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         Ciranda  Grito    AVSPE


 

         AVSPE   E tendo como organizadora, nossa querida
                     Raquel Caminha, Membro  Efetivo da nossa Academia,
                     que administra com glorias o evento!

Mande sua POESIA para
princesa44@secrel.com.br
 



O GRITO DOS POETAS!
Celito Medeiros

Lamentavelmente poucos ouvem...
Talvez menos ainda quem possa ler
Pouquíssimos é que já compreendem
O que seria nosso verdadeiro saber!

Presos nas mentiras ou nas juras de fé
Pensamentos que não encontram solução
Apenas chegam embaixo, próximos do pé
Sem poderem subir na árvore da razão!

Quando no futuro não encontrarem deuses
Santidades terem sido parte de tudo disto
Ficarão mais milênios presos em afazeres
Finalmente encontrar o que já tinham visto!

Se não buscarem a verdade além do discurso
Na mão dos falsos profetas, constantemente
Confiando em vãs filosofias que estão em curso
Viverão em mentiras e mistérios eternamente!


GRITO ABERTO
Sergio Campanha

Grito, amigos,
grito pelo direito de ser, de estar,
pelo direito de amar e de cantar.

Grito, inimigos,
grito pelo direito de vencer, de viver,
de trabalhar, mesmo que vocês não queiram...

Porque sou poeta,
porque sou um alerta de um mundo servil
sem dentes, sem cara e hostil.

Grito, queridos,
grito aberto e transcendente que espuma
nas altas labaredas que ardem do chão.

Grito o grito do poeta
aquele que quer a vida viva,
aquele que quer justiça, honra e trabalho.

Grito o grito aceso,
resplandecente e cheio de fogo
contra aqueles que se julgam donos do mundo.

Grito contra os políticos,
contra os descrentes, contra os ladrões,
contra os cruéis, contra a maldade...

e grito um grito uníssono
por Efigenia Coutinho, por Fagundes Varella,
por Castro Alves, por Paulo Leminski, por
Fernando Pessoa, por Florbela Espanca,
por Mario de Andrade, e por todos os loucos
que abusaram um dia de serem P O E T A S!


(a) palavra plural
Francisco Coimbra

a palavra
supera a existência
onde se instala

é uma pura ciência
da realidade

esta (a) sua gramática
[Assina:]

Assim

O grito

o grito do grito e(s)coa
nu eco dum despido
silêncio que deixa


o grito O grito
já sentido memória

poesia... sua história
[Assina:]
Assim

o grito de revolta

o grito de revolta volta
agora no silêncio
de escutar

o silêncio em volta
pelo vazio

o(n_de) infiltra a poesia!
[Assina:]
Francisco Coimbra

Grito Silencioso
*Emiele*


Há tantas formas de falar
Tantas formas de expressar
De silenciar... E de gritar.
Vozes que ecoam na escuridão
Clareando a visão.
Vozes ininteligíveis
Indecifráveis
Vozes arrogantes nem sentido
Mas seu eco é sempre temido.

Opto pela fala dócil e delicada.
Opto pela fala cuja raiz está no coração.
Pela fala silenciosa em forma de ação.
Elas falam mais alto que qualquer palavra dita.
Que qualquer voz aflita.
Que qualquer grito na multidão.


Belo Horizonte, 06/06/2006 - 20:40 horas.
Autorizado para a Ciranda - O grito que não se cala
E também autorizada para a Ciranda - O Grito -
coordenada por Raquel Caminha


Sinta ...
Evinha

Meu corpo grita
de desejo por ti ...
Sinta,
dentro de mim,
como esse desejo
tem a força
de um grito ...

VEM COMIGO SONHAR!
Rosângela do Valle Dias

Eu desejei, um dia,
um amor puro e verdadeiro,
mesmo longe de te sentir.

Entre estrelas e luas,
emoções e sombras,
sorrisos e poemas,
eu te encontrei !

No universo da saudade
reinventei um querer.
Em ti encontrei um novo viver,
doce e esperado amor...

Penso no abraço
e já me sinto nos teus braços!
Imagino tocar os teus lábios
e já posso sentir o sabor
do teu beijo de amor!

Transporto-me e posso voar
nas asas do meu sonhar,
no doce encanto de te amar.
Vôo só para entregar
ao teu coração, tão meu,
as canções eternas
do meu doce cantar.

Nos meus encontros secretos,
entre o meu eu e o teu ser,
tão amante desse querer,
peço, imploro ao infinito,
que não deixe apagar
a voz interior do meu grito.

Nuvens que passam velozes,
num suave acariciar,
tentam apressar o encontro
do sonho com o desejo.
Procuram no teu olhar
selar o doce amar.

Nunca mais precisarei voar!
Vem, minha luz!
Vem, meu anjo!
Vem comigo sonhar!

 

O GRITO
Hiram Câmara


No ar suspenso
como um móbile imobile
apenas um instante,
reflete o que penso:
um grito.

Irrompeu em glória,
na esperança do guerreiro,
da alma audaz de um soldado,
a defender um pedaço da Humanidade,
de outro tão jovem soldado,
a defender seu quinhão da Humanidade.
E na premência da vitória,
vem do interior de cada um
e como num "boot", se congela,
como um mito, na distância percorrida
em um segundo,
entre a Morte e a VIda.

Irrompeu em desespero,
num repente,
da alma sofrida de um doente,
e cortou o ar afora,
anunciando sofrimento,
pedindo socorro,
na premência de ir-se embora,
e agora, parado no ar,
cristalizado na dor que se esvai,
como um punhal cravado
nas costas da Ciência.

Irrompeu como alerta,
clamando que a porta estava aberta
para a insensatez , mas desta vez,
ninguém lhe deu ouvidos.
Era como um estilete fino
que cortasse anestesiados:
ninguém lhe deu ouvidos.
A Vida fez o que tinha de fazer
e fez girar a roda,
para que outro dia começasse.
Mas o dia não começou e fez-se noite.
E o vento-açoite engoliu-o
como um sapo englole o alvo mosquito
e gravado na mente ficou-lhe, somente,
o grito.

Irrompeu como um vulcão.
E foi assim tão inesperado,
que nenhum dos outros percebeu
que era seu, o grito tão calado.
Mas era um grito de paixão,
e paixão tão desvairada,
como flecha incendiada,
vasou céu e diluiu-se em estrelas.
E, então só de vê-las,
absorvo a sua energia
e por assim sabê-las
parte de tua alma tão distante,
quero ver-te entre elas,
e falar-te ao mirá-las.
mas, qual, como ouvir-me?
Foi então que compreendi,
que aquela energia
da alma do guerreiro,
do sofredor,
do responsável,
se integra no universo,
e nos vem dentro do peito.
E, é, desse jeito,
que você ouve meu grito
em silêncio, neste verso.

 

Meu grito
Benedita Azevedo

Senhor, até onde irá a degradação
de nossas instituições?
A pobreza intelectual dos componentes
dos poderes da república?
A falta de visão social de nossos parlamentares,
que legislam em causa própria?
A indigência ética em setores que nos devem proteção
e nos aviltam?
A saúde auto-suficiente apregoada pelos políticos
em hospitais destruídos e sem remédios?
A educação com profissionais insatisfeitos
e prédios em ruínas?
A distribuição de benesses ao invés
de trabalho pra alguém da família?
Tantos impostos pagos sem nenhum retorno
e o povo oferecendo a outra face?
Até quando, Senhor?
Este país maravilhoso será tão maltratado?

Benedita Azevedo
Magé -RJ, 17 / 12 / 2006
 

 

VEJO FANTASMAS
GRITO!
Raquel Caminha Matos

Na vida acontecem certas coisas
que eu não aceito.
Fecho os olhos, tampos os ouvidos.
Mas o que fazer se está dentro do conceito,
tento fingir não escutar nem os ruídos.

Nessa dúvida cruel, fico pensativa.
Procuro entender o que acontece.
Não sei se entro no compasso,
ou se fico passiva.
Só que meu coração bate
forte e as minhas pernas perece.

Talvez esteja enxergando
fantasma onde não existe.
Quem sabe minha luta seja comigo mesma,
só que meu coração apreensivo me diz
ative seu sexto sentido, perigo à vista

Entro no meu quarto me olho no espelho
e me recordo de uma historinha infantil.
Fico na frente dele sorrindo e pergunto:
Espelho, espelho meu, tem no coração
do meu amor... amor maior que o meu?

Na minha fantasia vejo o espelho sorrindo,
e na minha imaginação
fértil escuto ele responder.
-O amor de vocês minha linda,
é como conto de fada,
não existe amor maior
e nem mais lindo!
Fica tranqüila, nem a bruxa
com a maçã o mata.

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