Os 320 da Academia em seu terceiro ano de Vida.
De início, era um sítio simples, que se foi florindo de nomes de poetas e poemas de países vários.
Lembro-me de suas primeiras edições e não me lembro porque fui ter a elas. E pouco importa, porque a elas fui em navegação de longo curso pela madrugada e dos portos a que cheguei no mar da Internet, foi em um site desconhecido que ancorei por toda a vida.
Mas se não houve a razão de ali chegar, houve, sim, uma causa para ficar. Admirei a coragem daquela mulher que se iniciava a recolher gritos e sussurros rimados ou não, de fonte diversa e de tantos países, já na partida para a longa viagem.
Dela, nunca tivera notícia, distraído que sou, pois muitos já conheciam e respeitavam Efigênia Mallemont, no Brasil e no Exterior.
Alguns dias depois, fascinado com a experiência de enviar setas sem destino, capazes de atingir alvos indistintos e insuspeitados, lancei um desses dardos, enviando-lhe um poema. E, então, era como um curso, e descobri-me em meio a uma pequena análise de meu modesto escrito, uma crítica, com conselhos. Ali poderia ter desistido, no receio de “tirar uma nota baixa”. Prossegui, e a Academia, inexistente ainda, foi uma escola.
Não me importa se os poemas sejam ou não peças de perfeita feitura, se me dão à alma a tranqüilidade que me sensibilize a mente.
Ler tantos poemas, de tantos de seus 320 Poetas Membros, nominados por letras do alfabeto no site da Academia: esta é a essência maior de todos esses dez anos, um pouco mais. Esta a essência da Academia que, madura e embalada no seio de sua criadora, criou-se oficialmente só em 2006, e em três anos se fez adulta, jovem e bela.
E quantas células este fino tecido, em três anos, produziu?
Não me importam, também, se são mulheres ou homens essas células. São, simplesmente, Poetas, e o que alimenta suas almas são o sentimento e a razão. Por vezes, mas só por vezes, bem dosadas, e na maior parte delas, não. Porque para compor rimas, a mente impõe regras e o coração se indisciplina, a seguir o vôo do sentimento, livre e solto. Afinal, poetas são, apenas, Poetas.
E se são com letras do alfabeto que os Poetas formam as palavras e recompõem o sentido desses sentimentos postos em versos, veremos que são quarenta e cinco as que se fazem de um A; e apenas cinco, as que começam com B; enquanto as de C são vinte e cinco, são tão somente sete, as de D; são vinte as de E e doze, as de F; pois se onze são H, bem perto está o I, pois doze são as dessa letra magra e aguda; mas, as de J, extrapolam e chegam a ser vinte e nove; muitas, comparadas com os de K, que em apenas uma daquelas células se manifesta, perdem para as de L, 32 vezes, e muito mais para os de M, 69, um Record benfazejo, pois é a letra de Maria, "cujo nome principia na palma de minha mão" e é o nome de Maria, mãe de Jesus, que habita tantos corações; ganha fácil do N, que atende a somente dezessete, muito mais, é verdade, dos que são apenas de O; ou dos nove, que há em P. Não há célula em Q. As duas dúzias de R rivalizam com os de S, com vinte e três bem contados. Onze são os de T e, quase já terminando, o V é o último a passar de uma dezena, contabilizando quatorze. É que W, que é o M de cabeça para baixo; X que se fecha em si mesmo, e o Y,com seu aspecto de letra quede pernaspara o ar,pareceestar "plantando bananeira", parecem não gostar dos poetas: pois, nesta ordem, são 2 apenas para cada uma das três. Mas pouco mesmo, para fechar nossa conta, tem o Z, deixada para o final. Zero começar por Z, o que nestareção, gerou um erro fatal
No dia em que nossa Academia completa seu terceiro ano de vida, seus 320 membros estão em festa.
Hiram Câmara
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