Espanta-te...!
Efigênia Coutinho

Mudas o legado do teu sonho, 
ao instante em que ele vem,
cúmplice, absoluto, meu sonho,
desta tranqüilidade que faz bem.

Vem vindo um silvo pelo ar, 
muito além, além de mim...
Quero em silêncio te amar,
sendo o meu legado sem fim.

Neste silêncio um beijo sela,
a paixão que vem da alma
feito cores vivas de aquarela,
que conforta, completa e acalma.

E numa canção de acalanto
solto a garganta para cantar,
vou te levar neste encanto...
Espanta-te...? Vou te amar!...
Balneário Camboiú
Janeiro 2010
 UM CANTO EM SILÊNCIO
Odir Milanez Cunha


O silêncio que canta no meu peito
é semelhante ao senso da saudade.
Como um coro celeste, ele tem jeito 
de sonata, de sã felicidade.

É um canto de amor a teu respeito,
pautado na vivência da vontade.
Embora mudo, tem o mesmo efeito
da voz de um vate em versos de verdade.

Quando um canto silente me acontece,
eu concedo que conta de mim tome,
como de mim teu corpo ousado houvesse!

E vivendo esse amor, que me consome,
escuto o teu silêncio, que anoitece,
enquanto rezo preces ao teu nome...

 

João Pessoa, 20.01.2010
.