gazas
E,
num
Pálio
auroral
de
Luz
deslumbradora,
Ascende
à
Claridade.
Adeus
oh!
Dia
escuro,
Dia
do
meu
Passado!
Irrompe,
meu
Futuro;
Aurora
morta,
foge
-
eu
busco
a
virgem
loura!
Augusto
dos
Anjos
Anseio
Nessas
paragens
desoladas,
onde
O
silêncio
campeia
soberano
Morreram
notas
do
bulício
humano,
Nem
vibra
a
corda
que
a
saudade
esconde.
Anseios
d'alma
aqui
se
perdem.
Donde
Fluiu
outrora
a
luz
dum
doce
engano,
Hoje
é
trevas,
é
dor,
é
desengano,
E
eu
ergo
preces
que
ninguém
responde.
Triste
criança
virginal,
quem
dera
Voar
est'alma
a
ti,
longe
dos
laços
Dessa
jaula
de
carne
que
a
encarcera!
Ah!
Que
unidos
assim,
lá
nos
espaços,
Cantarias
do
amor
a
primavera,
Tendo
a
minh'alma
presa
nos
teus
braços!
Augusto
dos
Anjos
Saudade
Hoje
que
a
mágoa
me
apunhala
o
seio,
E
o
coração
me
rasga
atroz,
imensa,
Eu
a
bendigo
da
descrença,
em
meio,
Porque
eu
hoje
só
vivo
da
descrença.
À
noute
qaundo
em
funda
soledade
Minh'alma
se
recolhe
tristemente,
P'ra
iluminar-me
a
alma
descontente,
Se
acende
o
círio
triste
da
Saudade.
E
assim
afeito
às
mágoas
e
ao
tormento,
E
à
dor
e
ao
sofrimento
eterno
afeito,
Para
dar
vida
à
dor
e
ao
sofrimento,
Da
saudade
na
campa
enegrecida
Guardo
a
lembrança
que
me
sangra
o
peito,
Mas
que
no
entanto
me
alimenta
a
vida.
Augusto
dos
Anjos
A
Esperança
A
Esperança
não
murcha,
ela
não
cansa,
Também
como
ela
não
sucumbe
a
Crença.
Vão-se
sonhos
nas
asas
da
Descrença,
Voltam
sonhos
nas
asas
da
Esperança.
Muita
gente
infeliz
assim
não
pensa;
No
entanto
o
mundo
é
uma
ilusão
completa,
E
não
é
a
Esperança
por
sentença
Este
laço
que
ao
mundo
nos
manieta?
Mocidade,
portanto,
ergue
o
teu
grito,
Sirva-te
a
crença
de
fanal
bendito,
Salve-te
a
glória
no
futuro
-
avança!
E
eu,
que
vivo
atrelado
ao
desalento,
Também
espero
o
fim
do
meu
tormento,
Na
voz
da
morte
a
me
bradar:
descansa!
Augusto
dos
Anjos
Amor
e
Religião
Conheci-o:
era
um
padre,
um
desses
santos
Sacerdotes
da
Fé
de
crença
pura,
Da
sua
fala
na
eternal
doçura
Falava
o
coração.
Quantos,
oh!
Quantos
Ouviram
dele
frases
de
candura
Que
d'infelizes
enxugavam
prantos!
E
como
alegres
não
ficaram
tantos
Corações
sem
prazer
e
sem
ventura!
No
entanto
dizem
que
este
padre
amara.
Morrera
um
dia
desvairado,
estulto,
Su'alma
livre
para
o
Céu
se
alara.
E
Deus
lhe
disse:
"És
duas
vezes
santo,
Pois
se
da
Religião
fizeste
culto,
Foste
do
amor
o
mártir
sacrossanto."
Augusto
dos
Anjos
