DOCE MELANCOLIA
Efigênia Coutinho (Mallemont)

Remonto-me à canção de Pindemonte
Na peregrinação da minha alma alheia,
Noutra alma querida, introduzida, sente
Perfume, de rosas, duma lua cheia!...

Cheiro dimelas, lírios duma seara
Com a aridez sorvida pelas chuvas.
E sinto o salso aroma de Neptuno
Falando-me do sentido desta terra.

É o sentido da vida numa esfrega
A que grita surdo num sussurro;
O tato, sim, o tato duma fera
E vai tomando corpo na esfera.

Na dor do coração batido a murro,
Tão violento, palpita, faz alarido,
Sai fora do meu peito, e, extenuado,
Vive a sombra dum sonho Futurecido.

Rebentando na mais doce melodia
Porque serena será a tua melancolia.
É sim, melancolia, eufonia de melopéia,
São sons, de sentimentos rendidos...

Aspirando suspiros traídos do ensejo,
Não sendo nem volúpia nem desejo
Mas prazer de poesia que a alma enleia,
Pelo murmúrio da noite com lua cheia!...
 
Brasil, 10.11.2003
 

CANTO EXISTENCIAL

Odir, de passagem

 

 

Acordou-me  o  frio  da  chuva

chorando    fora.

A janela  escondeu  horizontes,

nublando  a  visão  de  meus  olhos.

Pobres  dos  meus  olhos

cansados  de  não  te  ver

e  te  buscando  na  chuva!

 

Ainda  ontem  a  manhã , de manhã,

se  fez  tão  amiga!

Concedeu-me  o  sol,  em  céu  azul,

consegui  projetar  o  teu  retrato

e  ver  teu  rosto  além  das  estrelas!

 

Hoje chove, faz frio,

sequer te vejo além da janela.

Mas  me  conforta  saber

que  estás  dentro  de  mim  e  eu  em  ti,

mesmo  sendo  em  um  amanhecer

nascendo  chuva.

 

Odir Milanez da Cunha

 
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Efigênia Coutinho
Presidente Fundadora
AVSPE