SIMPLES
SONETO
Desejado
soneto
este
que
é
escrito
sem
as
firulas
graves
do
solene,
que
leva
na
palavra
o
simples
rito
da
fala
cotidiana.
Não
condene
no
entanto,
a
falta
de
um
estro
especioso,
nem
de
brega
rotule
esse
meu
vezo.
Apenas
sinta
o
som
oco
e
poroso
do
fundo
mar
de
anêmonas,
o
peso
rarefeito
das
algas
nos
peraus.
Essa
cantiga
filtra
nossos
medos,
as
culpas
e
os
tabus,
e
dá-me
o
aval
para
buscar
o
simples
e
em
querê-lo
ornamento
de
estética
espartana
na
faxina
ao
supérfluo
que
se
espana.
Anibal
Beça
PARA
QUE
SERVE
A
POESIA?
De
servir-se
utensílio
dia
a
dia
utilidade
prática
aplicada,
o
nada
sobre
o
nada
anula
o
nada
por
desvendar
mistério
na
magia.
O
sonho
em
fantasia
iluminada
aqui
se
oferta
em
módica
quantia
por
camelôs
de
palavras
aladas
marreteiros
de
mansa
mercancia.
De
pagamento,
apenas
um
sorriso
de
nuvens,
uma
fatia
de
grama
de
orvalho
e
o
fugaz
fulgor
de
astro
arisco.
Serena
sentença
em
sina
servida,
seu
valor
se
aquilata
e
se
esparrama
na
livre
chama
acesa
de
quem
ama.
Anibal
Beça
SONETO
PARA
EUGÊNIA
O
tempo
que
te
alonga
todo
dia
é
duração
que
colhes
na
paisagem,
tão
distante
e
tão
perto
em
ventania,
sitiando
limites
na
viagem.
Desse
mar
que
se
afasta
em
maresia
o
vago
em
teu
olhar
se
faz
aragem
nas
vagas
que
se
vão
em
vaga
via
vigia
de
teus
pés
no
vão
das
margens.
E
o
fio
da
teia
vai
fugindo
fosco,
irreparável
névoa
pressentida
nos
livros
que
não
leste,
nesses
poucos
momentos
que
sobravam
da
medida.
Angústia
de
ponteiros,
sol
deposto,
no
tédio
das
desoras
foge
a
vida.
Vida
que
bem
mereces
por
inteiro,
e
é
pouca
a
que
te
dou
de
companheiro.
Anibal
Beça
SONETO
DA
SENTIDA
SOLIDÃO
A
falta
é
complemento
da
saudade,
servida
em
larga
ausência
nos
ponteiros,
bandeja
dos
segundos
que
se
evade,
em
pasto
das
desoras,
sorrateira.
Estar
é
seduzir
sem
muito
alarde,
no
avaro
aqui
agora
companheiro,
o
porto
da
atenção
que
se
me
guarde
o
ser
presente
da
sanha
viageira.
Partir
é
sentimento
de
voltar,
liberta,
eu
sei,
no
vento
e
seu
afoite,
navega
a
sina
em
rasa
preamar;
ela,
essa
ausente,
é
dona
e
meu
açoite,
no
seu
impulso
presto
em
navegar,
vai
se
enfunando
em
névoa
pela
noite.
Anibal
Beça
ESPELHO
(II)
Para
fechar
sem
chave
a
minha
sina
Clara
inversão
da
jaula
das
palavras
As
vestes
da
sintaxe
que
componho
De
baixo
para
cima
é
que
renovo.
Escancarando
um
solo
transmutado
Para
o
sol
da
surpresa
nas
janelas
Ao
mesmo
pouso
de
ave
renascida
Do
fim
regresso
fera
não
domada.
Na
duração
que
escorre
nessa
arena
Lambendo
vem
a
pressa
em
que
me
aposto.
Nessa
voragem,
vaga
um
mar
de
calma
Que
me
alimenta
os
ossos
da
memória.
Sobrada
sobra,
cinza
dos
minutos,
O
que
sobrou
de
mim
são
essas
sombras
Anibal
Beça