HORA TRANSPARENTE
Efigênia Coutinho
Transparentes céu, mar, terra e o
ar,
nem os sonhos se mexem na alma,
nem desejos quentes. Nada turva
este aspirar bom das coisas calmas.
E vem vindo lá de cima canção do
fundo
que nasce do cristalino de nós mesmos
e adeja no ar sobre brumas celestes
embalando a alma, o corpo se soltando.
Tudo é paz na transparência desta
hora;
o silencio que canta na voz dos anjos,
a Paz das distâncias azuis dentro de nós.
Modelando a face com argila para os sonhos.
Vem o calmo aroma - ocre das
folhas
de outono. Longe vão a noite, o mar e o luar,
eternizando num único momento toda cor!
Paisagem que penetro, distraída, à espera!
Balneário Camboriú 23.10.2008