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CIRANDA Confeitaria Colombo CONVITE
AVSPE
2007
Alessandro Motta Buzas
Autor
deste texto sobre a história
da CONFEITARIA COLOMBO
Reflexo
vivo da belle époque do Rio de Janeiro antigo,
a Confeitaria Colombo ( até hoje na rua Gonçalves Dias) foi
fundada em l894 pelos portugueses Joaquim Borges de
Meirelles e Manoel José
Lebrão. Tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do
Estado do Rio de Janeiro, a Colombo já passou a barreira
do centenário, continuando com a mesma tradição desde a sua
fundação. O célebre slogan de Manoel José
Lebrão, "o freguês sempre tem razão", permanece respeitado
na casa.Assim, o restaurante sempre dedicou carinho e
atenção aos seus fregueses, oferecendo-lhes os bons
serviços de uma gastronomia internacional e bebidas finas
para paladares especiais. Seu cardápio variado compõe-se de
nobres pratos de aves, peixes e carnes, como o famoso "Tornedot
Colombo". Para acompanhar o buffet, um leque de
bebidas portuguesas, chilenas, francesas, italianas e
espanholas hidratam os pratos tradicionais.
Sofisticada
decoração
No salão principal da confeitaria, uma decoração rica em
detalhes é mantida em perfeito estadodesde sua criação.
Apesar de uma reforma recente, a decoração da Colombo ainda
é art nouveau,
de l9l3.São quatro andares com três amplos salões decorados
com oito espelhos bisotados, medindo3 x 6 m de comprimento,
todos emoldurados em jacarandá. Os espelhos foram trazidos
da Bélgica, em navio, cada um pesando uma tonelada e meia.
As bancadas são em mármore italiano e o mobiliário é
sofisticado.Cinco cristaleiras abrigam grande variedade de
doces e tortas, além de louças do princípio do século e
taças de cristal bordadas a ouro. Coroando o teto, no quarto
andar, uma clarabóia em mosaicos coloridos banha todo o
restaurante com luz natural.
Os frequentadores do hall principal, que usufruem
das delícias gastronômicas da bancada central,são brindados
com canções, "chorinhos" e melodias da época da inauguração,
interpretadas pelo pianista Selton Madeira e sua
"intelectual" gravata - borboleta.
Turistas de todos os cantos do mundo, velhinhos
aposentados, senhores formais de terno e gravata, senhoras
elegantes da terceira idade e gente jovem formam o eclético
time dos frequentadores da Colombo. Eles podem ser
encontrados desde o horário de abertura da casa, às 8,30 hs,
até o seu fechamento, às l9 h. Todos procuram a Colombo pela
nostalgia ou pelo seu requintado ambiente
belle époque.
Roda de intelectuais
A Confeitaria Colombo é o
perfeito ponto de encontro para uma variada gama de pessoas
em seus almoços, chás da tarde e jantares : políticos,
jornalistas, artistas, literatos, senhoras da alta
sociedade, estudantes, curiosos, boêmios e turistas. Todos
se integram no ambiente da confeitaria, que serve também
banquetes a visitantes ilustres, entre eles o rei Alberto da
Bélgica, em l920, e a rainha Elizabeth da Inglaterra, em
l968.
A roda mais famosa dos intelectuais que ali frequentaram é a
de Olavo Bilac, fundador da Sociedadedos Homens de Letras,
em l9l4. O objetivo dessa sociedade era criar uma bandeira
de luta pela defesa dos "trabalhadores intelectuais" que não
tinham uma remuneração adequada em jornais e revistas. Na
festa da Colombo, em l955, quando houve o centenário de
nascimento de Olavo Bilac,este foi homenageado com uma placa
comemorativa na entrada da casa. O poeta era tão pontual
para os diários chás da cinco que os funcionários sempre
acertavam os relógios da casa assim que ele chegava. Bilac
viajava muito e, sempre que retornava ao Brasil, havia festa
na Colombo, com direito a "quadrinhas comemorativas" dos
padrinhos da roda. Nessa roda de literatos - poetas,
jornalistas e escritores - Bilac dava autógrafos a
todo momento.
Outro famoso frequentador era o poeta Emílio de Menezes, que
chamava a Colombo de seu local de trabalho. O poeta, às
vezes, escrevia com lápis nas mesas de mármore e se
beneficiava dos favores do proprietário da época, pagando
suas despesas com sonetos de propaganda para a Colombo. Ele
é também o autor do célebre "hino à dentada", em que chamou
a Colombo de "verdadeira sucursal da Academia", referindo-se
à Academia Brasileira de Letras , e aos seus escritores que
ali frequentavam, entre eles Machado de Assis. Guimarães
Passos, amante das bebidas, grande palestrante e poeta, era
outro que frequentava a roda de Olavo Bilac. Outros
habitués eram José do Patrocínio, Oscar Lopes , Luis
Murat, Plácido Júnior, Pedro Rabelo, Carlos Manoel , padre
Severiano e Lima Barreto.
Da roda dos presidentes da República, destacam-se Getúlio
Vargas e Juscelino Kubitschek na história da Colombo. O
primeiro, dizem, teria tramado a Revolução de 30 em um dos
salões de chá da casa. Esse tradicional chá das cinco era
frequentado pelas famílias cariocas de classe alta. As "cocottes",
à noite, com seus coronéis, criavam um ambiente alegre e
divertido.
O clube Regatas do Flamengo possui uma mesa cativa na casa,
há 54 anos, ficando conhecida como a "conspiração política
rubro-negra", razão pela qual seus integrantes foram
apelidados de "dragões negros", numa alusão às seitas
chinesas.
A partir da década de 30, a Colombo esteve presente nos
famosos bailes de carnaval do Teatro Municipal, inspirando
marchinhas brejeiras.
Começando como caixa na Colombo, em l974, hoje como mètre
do salão, Paulo César lembra-se com nostalgia dos
convidados ilustres que ele serviu, como Bibi Ferreira,
Grande Otelo, Braguinha, Lamartine Babo, Paulo Autran,
Virgínia Lane, Luis Antônio, Guilherme Figueiredo e Barbosa
Lima Sobrinho.
As reformas
A Colombo passou por algumas
reformas durante sua existência. A primeira, em l899, trouxe
a também primeira instalação elétrica, móveis de madeira e
as pinturas no estilo pompeano, de Humberto Rizzoli. A
segunda, em l900, instalou vitrines de cristal
hermeticamente fechadas,
com seis metros de altura e montadas para exposição de doces
e bebidas. Em l9l3, o estilo dominante da belle époque
carioca é introduzido na confeitaria. A reforma acontecida
em
l922 abriu um novo espaço para a Colombo, ampliando ainda
mais a tradição da casa. Ao longo de sua atividade, a
Colombo esteve nas mãos de vários sócios. Os mais
destacados, seus fundadores, tomaram conta do
estabelecimento até a década de 50. Depois, a posição de
controle da casa - entre os anos de l965 e l992 - vai para
as mãos de uma sociedade anônima pertencente a vários
composições.}
Em l992, o controle acionário da Colombo é transferido para
a Arisco Produtos Alimentícios Ltda, permanecendo até l999.
Agora, o patrimônio da Colombo pertence a uma mesma família
de antigos acionistas da Arisco. O novo proprietário da
confeitaria, Maurício de Assis ( e sua família) conta que
está muito satisfeito com o investimento e confirma que a
Colombo nunca deixará de ser Colombo, nem mesmo
transformar-se em super-mercado, conforme boatos maldosos
veiculados na imprensa.
Hoje, na Colombo, existe um outro ritmo agitado de vida
moderna. Este outrora grande centro mundano e social alcança
o status de ser e continuar para sempre uma das
melhores atrações turísticas na cidade do Rio de Janeiro. A
Colombo é a encarnação do glamour e faz parte
da história do Rio e do Brasil.
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