BEIJA-MÃO
Francisco Coimbra

deixa que também eu me apodere um pouco de você
vou experimentar dar expressão poética ao meu desejo
fazendo das frases versos enquanto conversamos
sobre coisas tão simples da vida como toda a variedade
de leituras que podemos fazer de todas as coisas

escrita em estância como uma mancha breve colorindo
as palavras para um voo da ave da poesia que poisa
para fazer postura do ovo onde descobrimos de novo
ao escrever novos poemas que mais não são que voos
libertados pela imaginação da leitura onde somos Ícaro

quando ainda no solo sonhava erguer-se e voar

vou deixar o poema entregue empregue na sua arte
de compor uma música com notações para nossa voz
mergulhando na Língua substantiva até raiar o absoluto
que se encontra soluto na consciência mais profunda
do objecto das palavras poder ser linguagem das coisas

então o que estarei fazendo é a pegar nas tuas mãos
levando-as aos lábios para poder beijar até às lágrimas
a essência da flor que me inspira com esta inspiração
de poder imaginar num beija-mão liberdade efusiva
numa introdução à prosa cuja necessidade dispensava

quando ainda no solo faço tan-tan até ficar “tan-tan”

solista deserdado da sorte batuco como batuque
um teclado que não está ao teu lado mas me envia
a mim ao meu desejo ao meu disparate até M_arte
desejando V_énus desnuda a irradiar a luz no céu
como Estrela da Madrugada no raiar da aurora.

PORTUGAL
Outubro 2008

UM BEIJO À MÃO
Efigênia Coutinho

Experimentando quando enquanto sinto
a nobreza de te haver amado em sobejo
mas também quando tu te calas e te fazes
cinéreo e te escondes até a extrema orla
horizonte numa neblina finíssima de opalas

Por esta escrita sem distancias talvez durmas
como essas palavras que chegam num vôo
e estão adormecendo qual criatura viva dentro
de mim tu vais abismar com toda a descoberta
o infinito dos infinitos espaços cósmicos do ser!

Perceba que não estou no solo e sim no etéreo

Teu poema parece um mundo silencioso
que vai se tornando tornado onde atormenta
tudo em torno de mim e tudo me abisma em torno
com sons imagens dando formas a nossa voz
vibrando duma consciência absoluta e sentida!

Ah!!!, recolho-me dentro de minha concha-lua
nesta espera que me desespera pró beijo na mão
e inunda-me uma longa e suave nostalgia
como a que quebranta molemente o corpo
espera de longa e muito ardente noite de amor!

Tan-tan, vou-me deixar neste espaço, quero amar!!

Solista eu desejava descreve-lo desta sorte
que te batuca e para meu prazer não machuca
talvez porque és infinitamente grande saindo
dos teus horizontes indo até M_arte ao encontro
de tua V_énus onde bate o coração com toda arte!!!

Balneário Camboriú
Outubro 2008

 

 


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Sala de Poetas
AVSPE
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2008

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