DANÇO
Efigênia Coutinho


O corpo, um rio, vestido de água,
De vento, por fora e por dentro,
Girando como um carrossel de espumas,
Avanço, um passo, compasso, Danço!

Um ritmo aparte que suaviza a
ausência em que me encontro.
Um ritmo apogístico que me faz livre
De todos os augúrios da terra.

Terei eu um novo ser, celeste
iminência,de dias que são pássaros,
de pássaros dançarinos, e imitam
além de meu abismo.

Dançarina, incontida, dançando,
Salto até alcançar o triunfo,e
arder na fusão desta DançAliança!



DANÇA
João Evangelista Rodrigues

o corpo vestido de água
de melodia de vento
é rio por dentro por fora ri
gira em doido movimento
no compasso das nuvens
donde pende o som das dúbias manhãs

um carrossel de espuma dilacera
o tempo avança e treme
suaviza a sombra
de sua ausência
andarilha a terra
brilha imanta
e some
no vazio
um novo ser celeste surge
imanente e belo
são pássaros implumes
malabaristas sobre o abismo
incontida sucessão de seres
imprevisíveis alianças
dilacerações do ventre
salto em triunfo
as pernas do pássaro-poema
se confundem em dança-poesia
inaugural e plena.

Outubro 2007
 

 

 


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Sala de Poetas
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